Zen para cristãos
Publicado por educaçãoevida em Maio 8, 2008
Do livro “Zen para cristãos. Guia para principiantes” de Kim Boykin, retiramos algumas partes que podem nos auxiliar a compreender como o Zen pode ser especialmente proveitoso para cristãos que querem enriquecer sua fé introduzindo na sua vida práticas meditativas, sem com isso comprometer suas crenças.
“Convite à Prática do Zen”
Zen para Cristãos é um guia para principiantes no Zen, escrito especialmente para cristãos. O livro entremeia instruções detalhadas sobre meditação zen, uma introdução aos ensinamentos do Zen e reflexões sobre o Zen em relação ao Cristianismo (…).
(…) “Zen para cristãos” não significa Zen adaptado para cristãos, do mesmo modo como “ioga para gravidez” significa ioga direcionada para mulheres grávidas. Neste livro, o Zen é o Zen puro e simples, mas apresentado especialmente para cristãos(…).
(…) Zen é um modo de libertação do sofrimento – tanto do sofrimento pessoal como do sofrimento que causamos aos outros. Zen é uma tradição prática e vivencial, centrada numa forma de meditação que pode ser praticada por pessoas de todas as religiões e também por aquelas que dizem não ter religião. A prática do Zen diz respeito à abertura de uma consciência compassiva a toda a realidade e à percepção de que a alegria e a liberdade a que aspiramos estão disponíveis aqui e agora, em meio ao caos, à dor e à confusão das nossas vidas.
Zen é um modo de desprendimento, em dois sentidos da palavra. Primeiro, é uma forma de experienciar diretamente o que o Budismo chama de “não-eu” – percebendo que a distinção entre “eu” e “não-eu” não é tão clara e definida como normalmente acreditamos que seja, e vivenciando a inter-conexão e interdependência de todas as coisas. Segundo, é um modo de desprendimento, de altruísmo, em oposição a egoísmo – uma maneira de ser útil em vez de prejudicial, uma atitude de compaixão por tudo e por todos, inclusive por nós mesmos. Essas duas formas de desprendimento estão ligadas. Quanto mais plenamente vivemos a realidade desde a perspectiva do não-eu, mais nos livramos da tirania de um “eu” ilusório e mais nos abrimos para uma vida de alegria e compaixão desapegadas.
(…) O monge trapista Thomas Merton diz que comparar o Zen com o Cristianismo é como comparar tênis com matemática. Penso que Zen e Cristianismo são mais semelhantes do que isso (…) mas eu diria que praticar o Zen sendo cristão é como jogar tênis sendo matemático. Se você é matemático e quer jogar tênis, você simplesmente continua sendo matemático e também joga tênis. Não há nenhum truque especial nisso. Você não precisa vestir bermudas e calçar tênis para fazer cálculos matemáticos, e também não precisa pensar em equações diferenciais enquanto joga tênis. Se você é cristão e quer praticar o Zen, simplesmente continue sendo cristão e também pratique o Zen.
Os cristãos descobriram que a prática do Zen pode ser um modo muito eficaz de alimentar a nossa capacidade de amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos, e a nossa capacidade de dizer a Deus, do fundo do coração e em qualquer circunstância, “Seja feita a vossa vontade” – a vossa vontade, não a minha. De modo particular, a prática do Zen pode ser uma força concreta que nos ajuda a ver e a rejeitar tudo o que se interpõe no caminho do amor a Deus e à sua criação e de abertura à vontade divina.
Naturalmente, a tradição cristã nos oferece as suas próprias práticas espirituais para nutrir a nossa capacidade de amar a Deus e a criação e para nos abrir à vontade de Deus. Neste livro, apenas ofereço o Zen como outra prática espiritual que você pode experimentar. Eu o convido a incorporar a prática zen à sua vida como cristão, à semelhança do que muitos outros cristãos, leigos e ordenados, protestantes e católicos, já fizeram.
Como o Zen é fundamentalmente uma prática – algo que você faz, algo que você vivencia – os seus aspectos essenciais não podem ser assimilados apenas lendo sobre ele. Nesse sentido, o Zen se assemelha a qualquer atividade que você aprende através da prática e da experiência, como jogar tênis, dirigir um carro ou fazer pão. Você pode obter informações úteis e interessantes lendo sobre ele, mas é entrando na quadra e rebatendo algumas bolas, entrando num carro e dirigindo, sovando a massa e deixando-a crescer que você aprende a fazer e entende realmente do que se trata.
Por isso, ler este livro é como ler um livro de culinária. As receitas estão no livro de culinária não apenas para ser lidas, mas para orientá-lo na preparação de algo para comer. Neste livro, as seções práticas são as receitas, e os capítulos ajudam a compreender melhor as receitas e a apreciar com mais satisfação os pratos (…).
Eu o convido a provar algumas receitas – não apenas a ler sobre sabores, texturas e aromas do Zen, mas a experimentá-Ias concretamente.