Zen no Parque

A meditação ao alcance de todos.

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Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia V – a meditação andando

Publicado por educaçãoevida em Abril 2, 2009

 

A meditação andando

 Por Thich Nhat Hanh

 A meditação andando pode ser muito agradável. Caminhamos lentamente, sozinhos ou com amigos, se possível num belo local. A meditação andando tem como verdadeiro objetivo o prazer em caminhar – anda-se não para se chegar a algum lugar, mas só pelo andar. O propósito é o de se estar no momento presente, tendo plena consciência da respiração e da caminhada, e de se apreciar cada passo. Para isso, devemos nos livrar de todas as preocupações e ansiedades, não pensar no futuro, nem no passado, só vivendo o momento presente. Podemos andar de mãos dadas com uma criança. Caminhamos passo a passo como se fôssemos os seres mais felizes da Terra.

 Embora andemos o tempo todo, nosso andar se assemelha mais a uma corrida. Quando caminhamos assim, imprimimos ansiedade e tristeza na Terra. É preciso que andemos de forma tal que só deixemos paz e serenidade sobre a Terra. Podemos todos fazer isso desde que o desejemos muito. Qualquer criança consegue fazê-lo. Se podemos dar um passo assim, poderemos dar dois, três, quatro e cinco. Quando formos capazes de dar um passo cheio de paz e felicidade, estaremos trabalhando pela causa da paz e da felicidade de toda a humanidade. A meditação andando é uma prática maravilhosa.

 Quando fazemos meditação andando ao ar livre, caminhamos um pouco mais devagar do que nosso ritmo normal e coordenamos nossa respiração com nossos passos. Por exemplo, podemos dar três passos para cada inspiração e três passos para cada expiração. Podemos, então, dizer, “Inspirando. inspirando, inspirando. Expirando, expirando, expirando.” Dizer “Inspirando” serve para nos ajudar a identificar a inspiração. Sempre que chamamos algo pelo seu próprio nome, estamos tornando-o mais real, como quando dizemos o nome de um amigo.

 Se os seus pulmões preferem quatro passos em vez de três, dê-lhes quatro passos, por favor. Se eles querem apenas dois, dê-lhes dois. A dura­ção da sua inspiração e da sua expiração não tem de ser a mesma. E possível, por exemplo, que você dê três passos ao inspirar e quatro ao expirar. Se você se sentir feliz, sereno e alegre enquanto ca­minha, é porque está se exercitando corretamente.

 Esteja atento para o contato entre os seus pés e a Terra. Caminhe como se estivesse beijando a Terra com os pés. Já prejudicamos muito a Terra. Agora é a hora de cuidarmos bem dela. Trazemos nossa paz e nossa serenidade à superfície da Terra e compartilhamos a lição do amor. É tendo isso em mente que caminhamos. De quando em quando, ao ver algo bonito, podemos querer parar para contemplação de uma árvore, uma flor, crianças brincando. Enquanto olhamos, continuamos atentos à nossa respiração, para não sermos enredados por nossos pensamentos e assim perdermos a beleza da flor. Quando quisermos voltar a andar, é só começar de novo. Cada passo que dermos criará uma brisa fresca, renovando nosso corpo e nossa mente. Cada passo fará uma flor se abrir aos nossos pés. Isso só é possível se não pensarmos no futuro nem no passado, se soubermos que a vida só pode ser encontrada no momento presente. 

 

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Dicas para a meditação: nossa mente e o suco de maçã

Publicado por educaçãoevida em Novembro 20, 2008

 

Sol e Folhas Verdes

Por Thich Nhat Hanh

Hoje três crianças, duas meninas e um menino, vieram da aldeia para jogar com Thanh Thuy. Os quatro foram para a ladeira atrás de nossa casa, brincaram uma hora e voltaram para pedir algo para beber. Eu peguei a última garrafa de suco de maçã caseiro e dei a cada um copo cheio, servindo Thuy por último. Considerando que o suco dela era do fundo da garrafa, tinha alguma polpa. Quando ela notou as partículas, fez beicinho e recusou a beber. Assim as quatro crianças voltaram para as brincadeiras na ladeira, e Thuy não bebeu nada.

Meia hora depois, enquanto eu estava meditando em meu quarto, eu a ouvi chamando. Thuy quis um copo de água fria, mas mesmo na ponta dos pés ela não podia alcançar a torneira. Eu a lembrei do copo de suco na mesa e lhe pedi que bebesse aquele primeiro. Virando o olhar, ela viu que a polpa tinha assentado e o suco parecia claro e delicioso. Ela foi para a mesa e pegou o copo com ambas as mãos. Depois de beber a metade, ela colocou o copo sobre a mesa e perguntou, “Este é um copo diferente, Tio Monge?” (um termo comum que as crianças vietnamitas usam ao se dirigir a um monge mais velho.) “Não”, eu respondi. “É o mesmo que antes”. Ele sentou quietamente um pouquinho, “e agora está claro e delicioso.” Thuy olhou novamente para o copo. “Realmente é bom. Ele estava meditando como você, Tio Monge? ” Eu ri e bati levemente na cabeça dela. “Digamos que eu imito o suco de maçã quando eu sento; isso é mais próximo da verdade.”

Todas as noites na hora de dormir de Thuy, eu medito. Eu a deixo dormir no mesmo quarto, próximo de onde estou sentando. Nós concordamos que enquanto eu estiver sentando, ela irá para cama sem falar. Naquela atmosfera calma, o sono vem facilmente para ela dentro de 5 ou 10 minutos. Quando eu termino de sentar, eu a cubro com uma manta.

Thanh Thuy é filha das “pessoas de barco.” Ela não tem ainda 4 anos e meio. Cruzou os mares com o seu pai e chegou da Malásia em abril do ano passado. A mãe dela ficou no Vietnã. Quando o pai chegou aqui na França, deixou Thuy conosco durante vários meses enquanto foi para Paris procurar um trabalho. Eu lhe ensinei o alfabeto vietnamita e algumas baladas populares de nosso país. Ela é muito inteligente, e depois de duas semanas já soletra e lê lentamente “O Reino dos Bobos”, de Leo Tolstoy que eu traduzi do francês para o vietnamita.

Toda noite Thanh Thuy me vê sentar. Eu lhe falei que eu estou “sentando em meditação” sem explicar o que significa ou por que faço isto. Todas as noites quando ela me vê lavar minha face, vestir meus roupões, e acender um incenso para fazer o quarto ter uma boa fragrância, ela sabe que logo eu começarei a “meditar.” Ela também sabe que está na hora dela escovar os dentes, mudar os pijamas, e ir quietamente para cama. Eu nunca tive que a lembrar.

Sem dúvida, Thuy pensou que o suco de maçã estava sentando por um tempo para se clarear como o seu Tio Monge. “Ele estava meditando como você?” Eu penso que Thanh Thuy, apesar de não ter 4 anos e meio, entende o significado de meditação sem qualquer explicação. O suco de maçã ficou claro depois de descansar por algum tempo. Da mesma maneira, se nós descansarmos por algum tempo em meditação, também ficaremos claros. Esta claridade nos refresca e nos dá força e serenidade. Como nós nos sentimos refrescados, nossos ambientes também serão refrescados. Crianças gostam de estar perto de nós, não apenas para ganharem doces e ouvir histórias. Elas gostam de estar perto de nós porque podem sentir este “frescor.”

Hoje à noite um convidado veio. Eu enchi um copo do último do suco de maçã e pus na mesa no meio da sala de meditação. Thuy já tinha adormecido, e eu convidei meu amigo a sentar muito quietamente, como o suco de maçã.

Nós sentamos durante aproximadamente 40 minutos. Eu noto meu amigo sorrindo quando ele olha para o suco. Ficou muito claro. “E você, meu amigo, ficou? Até mesmo se você não se estabilizou tão completamente quanto o suco de maçã, você não sente um pouco menos agitado, menos irrequieto, menos perturbado? O sorriso em seus lábios ainda não enfraqueceu, mas eu penso que você duvida que se possa ficar tão claro quanto o suco de maçã, mesmo se nós continuarmos sentando por horas.

“O copo do suco tem uma base muito estável. Mas seu sentar não é tão firme. Esses pedaços minúsculos de polpa só têm que seguir as leis de natureza para cair suavemente para o fundo do copo. Mas seus pensamentos não obedecem nenhuma lei. Pelo contrário, eles zumbem febrilmente, como um enxame de abelhas, e assim você pensa que não pode se estabilizar como o suco de maçã. “Você me fala que as pessoas, seres vivos com capacidade de pensar e sentir, não podem ser comparados com um copo de suco”. Eu concordo, mas eu também sei que nós podemos fazer o que o suco de maçã fez, e mais. Nós podemos estar em paz, não só enquanto sentamos, mas também enquanto caminhamos e trabalhamos.

“Talvez você não acredite em mim, porque 40 minutos se passaram e você tentou tão duramente, mas não pôde alcançar a paz que desejou. Thuy está dormindo pacificamente, a respiração dela está clara. Por que nós não acendemos outra vela antes de continuar nossa conversa? ”

“A pequena Thuy dorme sem esforço. Você sabe essas noites quando sono foge, e quanto mais você tenta dormir menos pode. Você está tentando se forçar a estar calmo, e sente a resistência dentro de você. Este mesmo tipo de resistência é sentida por muitas pessoas durante a sua primeira experiência com meditação. Quanto mais eles tentam se acalmar, mais inquietos se tornam. Os vietnamita acham que isto é porque elas são vítimas de demônios ou karmas ruins, mas na realidade esta resistência nasce de nossos próprios esforços para ficar calmos. O próprio esforço se torna opressivo. Nossos pensamentos e sentimentos fluem como um rio. Se nós tentarmos parar o fluxo de um rio, conheceremos a resistência da água. É melhor fluir com ele, e então poderemos guiá-lo do modo que queremos. Nós não devemos tentar pará-lo.

“Lembre-se que o rio tem que fluir e que nós vamos segui-lo. Nós devemos estar atentos a todo pequeno regato que se une a ele. Nós devemos estar atentos a todos os pensamentos, sentimentos, e sensações que surgem dentro nós, ao seu nascimento, duração, e desaparecimento. Você vê? Agora a resistência começa a desaparecer. O rio de percepções ainda está fluindo, mas não mais na escuridão. Está fluindo agora na luz da consciência. Manter este sol sempre brilhando dentro de nós, iluminando cada regato, cada seixo, cada curva no rio, é a prática de meditação. Praticar meditação é, em primeiro lugar, observar e seguir estes detalhes”

“No momento da consciência sentimos que estamos no controle, embora o rio ainda esteja lá fluindo. Nós nos sentimos em paz, mas isto não é a ‘paz’ do suco de maçã. Estar em paz não significa que nossos pensamentos e sentimentos estão congelados. Estar em paz não é igual a estar anestesiado. Uma mente calma não quer dizer uma mente vazia de pensamentos, sensações e emoções. Uma mente calma não é uma mente ausente. Está claro que pensamentos e sentimentos sozinhos não constituem a totalidade de nosso ser. Fúria, ódio, vergonha, fé, dúvida, impaciência, desgosto, desejo, tristeza e angústia também são a mente. Esperança, inibição, intuição, instinto, as mentes subconscientes e inconscientes fazem igualmente parte do eu. (…)”

Meditadores iniciantes normalmente pensam que têm que suprimir todos os pensamentos e sentimentos (freqüentemente chamada de “falsa mente”) para criar condições favoráveis para concentração e entendimento (chamada “verdadeira mente”). Eles usam métodos como focalizar a sua atenção em um objeto ou contar as respirações para tentar impedir pensamentos e sentimentos. Concentrar em um objeto e contar a respiração são métodos excelentes, mas eles não deveriam ser usados para supressão ou repressão. Nós sabemos que assim que houver repressão, haverá rebelião. Repressão requer rebelião. Verdadeira mente e falsa mente são um. Negar uma é negar a outra. Suprimir uma é suprimir a outra. Nossa mente é nosso eu. Nós não podemos suprimi-la. Nós temos que tratá-la com respeito, com bondade e absolutamente sem violência. Considerando que nós nem mesmo sabemos o que é nosso “eu” é, como nós podemos saber se é verdadeira ou falsa, e se ou o que suprimir? A única coisa que podemos fazer é deixar a luz da consciência brilhar em nosso “eu” e iluminá-lo, assim podemos olhar diretamente para ele.

Da mesma maneira que flores e folhas são só partes de uma planta, e da mesma maneira que ondas são só parte do oceano, percepções, sentimentos e pensamentos são só parte do eu. Flores e folhas são uma manifestação natural de plantas, e ondas são uma expressão natural de oceanos. É inútil para tentar reprimi-los ou abafá-los. É impossível. Nós só podemos observá-los. Como eles existem, podemos achar a sua origem que é igual à nossa própria. O sol de consciência origina no coração do eu. Permite ao eu iluminar o eu. Não só ilumina todos os pensamentos e sentimentos presentes. Se ilumina também.

Vamos voltar ao suco de maçã, “descansando” quietamente. O rio de nossas percepções continua fluindo, mas agora, à luz da consciência, flui pacificamente, e nós estamos serenos. A relação entre o rio de percepções e o sol da consciência não é igual a de um rio real e o sol real. Se é meia-noite ou meio-dia, se o sol está ausente ou se seus raios penetrantes estão irradiando, as águas do Rio de Mississipi continuam fluindo, mais ou menos do mesmo modo. Mas quando o sol da consciência brilha no rio de nossas percepções, a mente é transformada. Rio e sol são da mesma natureza.

Vamos considerar a relação entre a cor das folhas e a luz solar que também têm a mesma natureza. À meia-noite, a luz estrelada e o luar revelam só a forma das árvores e folhas. Mas se o sol de repente brilhasse, a cor verde das folhas apareceria imediatamente. O verde tenro das folhas de abril existe porque a luz solar existe. (…)

Assim que o sol da consciência brilha, naquele mesmo momento uma grande mudança acontece. A meditação deixa o sol da consciência levantar facilmente, assim podemos ver mais claramente. Quando meditamos, parecemos ter dois egos. Um é o rio corrente de pensamentos e sentimentos, e o outro é o sol da consciência que brilha neles. Qual deles é nosso eu? Qual é o verdadeiro? Qual é o falso? Qual é bom? Qual é ruim? Por favor tranqüilize-se, meu amigo. Abaixe sua espada afiada de pensamento conceitual. Não tenha pressa de cortar seu “eu” em dois. Ambos são eu. Nenhum é verdadeiro. Nenhum é falso. Eles são ambos verdadeiros e ambos falsos.

Nós sabemos que luz e cor não são fenômenos separados. Da mesma maneira, o sol do eu e o rio do eu não são diferentes. Sente comigo, deixe um sorriso se formar em seus lábios, deixe seu sol brilhar, feche seus olhos, se for necessário para ver seu eu mais claramente. Seu sol da consciência é apenas parte do rio do seu eu, não é? Segue as mesmas leis de todos os fenômenos psicológicos: surge e desaparece. Para examinar algo com um microscópio, um cientista tem que iluminar o objeto a ser observado. Para observar o eu, você tem que ilumina-lo também a luz de consciência. (…)

Observe as mudanças que acontecem em sua mente sob a luz da consciência. Até mesmo sua respiração mudou e se tornou “não-duas” (eu não quero dizer “uma”) com seu eu que observa. Isto também é verdade para seus pensamentos e sentimentos que, junto com os seus efeitos, são transformados de repente. Quando você não tentar julgá-los ou suprimi-los, eles se entrelaçarão com a mente observadora.

De vez em quando você pode ficar inquieto, e a inquietude não irá embora. Nestas ocasiões, apenas se sente quietamente, siga sua respiração, sorria um meio sorriso, e brilhe sua consciência na inquietude. Não julgue ou tenta destruí-la, porque esta inquietude é você. Nasce, tem algum período de existência, e diminui, bastante naturalmente.

Não tenha grande pressa em achar sua origem. Não se esforce demais para fazê-la desaparecer. Apenas a ilumine. Você verá que mudará pouco a pouco, se fundindo, ficando conectada com você, o observador. Qualquer estado psicológico que você sujeite a esta iluminação suavizará e adquirirá a mesma natureza da mente observadora.

Ao longo de sua meditação, mantenha o sol de sua consciência brilhando. Como o sol físico que ilumina toda folha e toda grama, nossa consciência ilumina todos os nossos pensamentos e sentimentos, nos permitindo reconhecê-los, ficar atentos ao seu nascimento, duração, e dissolução, sem os julgar ou avaliar, dando boas-vindas ou os banindo. É importante que você não considere que consciência é seu “aliado”, chamada para suprimir os “inimigos” que são seus pensamentos incontroláveis. Não transforme sua mente em um campo de batalha. Não tenha uma guerra nela; porque todos os seus sentimentos – alegria, tristeza, raiva, ódio – são parte de você. Consciência é como um irmão mais velho, gentil e atento, que está lá para guiar e iluminar. É uma presença tolerante e lúcida, nunca violenta ou discriminadora. Está lá para reconhecer e identificar pensamentos e sentimentos, não para julgá-los como bons ou ruins, ou colocá-los em acampamentos adversários para lutarem entre si. A oposição entre bom e mal é comparada freqüentemente com luz e escuridão, mas se nós olharmos para isto de um modo diferente, veremos que quando a luz brilha, a escuridão não desaparece. Não vai embora; funde-se com a luz. Torna-se a luz.

Eu convidei meu convidado a sorrir. Meditar não significa lutar com um problema. Meditar significa observar. Seu sorriso prova isto. Prova que você está sendo suave com você mesmo, que o sol da consciência está brilhando em você, que você tem controle da situação. Você é você mesmo, e você adquiriu alguma paz. É esta paz que faz uma criança amar estar perto de você.

 

(Do livro “The sun my heart” – Thich Nhat Hanh)

(Traduzido por Leonardo Dobbin)

Retirado de http://sangavirtual.blogspot.com

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Algumas instruções para a prática da meditação

Publicado por educaçãoevida em Novembro 7, 2008

Por Thich Nhat Hanh

(texto retirado do livro “Para viver em paz. O milagre da mente alerta“, capítulo “O seixo”)

“Eu sei que (…) há muitos que podem sentar na posição de lótus completo, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda. Outros podem sentar em meio lótus, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita ou o pé direito sobre a coxa esquerda. Na nossa aula de meditação, em Paris, há pessoas que não conseguem sentar em nenhuma dessas posições e por isso ensino-lhes a maneira japonesa, ou seja, com os joelhos dobrados e o tronco apoiado sobre ambas as pernas. Pondo alguma espécie de acolchoado sob os pés, a pessoa pode facilmente permanecer nessa posição por hora ou hora e meia. Mas na verdade qualquer pessoa pode aprender a sentar em meio lótus, ainda que no início possa causar alguma dor. Gradualmente, após algumas semanas de treino, a posição se tornará confortável. No início, enquanto a dor ainda causar muito desconforto, a pessoa deve alterar a posição das pernas ou a posição de sentar. Para as posturas de lótus completo e meio lótus convém sentar-se sobre uma almofada, de forma a que os dois joelhos se apóiem contra o chão. Os três pontos de apoio dessa posição proporcionam uma grande estabilidade.

Mantenha as costas eretas. Isso é muito importante.

O pescoço e a cabeça devem ficar em alinhamento com a coluna.

A postura deve ser reta mas não rígida.

Mantenha os olhos semi-abertos, focalizados a uns dois metros à sua frente.

Mantenha leve sorriso.

Agora comece a seguir sua respiração e a relaxar todos os músculos. Concentre-se em manter sua coluna ereta e em seguir sua respiração. Solte-se quanto a tudo mais. Abandone-se inteiramente. Se quiser relaxar os músculos de seu rosto, contraídos pelas preocupações, medo e tristeza, deixe um leve sorriso aflorar em sua face. Quando o leve sorriso surge, todos os músculos faciais começam a relaxar. Quanto mais tempo o leve sorriso for mantido, melhor. É o mesmo sorriso que você vê na face de Buda, Quang.

À altura do ventre, pose sua mão esquerda com a palma voltada para cima sobre a palma da mão direita. Solte todos os músculos dos dedos, braços e pernas. Solte-se todo como as plantas aquáticas que flutuam na corrente, enquanto sob a superfície das águas o leito do rio permanece imóvel. Não se prenda a nada a não ser à respiração e ao leve sorriso.

Para os principiantes, convém não ficar sentado além de vinte ou trinta minutos. Durante esse tempo você tem que ser capaz de obter descanso total. A técnica para tal obtenção reside em duas coisas: observar e soltar, observar a respiração e soltar tudo mais. Solte cada músculo de seu corpo. Após uns quinze minutos, uma serenidade profunda poderá ser alcançada, enchendo-o interiormente de paz e contentamento. Mantenha-se nessa quietude.

Algumas pessoas encaram a meditação como uma labuta, desejando que o tempo passe rápido a fim de descansarem depois. Essas pessoas não aprenderam ainda o que é meditar. Se você sentar de forma correta, é possível encontrar total relaxamento e paz, exatamente nessa posição. Geralmente sugiro a essas pessoas que meditem tendo em mente a imagem de um seixo atirado ao rio.

Como usar a imagem do seixo? Sente-se na posição em que melhor se sentir, lótus completo ou meio lótus, com a coluna reta e leve sorriso nos lábios. Respire devagar e profundamente, acompanhando cada respiração, unificando-se com ela. Desligue-se de tudo. Imagine que você é um seixo atirado no rio. O seixo afunda na água, sem nenhum esforço. Desapegado de qualquer coisa, ele lentamente afunda pela mais curta distância, para atingir finalmente o fundo do rio, o ponto de descanso perfeito. Você, praticamente, é como o seixo que, desligando-se de tudo, deixou-se cair no rio. No centro de seu ser está sua respiração. Você não precisa saber quanto tempo leva até que possa alcançar o ponto do perfeito repouso, o leito de areia no fundo das águas. Quando você se sentir como o seixo que atingiu o fundo do rio, você terá alcançado o ponto em que encontrará seu perfeito repouso. Você não estará mais sendo empurrado ou puxado por nada.

Se você não conseguir encontrar paz e contentamento nesses momentos em que está sentado, então o futuro lhe escapará como um rio que passa, você não poderá fazê-lo voltar atrás, e será incapaz de viver o futuro quando ele tiver se transformado em presente. Toda a paz e contentamento possíveis são esses que surgem ao sentar-se. Se você não consegue encontrá-los aí, não os encontrará em nenhum outro lugar.

Não persiga seus pensamentos como a sombra que segue seu objeto. Não corra atrás de seus pensamentos. Não adie, seja capaz de encontrar paz e contentamento nesse exato momento em que está sentado. Esse é o seu tempo, esse lugar em que está sentado é o seu lugar. É nesse exato lugar, nesse exato momento, que você pode se tornar um Buda e não sob uma árvore especial em algum longínquo país.

O conforto que lhe proporciona o sentar-se depende de sua assiduidade na prática de manter a mente alerta na sua vida diária. Depende também se você senta ou não de acordo com as instruções. Uma hora de meditação por noite deveria ser organizada em cada comunidade. E às pessoas de fora, que quisessem participar, deveria ser dado o direito de sentarem também.

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Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia IV

Publicado por educaçãoevida em Outubro 9, 2008

Momento presente, momento maravilhoso

Em nossa sociedade atarefada, é uma grande ventura respirar conscientemente de vez em quando. Podemos praticar a respiração consciente não só sentados na sala de meditação, mas também enquanto trabalhamos no escritório ou em casa, enquanto dirigimos, ou quando estamos sentados no ônibus, onde quer que estejamos, a qualquer hora do dia.

Há uma infinidade de exercícios que podem nos ajudar a respirar conscientemente. Além do simples “Inspirando-Expirando”, podemos recitar em silêncio estas quatro linhas enquanto inspiramos e expiramos:

Inspirando, acalmo meu corpo. Expirando, sorrio.

Pousado no momento presente,

sei que este é um momento maravilhoso.

“Inspirando, acalmo meu corpo”. Recitar essa frase é como beber um copo de limonada gelada num dia de calor – dá para se sentir o frescor invadindo o corpo. Quando eu inspiro e digo esse verso, chego a sentir minha respiração acalmando meu corpo e minha mente.

“Expirando, sorrio”. Você sabe que um sorriso pode relaxar centenas de músculos no seu rosto. Sorrir é um sinal de que se tem domínio sobre si
mesmo.

“Pousado no momento presente”. Enquanto estou sentado aqui, não penso em mais nada. Estou sentado aqui e sei exatamente onde estou.

“Sei que este é um momento maravilhoso.” É uma alegria estar sentado, em conforto e segurança, e voltar para a respiração, para o sorriso, para a verdadeira natureza do eu. Nosso compromisso com a vida é no momento presente. Se não tivermos paz e alegria agora, quando as teremos? Amanhã, depois de amanhã? O que nos impede de sermos felizes neste exato momento? Enquanto prosseguimos com nossa respiração, podemos dizer simplesmente, “Acalmo, Sorrio, Momento presente, Momento maravilhoso.”

Esse exercício não é só para os iniciantes. Muitos de nós que praticamos a meditação e a respiração consciente há quarenta ou cinqüenta anos continuamos a praticar dessa forma, porque esse tipo de exercício é muito importante e muito fácil.

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Um vídeo sobre meditação pela National Geographic

Publicado por educaçãoevida em Julho 25, 2008

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Sem objetivo

Publicado por educaçãoevida em Junho 18, 2008

POR THICH NHAT HANH

No Ocidente, somos muito direcionados para os objetivos. Sabemos onde queremos ir e direcionamos nossas forças para chegar lá. Isso pode ser útil, mas muitas vezes nos esquecemos de apreciar também o caminho.

Existe no budismo uma palavra que significa “ausência de desejo” ou “ausência de objetivo”. A idéia consiste em você não colocar um alvo à sua frente e sair correndo atrás dele, porque tudo já está aqui em você mesmo. Enquanto praticamos a meditação andando, não tentamos chegar a lugar nenhum. Damos apenas passos felizes, serenos. Se não pararmos de pensar no futuro, no que queremos realizar, perderemos nossos passos. O mesmo vale para a meditação sentada. Nós sentamos só para apreciar o estar sentado. Não nos sentamos a fim de alcançar um objetivo. Isso é de importância vital. Cada momento da meditação sentada nos traz de volta à vida, e nós devemos nos sentar de forma tal que nos sintamos bem o tempo todo. Quer estejamos chupando uma tangerina, tomando uma xícara de chá, ou caminhando em meditação, deveríamos fazê-lo “sem objetivo”.

Muitas vezes dizemos a nós mesmos, “Não fique só aí sentado, faça alguma coisa!” Quando praticamos a plena consciência, porém, descobrimos algo inusitado. Descobrimos que o contrário pode ser ainda mais valioso: “Não fique aí fazendo alguma coisa. Sente-se!” Precisamos aprender a parar de vez em quando a fim de ver com nitidez. A princípio, “parar” pode parecer uma “resistência” à vida moderna, mas não se trata disso. “Parar” não é só uma reação; é um estilo de vida. A sobrevivência da humanidade depende de nossa capacidade de desacelerar. Temos mais de 50.000 bombas atômicas, e mesmo assim não conseguimos parar de fabricar mais. “Parar” não significa um basta ao que é negativo, mas também permitir que se realize uma cura positiva. É esse o propósito da nossa prática — não evitar a vida, mas experimentar e comprovar que a felicidade é possível agora e também no futuro.

A base da felicidade é a plena consciência. A condição fundamental para ser feliz é ter a consciência de que se é feliz. Se não percebermos que estamos felizes, não estaremos realmente felizes. Quando estamos com dor de dente, nos damos conta de que não ter dor de dente é maravilhoso. Mas, mesmo assim, não nos sentimos felizes quando estamos sem dor de dente. Esquecemos o quanto é agradável não ter dor de dente. Há tantas coisas que são agradáveis, mas que não sabemos apreciar se não praticamos a plena consciência. Quando estamos com a mente alerta, valorizamos essas coisas e aprendemos a protegê-las. Ao cuidar bem do momento presente, estamos cuidando bem do futuro. Trabalhar pela paz do futuro é trabalhar pela paz no momento presente.

Nossos sentimentos desempenham um papel muito importante por dirigirem todos os nossos pensamentos e ações. Existe em nós um rio de sentimentos, no qual cada gota d’água é um sentimento diferente e cada um depende de todos os outros para sua existência. Para observar esse rio, sentamo-nos à sua margem e identificamos cada sentimento à medida que ele vem à tona, passa por nós e desaparece.

Há três tipos de sentimentos — agradáveis, desagradáveis e neutros. Quando temos um sentimento desagradável, podemos querer afastá-lo. O mais eficaz é voltar à nossa respiração consciente e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio para nós mesmos. “Inspirando, sei que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, sei que há um sentimento desagradável em mim.” Chamar o sentimento pelo seu nome, “raiva”, “tristeza”, “alegria” ou “felicidade”, nos ajuda a identificá-lo com clareza e reconhecê-lo em maior profundidade.

Podemos usar nossa respiração para entrar em contato com nossos sentimentos e aceitá-los. Se nossa respiração for leve e tranqüila — resultado natural da respiração consciente — nossa mente e nosso corpo irão lentamente se tornando leves, tranqüilos e claros. E da mesma forma nossos sentimentos. A observação plenamente consciente se baseia no princípio da “não-dualidade”; nosso sentimento não está separado de nós nem foi causado apenas por algo externo a nós. Nosso sentimento é nosso eu, e temporariamente nós somos esse sentimento. Não submergimos nesse sentimento, nem nos aterrorizamos com ele, tampouco o rejeitamos. Nossa atitude de não nos agarrarmos aos nossos sentimentos e de tampouco rejeitá-los é a atitude de desapego, uma parte vital da prática da meditação.

Se encararmos nossos sentimentos desagradáveis com cuidado, afeição e não-violência, podemos transformá-los naquele tipo de energia que é saudável e que tem a capacidade de nos nutrir. Através da observação consciente, nossos sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores para nós, proporcionando-nos revelações e compreensão a respeito de nós mesmos e da nossa sociedade.

O primeiro passo ao lidar com os sentimentos é reconhecer cada sentimento no instante em que surge. O meio para isso é a plena consciência. No caso do medo, por exemplo, você recorre à plena consciência, olha para o medo e o reconhece como medo. Você sabe que o medo brotou de você mesmo e que a plena consciência também brotou de você mesmo. Os dois estão em você, não em luta, mas cuidando do outro.

O segundo passo consiste em se tornar uno com o sentimento. Melhor não dizer, “Vá embora, Medo. Não gosto de você. Você não é eu.” Muito mais eficaz é dizer, “Oi, Medo. Como é que você está hoje?” Em seguida, você pode estimular esses dois aspectos, a plena consciência e o medo, a se cumprimentarem como amigos e a se unirem. Isso pode parecer assustador, mas, como você já sabe que você é mais do que seu medo, não é preciso se amedrontar. Desde que sua mente esteja alerta, ele fará companhia ao seu medo. A prática fundamental é nutrir a plena consciência com a respiração consciente, para mantê-la alerta, cheia de vida e força. Embora no início sua plena consciência possa não ser muito potente, se você a alimentar, ela se tornará mais forte. Contanto que a sua consciência esteja plena e presente, você não será submerso pelo medo. Na realidade, você começará a transformá-lo no exato instante em que dentro de si der à luz a percepção.

O terceiro passo é o de acalmar o sentimento. Como a consciência plena está cuidando bem do seu medo, ele começa a acalmar-se. “Inspirando, acalmo as atividades do corpo e da mente.” Você acalma seu sentimento só por estar com ele, como uma mãe segurando ternamente o filhinho que chora. Ao sentir a ternura da mãe, o neném se acalma e pára de chorar. A mãe é a sua mente alerta, nascida das profundezas da sua consciência, e ela tratará do sentimento da dor. A mãe que segura o bebê forma uma unidade com ele. Se a mãe estiver pensando em outras coisas, a criancinha não se acalmará. A mãe tem de abandonar as outras coisas e apenas segurar seu filhinho. Por isso, não evite seu sentimento. Não diga, “Você não é importante. Você é só um sentimento.” Passe a formar uma unidade com ele. Você pode dizer, “Expirando, acalmo meu medo.”

O quarto passo é largar o sentimento, soltá-lo. Graças à sua calma, você está à vontade, mesmo em meio ao medo; e sabe que esse medo não vai crescer e se transformar em algo esmagador. Quando você se descobre capaz de tomar conta do seu medo, ele já está reduzido a um mínimo, tornando-se mais brando e menos desagradável. Agora você pode sorrir para ele e deixá-lo partir, mas por favor pare por aqui. Acalmar e largar um sentimento são apenas curas para os sintomas. Você agora tem a oportunidade de se aprofundar e trabalhar na transformação da raiz do seu medo.

O quinto passo é olhar profundamente. Você examina em profundidade o seu bebê — seu sentimento de medo — para ver o que está errado, mesmo depois que o bebê parou de chorar, mesmo depois que o medo se foi. É impossível segurar uma criança no colo o tempo todo. Por isso, você deve examiná-la para ver a causa do que está errado. Com esse exame, você será o que o ajudará a começar a transformar o sentimento. Você perceberá, por exemplo, que seu sofrimento tem muitas causas, intensas e externas ao seu corpo. Se há algo de errado em volta dele, se você conserta a situação, com carinho e cuidado, ele se sentirá melhor. Ao examinar seu bebê, você verá os elementos que o estão fazendo chorar. Ao vê-los, você saberá o que fazer e o que não fazer para transformar o sentimento e se sentir livre.

Esse processo é semelhante ao da psicoterapia. Em companhia do paciente, o terapeuta observa a natureza da dor. Muitas vezes, o terapeuta pode revelar causas de sofrimento que se originaram da forma pela qual o paciente encara a vida, das opiniões que ele tem sobre si mesmo, sobre a sua cultura e o mundo em geral. O terapeuta examina esses pontos de vista e essas opiniões com o paciente, e juntos eles colaboram para libertá-los daquele tipo de prisão em que estava. No entanto, o esforço do paciente é crucial. O professor deve trazer à luz o professor que existe dentro do aluno; e o psicoterapeuta deve trazer à luz o psicoterapeuta que há no íntimo do seu paciente. O “psicoterapeuta interno” do paciente poderá então trabalhar em tempo integral de uma forma muito eficaz.

O terapeuta não trata do paciente simplesmente lhe repassando um outro conjunto de opiniões. Ele tenta ajudar o paciente a perceber que tipos de idéias e de crenças causam o seu sofrimento. Muitos pacientes querem se ver livres dos sentimentos dolorosos, mas não querem se livrar das opiniões, dos pontos de vista que são as verdadeiras raízes dos seus sentimentos. Portanto, o terapeuta e o paciente têm que trabalhar juntos para ajudar o paciente a ver as coisas como elas são. O mesmo vale para quando recorrermos à plena consciência para transformar nossos sentimentos. Depois de reconhecermos o sentimento, de nos tornarmos unos com ele, de o acalmarmos o de o largarmos, podemos examinar suas causas em profundidade. Elas muitas vezes se baseiam em percepções incorretas. Assim que compreendemos as causas e a natureza dos nossos sentimentos, eles começam a se transformar.

(Do livro “Paz a cada passo” – Thich Nhat Hanh)

FONTE: http://sangavirtual.blogspot.com

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Zen para cristãos

Publicado por educaçãoevida em Maio 8, 2008

Do livro “Zen para cristãos. Guia para principiantes” de Kim Boykin, retiramos algumas partes que podem nos auxiliar a compreender como o Zen pode ser especialmente proveitoso para cristãos que querem enriquecer sua fé introduzindo na sua vida práticas meditativas, sem com isso comprometer suas crenças.

“Convite à Prática do Zen”

Zen para Cristãos é um guia para principiantes no Zen, escrito especialmente para cristãos. O livro entremeia instruções detalhadas sobre meditação zen, uma introdução aos ensinamentos do Zen e reflexões sobre o Zen em relação ao Cristianismo (…).

(…) “Zen para cristãos” não significa Zen adaptado para cristãos, do mesmo modo como “ioga para gravidez” significa ioga direcionada para mulheres grávidas. Neste livro, o Zen é o Zen puro e simples, mas apresentado especialmente para cristãos(…).

(…) Zen é um modo de libertação do sofrimento – tanto do sofrimento pessoal como do sofrimento que causamos aos outros. Zen é uma tradição prática e vivencial, centrada numa forma de meditação que pode ser praticada por pessoas de todas as religiões e também por aquelas que dizem não ter religião. A prática do Zen diz respeito à abertura de uma consciência compassiva a toda a realidade e à percepção de que a alegria e a liberdade a que aspiramos estão disponíveis aqui e agora, em meio ao caos, à dor e à confusão das nossas vidas.

Zen é um modo de desprendimento, em dois sentidos da palavra. Primeiro, é uma forma de experienciar diretamente o que o Budismo chama de “não-eu” – percebendo que a distinção entre “eu” e “não-eu” não é tão clara e definida como normalmente acreditamos que seja, e vivenciando a inter-conexão e interdependência de todas as coisas. Segundo, é um modo de desprendimento, de altruísmo, em oposição a egoísmo – uma maneira de ser útil em vez de prejudicial, uma atitude de compaixão por tudo e por todos, inclusive por nós mesmos. Essas duas formas de desprendimento estão ligadas. Quanto mais plenamente vivemos a realidade desde a perspectiva do não-eu, mais nos livramos da tirania de um “eu” ilusório e mais nos abrimos para uma vida de alegria e compaixão desapegadas.

(…) O monge trapista Thomas Merton diz que comparar o Zen com o Cristianismo é como comparar tênis com matemática. Penso que Zen e Cristianismo são mais semelhantes do que isso (…) mas eu diria que praticar o Zen sendo cristão é como jogar tênis sendo matemático. Se você é matemático e quer jogar tênis, você simplesmente continua sendo matemático e também joga tênis. Não há nenhum truque especial nisso. Você não precisa vestir bermudas e calçar tênis para fazer cálculos matemáticos, e também não precisa pensar em equações diferenciais enquanto joga tênis. Se você é cristão e quer praticar o Zen, simplesmente continue sendo cristão e também pratique o Zen.

Os cristãos descobriram que a prática do Zen pode ser um modo muito eficaz de alimentar a nossa capacidade de amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos, e a nossa capacidade de dizer a Deus, do fundo do coração e em qualquer circunstância, “Seja feita a vossa vontade” – a vossa vontade, não a minha. De modo particular, a prática do Zen pode ser uma força concreta que nos ajuda a ver e a rejeitar tudo o que se interpõe no caminho do amor a Deus e à sua criação e de abertura à vontade divina.

Naturalmente, a tradição cristã nos oferece as suas próprias práticas espirituais para nutrir a nossa capacidade de amar a Deus e a criação e para nos abrir à vontade de Deus. Neste livro, apenas ofereço o Zen como outra prática espiritual que você pode experimentar. Eu o convido a incorporar a prática zen à sua vida como cristão, à semelhança do que muitos outros cristãos, leigos e ordenados, protestantes e católicos, já fizeram.

Como o Zen é fundamentalmente uma prática – algo que você faz, algo que você vivencia – os seus aspectos essenciais não podem ser assimilados apenas lendo sobre ele. Nesse sentido, o Zen se assemelha a qualquer atividade que você aprende através da prática e da experiência, como jogar tênis, dirigir um carro ou fazer pão. Você pode obter informações úteis e interessantes lendo sobre ele, mas é entrando na quadra e rebatendo algumas bolas, entrando num carro e dirigindo, sovando a massa e deixando-a crescer que você aprende a fazer e entende realmente do que se trata.

Por isso, ler este livro é como ler um livro de culinária. As receitas estão no livro de culinária não apenas para ser lidas, mas para orientá-lo na preparação de algo para comer. Neste livro, as seções práticas são as receitas, e os capítulos ajudam a compreender melhor as receitas e a apreciar com mais satisfação os pratos (…).

Eu o convido a provar algumas receitas – não apenas a ler sobre sabores, texturas e aromas do Zen, mas a experimentá-Ias concretamente.

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A Paz é Cada Passo

Publicado por educaçãoevida em Março 29, 2008

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Não há necessidade para nós de lutar para chegar a um lugar. Sabemos que o nosso destino final é o cemitério. Por que ter pressa de chegar lá? Por que não marchar em direção à vida, que está no momento presente?
Quando fazemos meditação caminhando, mesmo que por poucos dias, sofremos uma profunda transformação e aprendemos a apreciar a paz a cada momento da nossa vida. Sorriremos e incontáveis bodhisattvas, através de todo o cosmos, sorrirão para nós, pelo fato de nossa paz ser tão profunda.
Tudo o que pensamos, sentimos e fazemos tem efeito sobre nossos antepassados e sobre todas as gerações futuras, repercutindo por todo o universo. Portanto o nosso sorriso ajuda a todos. (…) A paz é cada passo…

Thich Nhat Hanh – retirado do blog Interser…. Clique aqui para visitá-lo!

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O que é meditar?

Publicado por educaçãoevida em Setembro 1, 2007

“Ao contrário do que muitos pensam, meditar não é se sentar e ficar todo zen, alienado, tipo bonzinho o tempo todo.

Meditar não é estar alheio às injustiças sociais e ao desrespeito. É estar alerta no mundo, pronto para uma ação amorosa. É um árduo, disciplinado e diário caminho, que inclui estar atento e lúcido o tempo todo, conhecer e governar a mente, seja no trabalho, no lazer ou no trânsito louco.

É parar a mente, o diálogo interno e não se apegar a nenhum pensamento, deixá-lo fluir, para viver o presente integralmente.

Portanto, a meditação, prática tanto do budismo como da tradição cristã, é um antídoto a mais para combater a desarmonia, o desequilíbrio e outros males contemporâneos”.

Adaptado de: http://sangavirtual.blogspot.com

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Almofadas para meditação

Publicado por Hebert Sato em Março 22, 2006

 

 

Modelo 

Medidas

Zafu
 

  • Almofadas em algodão na cor preta e faixa branca (como modelo ao lado)
  • Altura aproximada de 19 cm;
  • Diâmetro: aproximado de 36 cm.
  • Preenchimento com algodão (peso aproximado 2 Kg)
  • PARA COMPRAR [CLIQUE AQUI]

 

 

 

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