Zen no Parque

A meditação ao alcance de todos.

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Arquivo da categoria ‘*Plena Atenção’

Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia V – a meditação andando

Publicado por educaçãoevida em Abril 2, 2009

 

A meditação andando

 Por Thich Nhat Hanh

 A meditação andando pode ser muito agradável. Caminhamos lentamente, sozinhos ou com amigos, se possível num belo local. A meditação andando tem como verdadeiro objetivo o prazer em caminhar – anda-se não para se chegar a algum lugar, mas só pelo andar. O propósito é o de se estar no momento presente, tendo plena consciência da respiração e da caminhada, e de se apreciar cada passo. Para isso, devemos nos livrar de todas as preocupações e ansiedades, não pensar no futuro, nem no passado, só vivendo o momento presente. Podemos andar de mãos dadas com uma criança. Caminhamos passo a passo como se fôssemos os seres mais felizes da Terra.

 Embora andemos o tempo todo, nosso andar se assemelha mais a uma corrida. Quando caminhamos assim, imprimimos ansiedade e tristeza na Terra. É preciso que andemos de forma tal que só deixemos paz e serenidade sobre a Terra. Podemos todos fazer isso desde que o desejemos muito. Qualquer criança consegue fazê-lo. Se podemos dar um passo assim, poderemos dar dois, três, quatro e cinco. Quando formos capazes de dar um passo cheio de paz e felicidade, estaremos trabalhando pela causa da paz e da felicidade de toda a humanidade. A meditação andando é uma prática maravilhosa.

 Quando fazemos meditação andando ao ar livre, caminhamos um pouco mais devagar do que nosso ritmo normal e coordenamos nossa respiração com nossos passos. Por exemplo, podemos dar três passos para cada inspiração e três passos para cada expiração. Podemos, então, dizer, “Inspirando. inspirando, inspirando. Expirando, expirando, expirando.” Dizer “Inspirando” serve para nos ajudar a identificar a inspiração. Sempre que chamamos algo pelo seu próprio nome, estamos tornando-o mais real, como quando dizemos o nome de um amigo.

 Se os seus pulmões preferem quatro passos em vez de três, dê-lhes quatro passos, por favor. Se eles querem apenas dois, dê-lhes dois. A dura­ção da sua inspiração e da sua expiração não tem de ser a mesma. E possível, por exemplo, que você dê três passos ao inspirar e quatro ao expirar. Se você se sentir feliz, sereno e alegre enquanto ca­minha, é porque está se exercitando corretamente.

 Esteja atento para o contato entre os seus pés e a Terra. Caminhe como se estivesse beijando a Terra com os pés. Já prejudicamos muito a Terra. Agora é a hora de cuidarmos bem dela. Trazemos nossa paz e nossa serenidade à superfície da Terra e compartilhamos a lição do amor. É tendo isso em mente que caminhamos. De quando em quando, ao ver algo bonito, podemos querer parar para contemplação de uma árvore, uma flor, crianças brincando. Enquanto olhamos, continuamos atentos à nossa respiração, para não sermos enredados por nossos pensamentos e assim perdermos a beleza da flor. Quando quisermos voltar a andar, é só começar de novo. Cada passo que dermos criará uma brisa fresca, renovando nosso corpo e nossa mente. Cada passo fará uma flor se abrir aos nossos pés. Isso só é possível se não pensarmos no futuro nem no passado, se soubermos que a vida só pode ser encontrada no momento presente. 

 

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Dicas para a meditação: nossa mente e o suco de maçã

Publicado por educaçãoevida em Novembro 20, 2008

 

Sol e Folhas Verdes

Por Thich Nhat Hanh

Hoje três crianças, duas meninas e um menino, vieram da aldeia para jogar com Thanh Thuy. Os quatro foram para a ladeira atrás de nossa casa, brincaram uma hora e voltaram para pedir algo para beber. Eu peguei a última garrafa de suco de maçã caseiro e dei a cada um copo cheio, servindo Thuy por último. Considerando que o suco dela era do fundo da garrafa, tinha alguma polpa. Quando ela notou as partículas, fez beicinho e recusou a beber. Assim as quatro crianças voltaram para as brincadeiras na ladeira, e Thuy não bebeu nada.

Meia hora depois, enquanto eu estava meditando em meu quarto, eu a ouvi chamando. Thuy quis um copo de água fria, mas mesmo na ponta dos pés ela não podia alcançar a torneira. Eu a lembrei do copo de suco na mesa e lhe pedi que bebesse aquele primeiro. Virando o olhar, ela viu que a polpa tinha assentado e o suco parecia claro e delicioso. Ela foi para a mesa e pegou o copo com ambas as mãos. Depois de beber a metade, ela colocou o copo sobre a mesa e perguntou, “Este é um copo diferente, Tio Monge?” (um termo comum que as crianças vietnamitas usam ao se dirigir a um monge mais velho.) “Não”, eu respondi. “É o mesmo que antes”. Ele sentou quietamente um pouquinho, “e agora está claro e delicioso.” Thuy olhou novamente para o copo. “Realmente é bom. Ele estava meditando como você, Tio Monge? ” Eu ri e bati levemente na cabeça dela. “Digamos que eu imito o suco de maçã quando eu sento; isso é mais próximo da verdade.”

Todas as noites na hora de dormir de Thuy, eu medito. Eu a deixo dormir no mesmo quarto, próximo de onde estou sentando. Nós concordamos que enquanto eu estiver sentando, ela irá para cama sem falar. Naquela atmosfera calma, o sono vem facilmente para ela dentro de 5 ou 10 minutos. Quando eu termino de sentar, eu a cubro com uma manta.

Thanh Thuy é filha das “pessoas de barco.” Ela não tem ainda 4 anos e meio. Cruzou os mares com o seu pai e chegou da Malásia em abril do ano passado. A mãe dela ficou no Vietnã. Quando o pai chegou aqui na França, deixou Thuy conosco durante vários meses enquanto foi para Paris procurar um trabalho. Eu lhe ensinei o alfabeto vietnamita e algumas baladas populares de nosso país. Ela é muito inteligente, e depois de duas semanas já soletra e lê lentamente “O Reino dos Bobos”, de Leo Tolstoy que eu traduzi do francês para o vietnamita.

Toda noite Thanh Thuy me vê sentar. Eu lhe falei que eu estou “sentando em meditação” sem explicar o que significa ou por que faço isto. Todas as noites quando ela me vê lavar minha face, vestir meus roupões, e acender um incenso para fazer o quarto ter uma boa fragrância, ela sabe que logo eu começarei a “meditar.” Ela também sabe que está na hora dela escovar os dentes, mudar os pijamas, e ir quietamente para cama. Eu nunca tive que a lembrar.

Sem dúvida, Thuy pensou que o suco de maçã estava sentando por um tempo para se clarear como o seu Tio Monge. “Ele estava meditando como você?” Eu penso que Thanh Thuy, apesar de não ter 4 anos e meio, entende o significado de meditação sem qualquer explicação. O suco de maçã ficou claro depois de descansar por algum tempo. Da mesma maneira, se nós descansarmos por algum tempo em meditação, também ficaremos claros. Esta claridade nos refresca e nos dá força e serenidade. Como nós nos sentimos refrescados, nossos ambientes também serão refrescados. Crianças gostam de estar perto de nós, não apenas para ganharem doces e ouvir histórias. Elas gostam de estar perto de nós porque podem sentir este “frescor.”

Hoje à noite um convidado veio. Eu enchi um copo do último do suco de maçã e pus na mesa no meio da sala de meditação. Thuy já tinha adormecido, e eu convidei meu amigo a sentar muito quietamente, como o suco de maçã.

Nós sentamos durante aproximadamente 40 minutos. Eu noto meu amigo sorrindo quando ele olha para o suco. Ficou muito claro. “E você, meu amigo, ficou? Até mesmo se você não se estabilizou tão completamente quanto o suco de maçã, você não sente um pouco menos agitado, menos irrequieto, menos perturbado? O sorriso em seus lábios ainda não enfraqueceu, mas eu penso que você duvida que se possa ficar tão claro quanto o suco de maçã, mesmo se nós continuarmos sentando por horas.

“O copo do suco tem uma base muito estável. Mas seu sentar não é tão firme. Esses pedaços minúsculos de polpa só têm que seguir as leis de natureza para cair suavemente para o fundo do copo. Mas seus pensamentos não obedecem nenhuma lei. Pelo contrário, eles zumbem febrilmente, como um enxame de abelhas, e assim você pensa que não pode se estabilizar como o suco de maçã. “Você me fala que as pessoas, seres vivos com capacidade de pensar e sentir, não podem ser comparados com um copo de suco”. Eu concordo, mas eu também sei que nós podemos fazer o que o suco de maçã fez, e mais. Nós podemos estar em paz, não só enquanto sentamos, mas também enquanto caminhamos e trabalhamos.

“Talvez você não acredite em mim, porque 40 minutos se passaram e você tentou tão duramente, mas não pôde alcançar a paz que desejou. Thuy está dormindo pacificamente, a respiração dela está clara. Por que nós não acendemos outra vela antes de continuar nossa conversa? ”

“A pequena Thuy dorme sem esforço. Você sabe essas noites quando sono foge, e quanto mais você tenta dormir menos pode. Você está tentando se forçar a estar calmo, e sente a resistência dentro de você. Este mesmo tipo de resistência é sentida por muitas pessoas durante a sua primeira experiência com meditação. Quanto mais eles tentam se acalmar, mais inquietos se tornam. Os vietnamita acham que isto é porque elas são vítimas de demônios ou karmas ruins, mas na realidade esta resistência nasce de nossos próprios esforços para ficar calmos. O próprio esforço se torna opressivo. Nossos pensamentos e sentimentos fluem como um rio. Se nós tentarmos parar o fluxo de um rio, conheceremos a resistência da água. É melhor fluir com ele, e então poderemos guiá-lo do modo que queremos. Nós não devemos tentar pará-lo.

“Lembre-se que o rio tem que fluir e que nós vamos segui-lo. Nós devemos estar atentos a todo pequeno regato que se une a ele. Nós devemos estar atentos a todos os pensamentos, sentimentos, e sensações que surgem dentro nós, ao seu nascimento, duração, e desaparecimento. Você vê? Agora a resistência começa a desaparecer. O rio de percepções ainda está fluindo, mas não mais na escuridão. Está fluindo agora na luz da consciência. Manter este sol sempre brilhando dentro de nós, iluminando cada regato, cada seixo, cada curva no rio, é a prática de meditação. Praticar meditação é, em primeiro lugar, observar e seguir estes detalhes”

“No momento da consciência sentimos que estamos no controle, embora o rio ainda esteja lá fluindo. Nós nos sentimos em paz, mas isto não é a ‘paz’ do suco de maçã. Estar em paz não significa que nossos pensamentos e sentimentos estão congelados. Estar em paz não é igual a estar anestesiado. Uma mente calma não quer dizer uma mente vazia de pensamentos, sensações e emoções. Uma mente calma não é uma mente ausente. Está claro que pensamentos e sentimentos sozinhos não constituem a totalidade de nosso ser. Fúria, ódio, vergonha, fé, dúvida, impaciência, desgosto, desejo, tristeza e angústia também são a mente. Esperança, inibição, intuição, instinto, as mentes subconscientes e inconscientes fazem igualmente parte do eu. (…)”

Meditadores iniciantes normalmente pensam que têm que suprimir todos os pensamentos e sentimentos (freqüentemente chamada de “falsa mente”) para criar condições favoráveis para concentração e entendimento (chamada “verdadeira mente”). Eles usam métodos como focalizar a sua atenção em um objeto ou contar as respirações para tentar impedir pensamentos e sentimentos. Concentrar em um objeto e contar a respiração são métodos excelentes, mas eles não deveriam ser usados para supressão ou repressão. Nós sabemos que assim que houver repressão, haverá rebelião. Repressão requer rebelião. Verdadeira mente e falsa mente são um. Negar uma é negar a outra. Suprimir uma é suprimir a outra. Nossa mente é nosso eu. Nós não podemos suprimi-la. Nós temos que tratá-la com respeito, com bondade e absolutamente sem violência. Considerando que nós nem mesmo sabemos o que é nosso “eu” é, como nós podemos saber se é verdadeira ou falsa, e se ou o que suprimir? A única coisa que podemos fazer é deixar a luz da consciência brilhar em nosso “eu” e iluminá-lo, assim podemos olhar diretamente para ele.

Da mesma maneira que flores e folhas são só partes de uma planta, e da mesma maneira que ondas são só parte do oceano, percepções, sentimentos e pensamentos são só parte do eu. Flores e folhas são uma manifestação natural de plantas, e ondas são uma expressão natural de oceanos. É inútil para tentar reprimi-los ou abafá-los. É impossível. Nós só podemos observá-los. Como eles existem, podemos achar a sua origem que é igual à nossa própria. O sol de consciência origina no coração do eu. Permite ao eu iluminar o eu. Não só ilumina todos os pensamentos e sentimentos presentes. Se ilumina também.

Vamos voltar ao suco de maçã, “descansando” quietamente. O rio de nossas percepções continua fluindo, mas agora, à luz da consciência, flui pacificamente, e nós estamos serenos. A relação entre o rio de percepções e o sol da consciência não é igual a de um rio real e o sol real. Se é meia-noite ou meio-dia, se o sol está ausente ou se seus raios penetrantes estão irradiando, as águas do Rio de Mississipi continuam fluindo, mais ou menos do mesmo modo. Mas quando o sol da consciência brilha no rio de nossas percepções, a mente é transformada. Rio e sol são da mesma natureza.

Vamos considerar a relação entre a cor das folhas e a luz solar que também têm a mesma natureza. À meia-noite, a luz estrelada e o luar revelam só a forma das árvores e folhas. Mas se o sol de repente brilhasse, a cor verde das folhas apareceria imediatamente. O verde tenro das folhas de abril existe porque a luz solar existe. (…)

Assim que o sol da consciência brilha, naquele mesmo momento uma grande mudança acontece. A meditação deixa o sol da consciência levantar facilmente, assim podemos ver mais claramente. Quando meditamos, parecemos ter dois egos. Um é o rio corrente de pensamentos e sentimentos, e o outro é o sol da consciência que brilha neles. Qual deles é nosso eu? Qual é o verdadeiro? Qual é o falso? Qual é bom? Qual é ruim? Por favor tranqüilize-se, meu amigo. Abaixe sua espada afiada de pensamento conceitual. Não tenha pressa de cortar seu “eu” em dois. Ambos são eu. Nenhum é verdadeiro. Nenhum é falso. Eles são ambos verdadeiros e ambos falsos.

Nós sabemos que luz e cor não são fenômenos separados. Da mesma maneira, o sol do eu e o rio do eu não são diferentes. Sente comigo, deixe um sorriso se formar em seus lábios, deixe seu sol brilhar, feche seus olhos, se for necessário para ver seu eu mais claramente. Seu sol da consciência é apenas parte do rio do seu eu, não é? Segue as mesmas leis de todos os fenômenos psicológicos: surge e desaparece. Para examinar algo com um microscópio, um cientista tem que iluminar o objeto a ser observado. Para observar o eu, você tem que ilumina-lo também a luz de consciência. (…)

Observe as mudanças que acontecem em sua mente sob a luz da consciência. Até mesmo sua respiração mudou e se tornou “não-duas” (eu não quero dizer “uma”) com seu eu que observa. Isto também é verdade para seus pensamentos e sentimentos que, junto com os seus efeitos, são transformados de repente. Quando você não tentar julgá-los ou suprimi-los, eles se entrelaçarão com a mente observadora.

De vez em quando você pode ficar inquieto, e a inquietude não irá embora. Nestas ocasiões, apenas se sente quietamente, siga sua respiração, sorria um meio sorriso, e brilhe sua consciência na inquietude. Não julgue ou tenta destruí-la, porque esta inquietude é você. Nasce, tem algum período de existência, e diminui, bastante naturalmente.

Não tenha grande pressa em achar sua origem. Não se esforce demais para fazê-la desaparecer. Apenas a ilumine. Você verá que mudará pouco a pouco, se fundindo, ficando conectada com você, o observador. Qualquer estado psicológico que você sujeite a esta iluminação suavizará e adquirirá a mesma natureza da mente observadora.

Ao longo de sua meditação, mantenha o sol de sua consciência brilhando. Como o sol físico que ilumina toda folha e toda grama, nossa consciência ilumina todos os nossos pensamentos e sentimentos, nos permitindo reconhecê-los, ficar atentos ao seu nascimento, duração, e dissolução, sem os julgar ou avaliar, dando boas-vindas ou os banindo. É importante que você não considere que consciência é seu “aliado”, chamada para suprimir os “inimigos” que são seus pensamentos incontroláveis. Não transforme sua mente em um campo de batalha. Não tenha uma guerra nela; porque todos os seus sentimentos – alegria, tristeza, raiva, ódio – são parte de você. Consciência é como um irmão mais velho, gentil e atento, que está lá para guiar e iluminar. É uma presença tolerante e lúcida, nunca violenta ou discriminadora. Está lá para reconhecer e identificar pensamentos e sentimentos, não para julgá-los como bons ou ruins, ou colocá-los em acampamentos adversários para lutarem entre si. A oposição entre bom e mal é comparada freqüentemente com luz e escuridão, mas se nós olharmos para isto de um modo diferente, veremos que quando a luz brilha, a escuridão não desaparece. Não vai embora; funde-se com a luz. Torna-se a luz.

Eu convidei meu convidado a sorrir. Meditar não significa lutar com um problema. Meditar significa observar. Seu sorriso prova isto. Prova que você está sendo suave com você mesmo, que o sol da consciência está brilhando em você, que você tem controle da situação. Você é você mesmo, e você adquiriu alguma paz. É esta paz que faz uma criança amar estar perto de você.

 

(Do livro “The sun my heart” – Thich Nhat Hanh)

(Traduzido por Leonardo Dobbin)

Retirado de http://sangavirtual.blogspot.com

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Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia IV

Publicado por educaçãoevida em Outubro 9, 2008

Momento presente, momento maravilhoso

Em nossa sociedade atarefada, é uma grande ventura respirar conscientemente de vez em quando. Podemos praticar a respiração consciente não só sentados na sala de meditação, mas também enquanto trabalhamos no escritório ou em casa, enquanto dirigimos, ou quando estamos sentados no ônibus, onde quer que estejamos, a qualquer hora do dia.

Há uma infinidade de exercícios que podem nos ajudar a respirar conscientemente. Além do simples “Inspirando-Expirando”, podemos recitar em silêncio estas quatro linhas enquanto inspiramos e expiramos:

Inspirando, acalmo meu corpo. Expirando, sorrio.

Pousado no momento presente,

sei que este é um momento maravilhoso.

“Inspirando, acalmo meu corpo”. Recitar essa frase é como beber um copo de limonada gelada num dia de calor – dá para se sentir o frescor invadindo o corpo. Quando eu inspiro e digo esse verso, chego a sentir minha respiração acalmando meu corpo e minha mente.

“Expirando, sorrio”. Você sabe que um sorriso pode relaxar centenas de músculos no seu rosto. Sorrir é um sinal de que se tem domínio sobre si
mesmo.

“Pousado no momento presente”. Enquanto estou sentado aqui, não penso em mais nada. Estou sentado aqui e sei exatamente onde estou.

“Sei que este é um momento maravilhoso.” É uma alegria estar sentado, em conforto e segurança, e voltar para a respiração, para o sorriso, para a verdadeira natureza do eu. Nosso compromisso com a vida é no momento presente. Se não tivermos paz e alegria agora, quando as teremos? Amanhã, depois de amanhã? O que nos impede de sermos felizes neste exato momento? Enquanto prosseguimos com nossa respiração, podemos dizer simplesmente, “Acalmo, Sorrio, Momento presente, Momento maravilhoso.”

Esse exercício não é só para os iniciantes. Muitos de nós que praticamos a meditação e a respiração consciente há quarenta ou cinqüenta anos continuamos a praticar dessa forma, porque esse tipo de exercício é muito importante e muito fácil.

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Dê férias para sua alma

Publicado por educaçãoevida em Agosto 27, 2008

mai 2002

Leia, respire, medite. No sul da França, um mosteiro budista mostra como a vida pode ser mais simples

Ruth de Aquino, de Paris

Era uma viagem de alto risco. Nunca tinha lido nada sobre Budismo. O máximo que eu tinha me permitido na linha do esoterismo era fazer meu mapa astral. Cultura oriental, para mim, se resumia a shiatsu e sushis. Agora, iria passar alguns dias num retiro em Plum Village (Vila das Ameixas), na Dordogne, sul da França. O objetivo era escrever uma reportagem sobre o fundador da Igreja Budista Unificada, Thich Nhat Hanh, o mestre zen vietnamita que, em 1967, foi indicado por Martin Luther King para ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Decidi levar para o retiro meus dois filhos, que me visitavam em Paris. Bruno, 19 anos, e Pedro, 14, são cariocas, surfistas, amam a praia. Era um verão chuvoso. No site de Plum Village, percebi que a viagem não prometia descanso. Eu teria que acordar às cinco e meia da manhã para meditar em jejum. Passaria os dias em palestras, caminhadas e sessões de meditação. Iria trabalhar em grupo – cortar legumes e verduras, limpar a cozinha, lavar louça.

Meditação, trabalho e chuva no campo, junto com os filhos, nas férias escolares? Não parecia muito inteligente. Afinal, em nossa última aventura, tínhamos mergulhado em Fernando de Noronha. Para conhecer Plum Village em família, a hora certa é o verão europeu, quando os lótus florescem, há adolescentes e o tempo ajuda. Quem sabe, aprenderíamos outro tipo de “mergulho”? O que era para ser uma reportagem virou uma revelação. Para nós três.

Thich Nhat Hanh é pequeno, a testa lisa, careca como todos os monges. Tem 74 anos, mas o rosto jovem e seu humor simples atraem as crianças, que sempre o rodeiam nas caminhadas em Plum Village. Thich significa “mestre” e é assim que ele é conhecido. (Algumas de suas frases estão reproduzidas ao longo desta matéria.) Exilou-se na França nos anos 60, depois de dar uma palestra pacifista nos Estados Unidos e ser proibido de voltar ao Vietnã. Na maior parte do ano, viaja. Dá palestras na Alemanha, na França, no Brasil. Produz retiros especiais na França para executivos, psicanalistas, presidiários e refugiados vietnamitas. É escritor, jardineiro, professor, ativista da paz. No Retiro do Verão, em julho, recebe 1 600 pessoas de cerca de 15 países em Plum Village, comunidade que fundou há quase 20 anos.

Fala e anda devagar, e repete sem cansar seus ensinamentos. Tay, como o monge é chamado, tenta ensinar gente de todas as idades a respirar direito e a aproveitar o momento presente. É o princípio de tudo. Parece pouco? Não é.

O exercício de paciência começa na inscrição. Telefonar para os monges, só das 9 às 10h30 e das 16 às 17 horas, às terças, quartas, sextas e sábados. E, mesmo assim, quase não respondem. Você não entende como uma Igreja Budista com sucursais no Canadá, Estados Unidos e Europa possa ser tão “desorganizada”. Só mais tarde fica claro que se trata de um sutra ou um ensinamento para a arte da paciência. É possível, sim, fazer a inscrição pelo site, mas o período mínimo que a comunidade aceita é uma semana, em casos raros três ou quatro dias. Os retiros duram normalmente um mês e o de inverno é para os residentes e os monges. Um mês é o tempo ideal, segundo os monges. Mas, se você aprender de cara duas lições – concentrar-se em cada coisa que estiver fazendo e controlar a respiração, a emoção e o silêncio –, terá aprendido muito.

O trem barulhento que cobre os 85 quilômetros de Bordeaux à minúscula estação de Sainte Foy la Grande já é uma experiência. Parece uma viagem aos anos 70. Batas, mochilas, cabelos longos, vestidos inocentes, botas, uma moda romântica e desleixada. É fácil identificar quem vai para o retiro. Os iniciados têm o ar desligado, os modos gentis, e sorriem por nada. São sete núcleos em Plum Village, distantes alguns quilômetros entre si. Da estação de trem, 20 a 30 minutos de carro para o núcleo mais próximo. Eu já tinha sido informada por telefone (depois de inúmeras tentativas), que alguém iria nos pegar na estação, mas que precisaria chegar na quarta-feira. É o dia da chegada, quando as discussões, à noite, se dedicam aos novatos, aos iniciantes. Na porta da estação, nos aguardavam algumas caminhonetes, com os monges-motoristas. Os grupos chegam sem saber para onde vão, fazem muitas perguntas, os monges falam pouco, sorriem, e confirmo que treinar a paciência será realmente um dos requisitos.

Chegamos ao núcleo principal, Upper Hamlet, onde vou fazer o registro formal com meus filhos. Chove. Uma sala de 26 metros quadrados, onde se entra sem sapatos, e onde se empilham alguns monges e três terminais de computador. Só um dos monges, o irmão Ananda, é bom no computador. Primeiro choque cultural: eles não aceitam cartões de crédito ou de banco e eu não tinha levado dinheiro. Mas nos aceitam em confiança. Tudo continua parecendo desorganizado. Não temos a menor idéia do que esperam de nós ou do que vamos fazer. Antes do jantar, alguém nos leva a um núcleo recém-aberto, West Hamlet, isolado, que se resume a umas casas de pedra no meio do campo, e vinhedos a perder de vista. Bruno, Pedro e eu ficamos sem fôlego com a calma e a beleza. Somos levados a um quarto com parca iluminação, três camas, um banheiro. Roupa de cama limpa. Quem cuida desse núcleo é um casal de budistas. Moram ali. Cresceram juntos, eram vizinhos na Austrália.

Como somos uma família de novatos, eles explicam que o silêncio será apreciado. Em alguns períodos – no café da manhã, nos primeiros 15 minutos de cada refeição e à noite –, o silêncio deve ser total, ou seja, nem conversa sussurrada. Nada é imposto, nem o programa de meditação e discussões. Faz quem quer.

Para quem nunca entrou numa comunidade dessas, a primeira sensação é de estranheza. De repente, toca o telefone, e todos, inclusive as crianças, param o que estão fazendo, se calam e aguardam o terceiro toque. Só depois voltam ao “normal”. O mesmo acontece com três badaladas do sino, ou três toques do relógio. Os gestos, os talheres e as palavras suspensos no ar. O ritmo da cidade grande fica longe. Os passos rápidos parecem deslocados numa comunidade em que todos andam devagar. Fica evidente como as pessoas se deixam influenciar pelo ambiente. Imaginar que aquele ali ao lado falando baixo e sorrindo com delicadeza, dividindo trabalhos e se comportando educadamente, pode estar, de volta ao seu cotidiano, brigando… Para quem não sabe, é a tal “energia negativa do hábito” (vasana, em sânscrito) que nos leva a fazer e a dizer coisas que não queremos e que provocam mal-estar em todos.

Fumo, carne e álcool são vetados. Pede-se que se evite sexo durante os retiros. Mas a corrente de Thich Nhat Hanh é bem menos rigorosa que várias outras comunidades budistas, como a tibetana, por exemplo. No “dia da preguiça” em Plum Village, um dia por semana em que não há atividades programadas, pede-se que se “resista à tentação de ir à cidade”. Os monges acham que sair no meio do retiro quebra o processo mental de conscientização. As dicas são passeios nos lagos, nas trilhas, nos vinhedos. Ninguém fica ali “preso”. E há quem realmente não se habitua só à comida vegetariana e fica doido para sair e comer um hambúrguer. Esse pega o carro ou uma carona e vai à cidade. Ninguém é punido.

Há uma organização natural e simples, na qual você se encaixa sem perceber. Cada visitante é destinado a uma “família” de umas 12, 15 pessoas. A nossa era a Dandelion (dente de leão). Se faz sol, pode ser embaixo da árvore, em bancos de madeira. Se chove, vai-se para o templo principal ou um dos abrigos. Quem já fez terapia de grupo sabe que, dependendo de quem está ali, o papo pode ser aborrecido ou interessante. Holandeses, franceses, suecos, italianos, cada um com suas angústias. A holandesa, linda, tinha vergonha de ser modelo. O americano, pouco mais de 20 anos, decidira doar tudo e ir morar em Plum Village. O monge que coordenava as discussões sempre destacava um dos temas que o Tay tivesse abordado pela manhã.

Não é um spa. Mesmo no verão, acordar às cinco e meia da manhã é um desafio. Escuro, frio. Pedro, nos seus 14 anos, nem tentava. Eu e meu filho mais velho ouvíamos o sino, levantávamos e, agasalhados, andávamos cinco minutos até o pequeno templo de meditação local de West Hamlet, iluminado com um lampião. Em jejum, sem conversar. Tirávamos os sapatos, escolhíamos o melhor suporte, almofadas ou banquinhos de madeira, nos sentávamos em posição de lótus ou nos ajoelhávamos para meditar, costas eretas, olhos fechados. Mas, de preferência, sempre sem esforço, sem sacrifício. Meditar é não pensar. Ou então, nas meditações guiadas, refletir sobre alguns sentimentos, guiados pelo mestre. Bruno e eu jamais tínhamos meditado. Foi uma experiência curta mas intensa. “Despertar” dessa meditação e sair do templo com o dia clareando, o ar puro de doer nas narinas, sempre em silêncio, dá uma sensação de flutuar no tempo e no espaço. Acordávamos Pedro e íamos tomar o café. Pão integral, cereais, iogurte, tudo saudável.

De carona com um espanhol que vai todos os anos a Plum Village, íamos para o núcleo principal, Upper Hamlet, passando por colinas e vales. E prosseguíamos com o programa: às 8h30, palestra do Tay, para a qual vêm todos os que estão hospedados nos sete núcleos. Ele fala em inglês, francês ou vietnamita, dependendo da ocasião. Há traduções simultâneas em várias línguas, como espanhol, italiano e outras. Tay ensina como controlar a raiva, no trabalho e na família. Como resistir ao consumismo. Seja qual for o assunto, o objetivo é que as pessoas ali, em Plum Village, voltem ao mundo “lá fora” dispostas a buscar o equilíbrio. Tay convoca aleatoriamente um homem, uma mulher e duas crianças na platéia para que representem uma família. Cada um tem que expressar suas queixas para com o comportamento do outro. Os problemas são tão conhecidos por quem já experimentou o casamento! O “casal” tem que chegar a um consenso. As crianças entram no jogo, aconselhando os pais a dar mais tempo a elas.

Depois da palestra, passa-se a uma caminhada lenta e silenciosa. A flor de lótus parece extraterrena, imensa e alta, nascendo da água como uma vitória-régia, de vários tons de rosa, com uma corola verde e estranha. Esse exercício de se concentrar no presente, somado ao hábito de sorrir para desconhecidos, transforma sua relação com o mundo. Qualquer pessoa de fora terá a impressão de testemunhar uma cerimônia em que todos estão drogados. Deslizam, não caminham. O tempo ganha outra dimensão.

Às 13 horas, almoço. No refeitório repleto, o ruído é apenas dos talheres e das crianças menores. Nos primeiros 15 minutos de refeição, ninguém conversa. É artificial? Muito. Mas é uma disciplina com a qual a gente se acostuma, especialmente quando lembra que não vai ser assim para sempre. Às vezes, no mundo normal, fora de Plum Village, também é duro comer com alguém falando bobagem ao seu lado. Ou comer discutindo. Ou trabalhar comendo. Tudo isso é pouco saudável, mas muito freqüente, todos sabemos.

No retiro, lava-se a própria louça, em tendas abertas fora do refeitório. À tarde, faz-se working meditation, o trabalho em grupo, em sistema de rodízio entre as “famílias”. Quem cozinha mesmo são os monges e os residentes, mas os “hóspedes” como nós ajudam a cortar legumes, verduras e a limpar a cozinha – uma tarefa e tanto. Às 16h30, é hora da conversa com a “família”. Às 18h15, o jantar. Depois, uma hora de “meditação sentada” no templo principal de Upper Hamlet. E, às 22h15, vai-se dormir. Da meditação noturna até o fim do café da manhã no dia seguinte pede-se que todos respeitem o noble silence – silêncio nobre. Uma forma de não incomodar os outros e dormir em total sossego.

Esse programa não precisa ser seguido religiosamente. Como nossa temporada seria curta, eu e Bruno cumprimos todas as etapas. À noite, eu ficava exausta. Pedro pegava mais leve. Ouvia as palestras, aprendia os cânticos, discutia com a “família”, mas escapava em programas diferentes com os outros adolescentes. Quem tem menos de 15 anos vai, na primeira noite, para a “sala de transformação”. Pedro estava meio assustado. Brincávamos dizendo que ele iria sair da sala careca e de bata. Claro que não foi isso. Mas, mesmo assim, ficou surpreso com Plum Village.

Quando a chuva forte impedia a caminhada diária, Tay ia para a “sala de transformação” e contava histórias para as crianças e seus pais, junto à figura do Buda. Explicava que Buda não era um deus, mas sim um homem que encontrou o caminho da compreensão. Dharma significa o caminho. Sangha é a comunidade, os homens e mulheres que se engajam na plena consciência. E a plena consciência (chánh niêm, em vietnamita) é o contrário do esquecimento e da alienação. As lições são os sutras. E os exercícios mais importantes são os da respiração consciente para administrar as dificuldades do dia-a-dia.

Tay jardinava quando um jornalista lhe perguntou por que desperdiçava tempo plantando alface, quando poderia estar escrevendo livros ou dando palestras. “Se eu parar de plantar alface, não consigo mais escrever”, respondeu Tay. O maior desafio de Plum Village está fora dos limites daquela área verde. Despejar de volta na correria, na poluição, na briga pela sobrevivência dos centros urbanos, um exército de pessoas que consigam manter a tolerância, a saúde e a lealdade acima das divergências. Nos últimos três anos, 218 373 pessoas fizeram retiros em Plum Village. A maioria volta e leva amigos, filhos e namorados. Para uma experiência quase impossível de descrever numa reportagem…

Para saber mais

Na internet

www.plumvillage.org

www.bouddharama.com

www.zen-deshimaru.com

“Em Plum Village, as pessoas falam e andam devagar. A gente aprende a respirar direito e a aproveitar o momento. Parece pouco. Mas não é”

A flor de lótus (acima) faz parte da paisagem. Longas caminhadas diárias compõem o cotidiano daqueles que desejam fugir da paranóia urbana

O clima de serenidade e as instalações simples garantem aos visitantes de Plum Village momentos de paz e de contato com a natureza do sul da França

“O sorriso deve ser uma prática, especialmente nos momentos difíceis”

“Quando aprendermos a entrar em contato com a paz, estaremos curados. Não é uma questão de fé, é uma questão de prática”

“O futuro é composto de uma única substância chamada presente”

“Existe uma montanha dentro de você. Você é mais sólido e alegre do que pensa”

Nos ônibus parisienses um anúncio ensina: “Saiba como se tornar zen: basta comprar o passe anual de transporte público e seu estresse acaba”. Claro que o conceito histórico do zen é mais profundo. Mas o que nós, ocidentais do século 21, chamamos de zen tem semelhanças com essa filosofia que nasceu antes de Cristo e muito antes do próprio Buda: a paz de espírito. A primeira definição de zen foi encontrada num texto chinês do século 10 a.C. A palavra zen é japonesa, e sua origem é um ideograma chinês, o tch’na ou chana, que significa “absorção”. Os japoneses conseguiam ler os ideogramas chineses mas pronunciavam de forma diferente. Há 2 600 anos, quando Buda transformou o conceito em filosofia, sua língua era o pali: nesse idioma, o ideograma chinês foi transcrito como jhana. Chana, jhana ou zen, tudo quer dizer “absorção”.

Ao longo dos séculos, os mestres transmitiram os ensinamentos sem interrupção a seus discípulos, e o Zen tornou-se uma importante escola do Budismo, que alia a filosofia e a psicologia à sua principal prática: a meditação sentada. O Zen tem duas correntes principais: Soto e Rinzai. O Zen é a prática do zazen, a meditação. Mas nem todos os budistas compartilham o mesmo conceito sobre meditação. Há práticas mais rígidas, que a corrente vietnamita de Tich Nhat Hanh compara a “árvores secas, sem alma, nem alegria, destinadas a destruir todos os tipos de desejo”. Aos novatos, o mestre recomenda o método do “reconhecimento puro”, sem julgamento: que se medite acolhendo da mesma forma sentimentos de compaixão ou cólera. O objetivo é que uma hora de meditação por dia, por exemplo, valha por 24 horas. Foi na posição de lótus que, diz a história, o Buda alcançou a luz ou o despertar há 2 600 anos.

Mas essa postura de êxtase (ekstasis, no qual eks significa fora, além, e stasis, imobilidade, substância), com as costas retas, o tórax levemente para a frente, o olhar para a frente, o corpo sem tensão e as pernas cruzadas em forma de lótus ou semi-lótus, já existia na pré-história, de acordo com os arqueólogos. Na Irlanda, na Grécia, na Índia, descobertas de figuras esculpidas, estátuas e esqueletos em posição de zazen mostram que 11 000 anos antes de Cristo essa postura já era conhecida. Muito antes de Buda, o deus da ioga e da dança, Siva, também estava sentado na postura zazen embaixo de uma figueira. No Ocidente, Zen virou sinônimo de exótico. Popularizado nas artes marciais, na cerimônia do chá ou nos arranjos florais orientais, acabou perdendo um pouco a força do seu significado original. Segundo o historiador D.T. Suzuki, o princípio do Zen é wu-nien, o não-mental, a inconsciência.

Para o fundador do Zen como prática budista, Boddhidarma, no século 6 a.C., o que se busca é ”o vácuo, a paz, o abissal”. Guy Massat, monge ligado ao mestre Deshimaru, analisou as relações entre o Zen e a psicanálise. A seu ver, o psicanalista francês Jacques Lacan, ao usar enigmas, aproximou as duas práticas. O antropólogo Claude Lévi-Strauss identificava Lacan como um mestre Zen leigo. Ao estudar o chinês antigo, Lacan escreveu que “o melhor do Budismo é o Zen, quando as pessoas querem sair naturalmente do seu ‘inferno’ íntimo (infernal affaire), como diz Freud.” Para o monge Massat, ao criar as “não-sessões”, o que Lacan fazia era exatamente integrar psicanálise e Zen: “A interpretação analítica, como o Zen, não se destina a ser compreendida, mas, como diz Lacan, a criar ondas”.

Thich Nhat Hanh decidiu entrar para um mosteiro aos 16 anos e publicou seu primeiro livro aos 20, Um Budismo Para Hoje. Ainda no Vietnã, optara por dedicar sua vida a ajudar os outros. Por isso, é considerado um vanguardista do Budismo “socialmente engajado”. Criou, em Saigon, a Universidade Van Hanh, em barracos insalubres. Em 1961, foi para os Estados Unidos ensinar religião comparada nas universidades de Columbia e Princeton. Dois anos depois, com a guerra civil no Vietnã, fundou em seu país a Escola dos Jovens inspirado pelo movimento de Gandhi, na Índia. Queria inculcar na juventude o desejo de intervir por uma sociedade mais justa. Durante a Guerra do Vietnã, trabalhou pela paz reconstruindo aldeias. Foi aos EUA, onde discursou em favor da paz e acabou impedido de voltar ao Vietnã.

Fundou a Igreja Budista Unificada já exilado na França, em 1969, mas a comunidade de Plum Village, a quatro horas de Paris, só foi criada em 1982. Hoje, 75 de seus livros são editados em inglês, muitos traduzidos para o português. Na Califórnia e no Canadá, adeptos de Thich fundaram mosteiros com a mesma filosofia da plena consciência.

Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_236522.shtml

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Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia III

Publicado por educaçãoevida em Julho 2, 2008

Respiração consciente

Thich Nhat Hanh

Há uma série de técnicas de respiração que po­dem ser usadas para tornar a vida mais intensa e agradável. O primeiro exercício é muito simples. Enquanto inspira, você diz para si mesmo, “Ins­pirando, sei que estou inspirando”. E enquanto expira, diga, “Expirando, sei que estou expiran­do”. Só isso. Você reconhece sua inspiração como uma inspiração e sua expiração como uma expira­ção. Não é nem necessário recitar a frase inteira. Você pode usar apenas uma palavra de cada vez:

“Inspirando” e “Expirando’ ‘. Essa técnica pode ajudá-lo a manter seu pensamento na respiração. Enquanto realiza o exercício, sua respiração irá se tornar calma e suave, e sua mente e seu corpo tam­bém irão adquirir calma e suavidade. Esse exercí­cio não é difícil. Em apenas alguns minutos você perceberá os frutos da meditação.

Inspirar e expirar são atividades importantes e agradáveis. Nossa respiração é o elo entre nosso corpo e nossa mente. As vezes pode ocorrer que nossa mente esteja ocupada com uma coisa e nos­so corpo com outra; com isso a mente e o corpo estejam desunidos. Quando nos concentramos em nossa respiração, “Inspirando” e “Expirando”, reunimos novamente a mente e o corpo, tornando-­nos inteiros de novo. A respiração consciente é uma ponte de grande importância.

Para mim, a respiração é uma alegria imper­dível. Todos os dias, pratico a respiração consciente e na minha salinha de meditação escrevi esta frase:

“Respire, você está vivo!” Só a respiração e o sor­riso já podem nos fazer muito felizes, porque, quando respiramos conscientemente, conseguimos nos recuperar por inteiro e encarar a vida no mo­mento presente.

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Sem objetivo

Publicado por educaçãoevida em Junho 18, 2008

POR THICH NHAT HANH

No Ocidente, somos muito direcionados para os objetivos. Sabemos onde queremos ir e direcionamos nossas forças para chegar lá. Isso pode ser útil, mas muitas vezes nos esquecemos de apreciar também o caminho.

Existe no budismo uma palavra que significa “ausência de desejo” ou “ausência de objetivo”. A idéia consiste em você não colocar um alvo à sua frente e sair correndo atrás dele, porque tudo já está aqui em você mesmo. Enquanto praticamos a meditação andando, não tentamos chegar a lugar nenhum. Damos apenas passos felizes, serenos. Se não pararmos de pensar no futuro, no que queremos realizar, perderemos nossos passos. O mesmo vale para a meditação sentada. Nós sentamos só para apreciar o estar sentado. Não nos sentamos a fim de alcançar um objetivo. Isso é de importância vital. Cada momento da meditação sentada nos traz de volta à vida, e nós devemos nos sentar de forma tal que nos sintamos bem o tempo todo. Quer estejamos chupando uma tangerina, tomando uma xícara de chá, ou caminhando em meditação, deveríamos fazê-lo “sem objetivo”.

Muitas vezes dizemos a nós mesmos, “Não fique só aí sentado, faça alguma coisa!” Quando praticamos a plena consciência, porém, descobrimos algo inusitado. Descobrimos que o contrário pode ser ainda mais valioso: “Não fique aí fazendo alguma coisa. Sente-se!” Precisamos aprender a parar de vez em quando a fim de ver com nitidez. A princípio, “parar” pode parecer uma “resistência” à vida moderna, mas não se trata disso. “Parar” não é só uma reação; é um estilo de vida. A sobrevivência da humanidade depende de nossa capacidade de desacelerar. Temos mais de 50.000 bombas atômicas, e mesmo assim não conseguimos parar de fabricar mais. “Parar” não significa um basta ao que é negativo, mas também permitir que se realize uma cura positiva. É esse o propósito da nossa prática — não evitar a vida, mas experimentar e comprovar que a felicidade é possível agora e também no futuro.

A base da felicidade é a plena consciência. A condição fundamental para ser feliz é ter a consciência de que se é feliz. Se não percebermos que estamos felizes, não estaremos realmente felizes. Quando estamos com dor de dente, nos damos conta de que não ter dor de dente é maravilhoso. Mas, mesmo assim, não nos sentimos felizes quando estamos sem dor de dente. Esquecemos o quanto é agradável não ter dor de dente. Há tantas coisas que são agradáveis, mas que não sabemos apreciar se não praticamos a plena consciência. Quando estamos com a mente alerta, valorizamos essas coisas e aprendemos a protegê-las. Ao cuidar bem do momento presente, estamos cuidando bem do futuro. Trabalhar pela paz do futuro é trabalhar pela paz no momento presente.

Nossos sentimentos desempenham um papel muito importante por dirigirem todos os nossos pensamentos e ações. Existe em nós um rio de sentimentos, no qual cada gota d’água é um sentimento diferente e cada um depende de todos os outros para sua existência. Para observar esse rio, sentamo-nos à sua margem e identificamos cada sentimento à medida que ele vem à tona, passa por nós e desaparece.

Há três tipos de sentimentos — agradáveis, desagradáveis e neutros. Quando temos um sentimento desagradável, podemos querer afastá-lo. O mais eficaz é voltar à nossa respiração consciente e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio para nós mesmos. “Inspirando, sei que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, sei que há um sentimento desagradável em mim.” Chamar o sentimento pelo seu nome, “raiva”, “tristeza”, “alegria” ou “felicidade”, nos ajuda a identificá-lo com clareza e reconhecê-lo em maior profundidade.

Podemos usar nossa respiração para entrar em contato com nossos sentimentos e aceitá-los. Se nossa respiração for leve e tranqüila — resultado natural da respiração consciente — nossa mente e nosso corpo irão lentamente se tornando leves, tranqüilos e claros. E da mesma forma nossos sentimentos. A observação plenamente consciente se baseia no princípio da “não-dualidade”; nosso sentimento não está separado de nós nem foi causado apenas por algo externo a nós. Nosso sentimento é nosso eu, e temporariamente nós somos esse sentimento. Não submergimos nesse sentimento, nem nos aterrorizamos com ele, tampouco o rejeitamos. Nossa atitude de não nos agarrarmos aos nossos sentimentos e de tampouco rejeitá-los é a atitude de desapego, uma parte vital da prática da meditação.

Se encararmos nossos sentimentos desagradáveis com cuidado, afeição e não-violência, podemos transformá-los naquele tipo de energia que é saudável e que tem a capacidade de nos nutrir. Através da observação consciente, nossos sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores para nós, proporcionando-nos revelações e compreensão a respeito de nós mesmos e da nossa sociedade.

O primeiro passo ao lidar com os sentimentos é reconhecer cada sentimento no instante em que surge. O meio para isso é a plena consciência. No caso do medo, por exemplo, você recorre à plena consciência, olha para o medo e o reconhece como medo. Você sabe que o medo brotou de você mesmo e que a plena consciência também brotou de você mesmo. Os dois estão em você, não em luta, mas cuidando do outro.

O segundo passo consiste em se tornar uno com o sentimento. Melhor não dizer, “Vá embora, Medo. Não gosto de você. Você não é eu.” Muito mais eficaz é dizer, “Oi, Medo. Como é que você está hoje?” Em seguida, você pode estimular esses dois aspectos, a plena consciência e o medo, a se cumprimentarem como amigos e a se unirem. Isso pode parecer assustador, mas, como você já sabe que você é mais do que seu medo, não é preciso se amedrontar. Desde que sua mente esteja alerta, ele fará companhia ao seu medo. A prática fundamental é nutrir a plena consciência com a respiração consciente, para mantê-la alerta, cheia de vida e força. Embora no início sua plena consciência possa não ser muito potente, se você a alimentar, ela se tornará mais forte. Contanto que a sua consciência esteja plena e presente, você não será submerso pelo medo. Na realidade, você começará a transformá-lo no exato instante em que dentro de si der à luz a percepção.

O terceiro passo é o de acalmar o sentimento. Como a consciência plena está cuidando bem do seu medo, ele começa a acalmar-se. “Inspirando, acalmo as atividades do corpo e da mente.” Você acalma seu sentimento só por estar com ele, como uma mãe segurando ternamente o filhinho que chora. Ao sentir a ternura da mãe, o neném se acalma e pára de chorar. A mãe é a sua mente alerta, nascida das profundezas da sua consciência, e ela tratará do sentimento da dor. A mãe que segura o bebê forma uma unidade com ele. Se a mãe estiver pensando em outras coisas, a criancinha não se acalmará. A mãe tem de abandonar as outras coisas e apenas segurar seu filhinho. Por isso, não evite seu sentimento. Não diga, “Você não é importante. Você é só um sentimento.” Passe a formar uma unidade com ele. Você pode dizer, “Expirando, acalmo meu medo.”

O quarto passo é largar o sentimento, soltá-lo. Graças à sua calma, você está à vontade, mesmo em meio ao medo; e sabe que esse medo não vai crescer e se transformar em algo esmagador. Quando você se descobre capaz de tomar conta do seu medo, ele já está reduzido a um mínimo, tornando-se mais brando e menos desagradável. Agora você pode sorrir para ele e deixá-lo partir, mas por favor pare por aqui. Acalmar e largar um sentimento são apenas curas para os sintomas. Você agora tem a oportunidade de se aprofundar e trabalhar na transformação da raiz do seu medo.

O quinto passo é olhar profundamente. Você examina em profundidade o seu bebê — seu sentimento de medo — para ver o que está errado, mesmo depois que o bebê parou de chorar, mesmo depois que o medo se foi. É impossível segurar uma criança no colo o tempo todo. Por isso, você deve examiná-la para ver a causa do que está errado. Com esse exame, você será o que o ajudará a começar a transformar o sentimento. Você perceberá, por exemplo, que seu sofrimento tem muitas causas, intensas e externas ao seu corpo. Se há algo de errado em volta dele, se você conserta a situação, com carinho e cuidado, ele se sentirá melhor. Ao examinar seu bebê, você verá os elementos que o estão fazendo chorar. Ao vê-los, você saberá o que fazer e o que não fazer para transformar o sentimento e se sentir livre.

Esse processo é semelhante ao da psicoterapia. Em companhia do paciente, o terapeuta observa a natureza da dor. Muitas vezes, o terapeuta pode revelar causas de sofrimento que se originaram da forma pela qual o paciente encara a vida, das opiniões que ele tem sobre si mesmo, sobre a sua cultura e o mundo em geral. O terapeuta examina esses pontos de vista e essas opiniões com o paciente, e juntos eles colaboram para libertá-los daquele tipo de prisão em que estava. No entanto, o esforço do paciente é crucial. O professor deve trazer à luz o professor que existe dentro do aluno; e o psicoterapeuta deve trazer à luz o psicoterapeuta que há no íntimo do seu paciente. O “psicoterapeuta interno” do paciente poderá então trabalhar em tempo integral de uma forma muito eficaz.

O terapeuta não trata do paciente simplesmente lhe repassando um outro conjunto de opiniões. Ele tenta ajudar o paciente a perceber que tipos de idéias e de crenças causam o seu sofrimento. Muitos pacientes querem se ver livres dos sentimentos dolorosos, mas não querem se livrar das opiniões, dos pontos de vista que são as verdadeiras raízes dos seus sentimentos. Portanto, o terapeuta e o paciente têm que trabalhar juntos para ajudar o paciente a ver as coisas como elas são. O mesmo vale para quando recorrermos à plena consciência para transformar nossos sentimentos. Depois de reconhecermos o sentimento, de nos tornarmos unos com ele, de o acalmarmos o de o largarmos, podemos examinar suas causas em profundidade. Elas muitas vezes se baseiam em percepções incorretas. Assim que compreendemos as causas e a natureza dos nossos sentimentos, eles começam a se transformar.

(Do livro “Paz a cada passo” – Thich Nhat Hanh)

FONTE: http://sangavirtual.blogspot.com

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Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia II

Publicado por educaçãoevida em Abril 8, 2008

O meu sorriso está com o dente-de-leão

Thich Nhat Hanh

Se uma criança sorri, se um adulto sorri, é muito importante. Se em nossa rotina diária pudermos sorrir, se pudermos ser felizes e cheios de paz, não só nós, mas todos se beneficiarão. Se realmente sabemos viver, existe melhor meio de começar o dia do que com um sorriso? Nosso sorriso afirma nossa consciência e determinação no sentido de viver em paz e alegria. A fonte de um sorriso ver­dadeiro está na mente alerta.

Como você pode se lembrar de sorrir ao acor­dar? Talvez você possa pendurar um lembrete ­como um ramo, uma folha, uma pintura ou algu­mas palavras inspiradoras – na janela ou no teto acima da sua cama para que você o veja no ins­tante em que acordar. Depois que você tiver de­senvolvido a prática do sorriso, pode ser que não precise mais do lembrete. Você sorrirá ao ouvir um pássaro cantar ou ao ver o sol entrando pela jane­la. O sorriso ajuda a encarar o dia com delicadeza e compreensão.

Quando vejo alguém sorrir, sei logo que ele ou ela está imerso na percepção. Esse leve sorriso, quantos artistas não se esforçaram para trazer aos lábios de inúmeras estátuas e retratos? Tenho cer­teza de que o mesmo sorriso devia estar estampa­do nos rostos dos escultores e dos pintores enquan­to trabalhavam. Dá para imaginar um pintor en­raivecido criando um sorriso desses? O sorriso da Mona Lisa é leve, apenas uma sugestão de sorriso. No entanto, mesmo um sorriso desses basta para relaxar todos os músculos do rosto, para expulsar toda a preocupação e o cansaço. O mais leve es­boço de um sorriso reforça a percepção e nos acal­ma como que por milagre. Ele nos restaura a paz que considerávamos perdida.

Nosso sorriso pode trazer a paz para nós e pa­ra os que nos cercam. Mesmo se gastássemos mui­to dinheiro em presentes para todos os nossos fa­miliares, nada que pudéssemos comprar lhes da­ria tanta felicidade quanto a dádiva da nossa aten­ção, do nosso sorriso. E essa dádiva preciosa não custa nada. Ao final de um retiro na Califórnia, uma amiga escreveu o seguinte poema:

Perdi meu sorriso,

mas não se preocupem.

Ele está com o dente-de-leão.

Se você perdeu seu sorriso e mesmo assim é capaz de ver que o dente-de-leão está guardando-o para você, a situação não é tão má assim. Sua cons­ciência está suficientemente desperta para ver que o sorriso está ali. Basta que você respire com ple­na consciência uma ou duas vezes para que recu­pere seu sorriso. O dente-de-leão é um dos inte­grantes de sua comunidade de amigos. Ele está ali, inteiramente fiel, guardando seu sorriso para você.

Na realidade, tudo que o cerca está guardan­do seu sorriso para você. Você não precisa se sen­tir isolado. É só se abrir para o apoio que está a todo seu redor e dentro de você. Como a amiga que viu seu sorriso sob a guarda do dente-de-leão, você pode respirar em plena consciência e o seu sorriso voltará.

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Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia

Publicado por educaçãoevida em Março 14, 2008

Do livro “Paz a cada passo. Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia” de Thich Nhat Hanh, retiramos algumas partes que podem nos auxiliar a compreender como a meditação pode ser um caminho para a plena atenção e para a paz interior…

Vinte e quatro horas novinhas em folha

“Todas as manhãs, quando acordamos, temos vin­te e quatro horas novinhas em folha para viver. Que dádiva preciosa! Temos a possibilidade de vi­ver de uma forma que essas vinte e quatro horas tragam paz, alegria e felicidade a nós mesmos e aos outros.

A paz está presente aqui e agora em nós mes­mos e em tudo o que fazemos e vemos. A ques­tão é estar ou não em contato com ela. Não preci­samos fazer uma longa viagem para admirar o azul do céu. Não precisamos sair da cidade ou sequer da nossa vizinhança para apreciar os olhos de uma linda criança. Até mesmo o ar que respiramos pode ser uma fonte de alegria.

Podemos sorrir, respirar, caminhar e fazer nos­sas refeições de uma forma tal que nos permita en­trar em contato com toda a felicidade que existe a nosso dispor. Somos muito bons na preparação para a vida, mas não o somos na vida em si. Sabe­mos sacrificar dez anos em troca de um diploma e nos dispomos a trabalhar duramente para obter um emprego, um carro, uma casa e assim por dian­te. Temos, porém, dificuldade para nos lembrar­mos de que estamos vivos no presente momento, o único momento que existe para estarmos vivos. Cada respiração, cada passo pode estar repleto de paz, alegria e serenidade. É necessário apenas que estejamos despertos, vivos no momento presente.

Este pequeno livro se propõe a ser como o toque de um sino para despertar a consciência, um lembrete de que a felicidade só é possível no mo­mento presente. É claro que planejar o futuro faz parte da vida, mas mesmo o planejamento só po­de acontecer no momento presente. Este livro é um convite para uma volta ao momento presente e para a descoberta da paz e da alegria. Nele apre­sento algumas das minhas experiências e uma sé­rie de técnicas que podem ser úteis. Mas, por fa­vor, não esperem o final do livro para encontrar a paz. A paz e a felicidade estão em cada momen­to. A paz é cada passo. Caminharemos de mãos dadas. Bon voyage”.

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