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	<title>Zen no Parque</title>
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	<description>A meditação ao alcance de todos.</description>
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		<title>Zen no Parque</title>
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		<title>Visita de monges da Ordem Interser à Curitiba e Zen no parque especial!</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 17:33:50 +0000</pubDate>
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		<title>Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia V – a meditação andando</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 17:12:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Como manter a mente desperta]]></category>
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		<description><![CDATA[ 
A meditação andando
 Por Thich Nhat Hanh
 A meditação andando pode ser muito agradável. Caminhamos lentamente, sozinhos ou com amigos, se possível num belo local. A meditação andando tem como verdadeiro objetivo o prazer em caminhar &#8211; anda-se não para se chegar a algum lugar, mas só pelo andar. O propósito é o de se estar no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=376&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoPlainText"> </p>
<p class="MsoPlainText"><span style="text-decoration:underline;">A meditação andando</span></p>
<p class="MsoPlainText"><em> Por Thich Nhat Hanh</em></p>
<p class="MsoPlainText"> A meditação andando pode ser muito agradável. Caminhamos lentamente, sozinhos ou com amigos, se possível num belo local. A meditação andando tem como verdadeiro objetivo o prazer em caminhar &#8211; anda-se não para se chegar a algum lugar, mas só pelo andar. O propósito é o de se estar no momento presente, tendo plena consciência da respiração e da caminhada, e de se apreciar cada passo. Para isso, devemos nos livrar de todas as preocupações e ansiedades, não pensar no futuro, nem no passado, só vivendo o momento presente. Podemos andar de mãos dadas com uma criança. Caminhamos passo a passo como se fôssemos os seres mais felizes da Terra.</p>
<p class="MsoPlainText"> Embora andemos o tempo todo, nosso andar se assemelha mais a uma corrida. Quando caminhamos assim, imprimimos ansiedade e tristeza na Terra. É preciso que andemos de forma tal que só deixemos paz e serenidade sobre a Terra. Podemos todos fazer isso desde que o desejemos muito. Qualquer criança consegue fazê-lo. Se podemos dar um passo assim, poderemos dar dois, três, quatro e cinco. Quando formos capazes de dar um passo cheio de paz e felicidade, estaremos trabalhando pela causa da paz e da felicidade de toda a humanidade. A meditação andando é uma prática maravilhosa.</p>
<p class="MsoPlainText"> Quando fazemos meditação andando ao ar livre, caminhamos um pouco mais devagar do que nosso ritmo normal e coordenamos nossa respiração com nossos passos. Por exemplo, podemos dar três passos para cada inspiração e três passos para cada expiração. Podemos, então, dizer, &#8220;Inspirando. inspirando, inspirando. Expirando, expirando, expirando.&#8221; Dizer &#8220;Inspirando&#8221; serve para nos ajudar a identificar a inspiração. Sempre que chamamos algo pelo seu próprio nome, estamos tornando-o mais real, como quando dizemos o nome de um amigo.</p>
<p class="MsoPlainText"> Se os seus pulmões preferem quatro passos em vez de três, dê-lhes quatro passos, por favor. Se eles querem apenas dois, dê-lhes dois. A dura­ção da sua inspiração e da sua expiração não tem de ser a mesma. E possível, por exemplo, que você dê três passos ao inspirar e quatro ao expirar. Se você se sentir feliz, sereno e alegre enquanto ca­minha, é porque está se exercitando corretamente.</p>
<p class="MsoPlainText"> Esteja atento para o contato entre os seus pés e a Terra. Caminhe como se estivesse beijando a Terra com os pés. Já prejudicamos muito a Terra. Agora é a hora de cuidarmos bem dela. Trazemos nossa paz e nossa serenidade à superfície da Terra e compartilhamos a lição do amor. É tendo isso em mente que caminhamos. De quando em quando, ao ver algo bonito, podemos querer parar para contemplação de uma árvore, uma flor, crianças brincando. Enquanto olhamos, continuamos atentos à nossa respiração, para não sermos enredados por nossos pensamentos e assim perdermos a beleza da flor. Quando quisermos voltar a andar, é só começar de novo. Cada passo que dermos criará uma brisa fresca, renovando nosso corpo e nossa mente. Cada passo fará uma flor se abrir aos nossos pés. Isso só é possível se não pensarmos no futuro nem no passado, se soubermos que a vida só pode ser encontrada no momento presente. </p>
<p class="MsoPlainText"> </p>
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		<title>Dicas para a meditação: nossa mente e o suco de maçã</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 23:12:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Meditando...]]></category>
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Sol e Folhas Verdes

Por  Thich Nhat Hanh

  Hoje três crianças, duas meninas e um menino, vieram da aldeia para jogar com Thanh Thuy. Os quatro foram para a ladeira atrás de nossa casa, brincaram uma hora e voltaram para pedir algo para beber. Eu peguei a última garrafa de suco de maçã caseiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=355&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">
 </p>
<p>Sol e Folhas Verdes
</p>
<p>Por  Thich Nhat Hanh
</p>
<p>  Hoje três crianças, duas meninas e um menino, vieram da aldeia para jogar com Thanh Thuy. Os quatro foram para a ladeira atrás de nossa casa, brincaram uma hora e voltaram para pedir algo para beber. Eu peguei a última garrafa de suco de maçã caseiro e dei a cada um copo cheio, servindo Thuy por último. Considerando que o suco dela era do fundo da garrafa, tinha alguma polpa. Quando ela notou as partículas, fez beicinho e recusou a beber. Assim as quatro crianças voltaram para as brincadeiras na ladeira, e Thuy não bebeu nada.
</p>
<p> Meia hora depois, enquanto eu estava meditando em meu quarto, eu a ouvi chamando. Thuy quis um copo de água fria, mas mesmo na ponta dos pés ela não podia alcançar a torneira. Eu a lembrei do copo de suco na mesa e lhe pedi que bebesse aquele primeiro. Virando o olhar, ela viu que a polpa tinha assentado e o suco parecia claro e delicioso. Ela foi para a mesa e pegou o copo com ambas as mãos. Depois de beber a metade, ela colocou o copo sobre a mesa e perguntou, &#8220;Este é um copo diferente, Tio Monge?&#8221; (um termo comum que as crianças vietnamitas usam ao se dirigir a um monge mais velho.) &#8220;Não&#8221;, eu respondi. &#8220;É o mesmo que antes&#8221;. Ele sentou quietamente um pouquinho, &#8220;e agora está claro e delicioso.&#8221; Thuy olhou novamente para o copo. &#8220;Realmente é bom. Ele estava meditando como você, Tio Monge? &#8221; Eu ri e bati levemente na cabeça dela. &#8220;Digamos que eu imito o suco de maçã quando eu sento; isso é mais próximo da verdade.&#8221;
</p>
<p>  Todas as noites na hora de dormir de Thuy, eu medito. Eu a deixo dormir no mesmo quarto, próximo de onde estou sentando. Nós concordamos que enquanto eu estiver sentando, ela irá para cama sem falar. Naquela atmosfera calma, o sono vem facilmente para ela dentro de 5 ou 10 minutos. Quando eu termino de sentar, eu a cubro com uma manta.
</p>
<p>  Thanh Thuy é filha das &#8220;pessoas de barco.&#8221; Ela não tem ainda 4 anos e meio. Cruzou os mares com o seu pai e chegou da Malásia em abril do ano passado. A mãe dela ficou no Vietnã. Quando o pai chegou aqui na França, deixou Thuy conosco durante vários meses enquanto foi para Paris procurar um trabalho. Eu lhe ensinei o alfabeto vietnamita e algumas baladas populares de nosso país. Ela é muito inteligente, e depois de duas semanas já soletra e lê lentamente &#8220;O Reino dos Bobos&#8221;, de Leo Tolstoy que eu traduzi do francês para o vietnamita.
</p>
<p>  Toda noite Thanh Thuy me vê sentar. Eu lhe falei que eu estou &#8220;sentando em meditação&#8221; sem explicar o que significa ou por que faço isto. Todas as noites quando ela me vê lavar minha face, vestir meus roupões, e acender um incenso para fazer o quarto ter uma boa fragrância, ela sabe que logo eu começarei a &#8220;meditar.&#8221; Ela também sabe que está na hora dela escovar os dentes, mudar os pijamas, e ir quietamente para cama. Eu nunca tive que a lembrar.
</p>
<p>  Sem dúvida, Thuy pensou que o suco de maçã estava sentando por um tempo para se clarear como o seu Tio Monge. &#8220;Ele estava meditando como você?&#8221; Eu penso que Thanh Thuy, apesar de não ter 4 anos e meio, entende o significado de meditação sem qualquer explicação. O suco de maçã ficou claro depois de descansar por algum tempo. Da mesma maneira, se nós descansarmos por algum tempo em meditação, também ficaremos claros. Esta claridade nos refresca e nos dá força e serenidade. Como nós nos sentimos refrescados, nossos ambientes também serão refrescados. Crianças gostam de estar perto de nós, não apenas para ganharem doces e ouvir histórias. Elas gostam de estar perto de nós porque podem sentir este &#8220;frescor.&#8221;
</p>
<p>  Hoje à noite um convidado veio. Eu enchi um copo do último do suco de maçã e pus na mesa no meio da sala de meditação. Thuy já tinha adormecido, e eu convidei meu amigo a sentar muito quietamente, como o suco de maçã.
</p>
<p>  Nós sentamos durante aproximadamente 40 minutos. Eu noto meu amigo sorrindo quando ele olha para o suco. Ficou muito claro. &#8220;E você, meu amigo, ficou? Até mesmo se você não se estabilizou tão completamente quanto o suco de maçã, você não sente um pouco menos agitado, menos irrequieto, menos perturbado? O sorriso em seus lábios ainda não enfraqueceu, mas eu penso que você duvida que se possa ficar tão claro quanto o suco de maçã, mesmo se nós continuarmos sentando por horas.
</p>
<p>  &#8220;O copo do suco tem uma base muito estável. Mas seu sentar não é tão firme. Esses pedaços minúsculos de polpa só têm que seguir as leis de natureza para cair suavemente para o fundo do copo. Mas seus pensamentos não obedecem nenhuma lei. Pelo contrário, eles zumbem febrilmente, como um enxame de abelhas, e assim você pensa que não pode se estabilizar como o suco de maçã. &#8220;Você me fala que as pessoas, seres vivos com capacidade de pensar e sentir, não podem ser comparados com um copo de suco&#8221;. Eu concordo, mas eu também sei que nós podemos fazer o que o suco de maçã fez, e mais. Nós podemos estar em paz, não só enquanto sentamos, mas também enquanto caminhamos e trabalhamos.
</p>
<p> &#8220;Talvez você não acredite em mim, porque 40 minutos se passaram e você tentou tão duramente, mas não pôde alcançar a paz que desejou. Thuy está dormindo pacificamente, a respiração dela está clara. Por que nós não acendemos outra vela antes de continuar nossa conversa? &#8221;
</p>
<p>&#8220;A pequena Thuy dorme sem esforço. Você sabe essas noites quando sono foge, e quanto mais você tenta dormir menos pode. Você está tentando se forçar a estar calmo, e sente a resistência dentro de você. Este mesmo tipo de resistência é sentida por muitas pessoas durante a sua primeira experiência com meditação. Quanto mais eles tentam se acalmar, mais inquietos se tornam. Os vietnamita acham que isto é porque elas são vítimas de demônios ou karmas ruins, mas na realidade esta resistência nasce de nossos próprios esforços para ficar calmos. O próprio esforço se torna opressivo. Nossos pensamentos e sentimentos fluem como um rio. Se nós tentarmos parar o fluxo de um rio, conheceremos a resistência da água. É melhor fluir com ele, e então poderemos guiá-lo do modo que queremos. Nós não devemos tentar pará-lo.
</p>
<p>  &#8220;Lembre-se que o rio tem que fluir e que nós vamos segui-lo. Nós devemos estar atentos a todo pequeno regato que se une a ele. Nós devemos estar atentos a todos os pensamentos, sentimentos, e sensações que surgem dentro nós, ao seu nascimento, duração, e desaparecimento. Você vê? Agora a resistência começa a desaparecer. O rio de percepções ainda está fluindo, mas não mais na escuridão. Está fluindo agora na luz da consciência. Manter este sol sempre brilhando dentro de nós, iluminando cada regato, cada seixo, cada curva no rio, é a prática de meditação. Praticar meditação é, em primeiro lugar, observar e seguir estes detalhes&#8221;
</p>
<p> &#8220;No momento da consciência sentimos que estamos no controle, embora o rio ainda esteja lá fluindo. Nós nos sentimos em paz, mas isto não é a &#8216;paz&#8217; do suco de maçã. Estar em paz não significa que nossos pensamentos e sentimentos estão congelados. Estar em paz não é igual a estar anestesiado. Uma mente calma não quer dizer uma mente vazia de pensamentos, sensações e emoções. Uma mente calma não é uma mente ausente. Está claro que pensamentos e sentimentos sozinhos não constituem a totalidade de nosso ser. Fúria, ódio, vergonha, fé, dúvida, impaciência, desgosto, desejo, tristeza e angústia também são a mente. Esperança, inibição, intuição, instinto, as mentes subconscientes e inconscientes fazem igualmente parte do eu. (&#8230;)&#8221;
</p>
<p>Meditadores iniciantes normalmente pensam que têm que suprimir todos os pensamentos e sentimentos (freqüentemente chamada de &#8220;falsa mente&#8221;) para criar condições favoráveis para concentração e entendimento (chamada &#8220;verdadeira mente&#8221;). Eles usam métodos como focalizar a sua atenção em um objeto ou contar as respirações para tentar impedir pensamentos e sentimentos. Concentrar em um objeto e contar a respiração são métodos excelentes, mas eles não deveriam ser usados para supressão ou repressão. Nós sabemos que assim que houver repressão, haverá rebelião. Repressão requer rebelião. Verdadeira mente e falsa mente são um. Negar uma é negar a outra. Suprimir uma é suprimir a outra. Nossa mente é nosso eu. Nós não podemos suprimi-la. Nós temos que tratá-la com respeito, com bondade e absolutamente sem violência. Considerando que nós nem mesmo sabemos o que é nosso &#8220;eu&#8221; é, como nós podemos saber se é verdadeira ou falsa, e se ou o que suprimir? A única coisa que podemos fazer é deixar a luz da consciência brilhar em nosso &#8220;eu&#8221; e iluminá-lo, assim podemos olhar diretamente para ele.
</p>
<p>  Da mesma maneira que flores e folhas são só partes de uma planta, e da mesma maneira que ondas são só parte do oceano, percepções, sentimentos e pensamentos são só parte do eu. Flores e folhas são uma manifestação natural de plantas, e ondas são uma expressão natural de oceanos. É inútil para tentar reprimi-los ou abafá-los. É impossível. Nós só podemos observá-los. Como eles existem, podemos achar a sua origem que é igual à nossa própria. O sol de consciência origina no coração do eu. Permite ao eu iluminar o eu. Não só ilumina todos os pensamentos e sentimentos presentes. Se ilumina também.
</p>
<p>  Vamos voltar ao suco de maçã, &#8220;descansando&#8221; quietamente. O rio de nossas percepções continua fluindo, mas agora, à luz da consciência, flui pacificamente, e nós estamos serenos. A relação entre o rio de percepções e o sol da consciência não é igual a de um rio real e o sol real. Se é meia-noite ou meio-dia, se o sol está ausente ou se seus raios penetrantes estão irradiando, as águas do Rio de Mississipi continuam fluindo, mais ou menos do mesmo modo. Mas quando o sol da consciência brilha no rio de nossas percepções, a mente é transformada. Rio e sol são da mesma natureza.
</p>
<p> Vamos considerar a relação entre a cor das folhas e a luz solar que também têm a mesma natureza. À meia-noite, a luz estrelada e o luar revelam só a forma das árvores e folhas. Mas se o sol de repente brilhasse, a cor verde das folhas apareceria imediatamente. O verde tenro das folhas de abril existe porque a luz solar existe. (&#8230;)
</p>
<p>  Assim que o sol da consciência brilha, naquele mesmo momento uma grande mudança acontece. A meditação deixa o sol da consciência levantar facilmente, assim podemos ver mais claramente. Quando meditamos, parecemos ter dois egos. Um é o rio corrente de pensamentos e sentimentos, e o outro é o sol da consciência que brilha neles. Qual deles é nosso eu? Qual é o verdadeiro? Qual é o falso? Qual é bom? Qual é ruim? Por favor tranqüilize-se, meu amigo. Abaixe sua espada afiada de pensamento conceitual. Não tenha pressa de cortar seu &#8220;eu&#8221; em dois. Ambos são eu. Nenhum é verdadeiro. Nenhum é falso. Eles são ambos verdadeiros e ambos falsos.
</p>
<p>  Nós sabemos que luz e cor não são fenômenos separados. Da mesma maneira, o sol do eu e o rio do eu não são diferentes. Sente comigo, deixe um sorriso se formar em seus lábios, deixe seu sol brilhar, feche seus olhos, se for necessário para ver seu eu mais claramente. Seu sol da consciência é apenas parte do rio do seu eu, não é? Segue as mesmas leis de todos os fenômenos psicológicos: surge e desaparece. Para examinar algo com um microscópio, um cientista tem que iluminar o objeto a ser observado. Para observar o eu, você tem que ilumina-lo também a luz de consciência.  (&#8230;)
</p>
<p>Observe as mudanças que acontecem em sua mente sob a luz da consciência. Até mesmo sua respiração mudou e se tornou &#8220;não-duas&#8221; (eu não quero dizer &#8220;uma&#8221;) com seu eu que observa. Isto também é verdade para seus pensamentos e sentimentos que, junto com os seus efeitos, são transformados de repente. Quando você não tentar julgá-los ou suprimi-los, eles se entrelaçarão com a mente observadora.
</p>
<p>  De vez em quando você pode ficar inquieto, e a inquietude não irá embora. Nestas ocasiões, apenas se sente quietamente, siga sua respiração, sorria um meio sorriso, e brilhe sua consciência na inquietude. Não julgue ou tenta destruí-la, porque esta inquietude é você. Nasce, tem algum período de existência, e diminui, bastante naturalmente.
</p>
<p>Não tenha grande pressa em achar sua origem. Não se esforce demais para fazê-la desaparecer. Apenas a ilumine. Você verá que mudará pouco a pouco, se fundindo, ficando conectada com você, o observador. Qualquer estado psicológico que você sujeite a esta iluminação suavizará e adquirirá a mesma natureza da mente observadora.
</p>
<p>Ao longo de sua meditação, mantenha o sol de sua consciência brilhando. Como o sol físico que ilumina toda folha e toda grama, nossa consciência ilumina todos os nossos pensamentos e sentimentos, nos permitindo reconhecê-los, ficar atentos ao seu nascimento, duração, e dissolução, sem os julgar ou avaliar, dando boas-vindas ou os banindo. É importante que você não considere que consciência é seu &#8220;aliado&#8221;, chamada para suprimir os &#8220;inimigos&#8221; que são seus pensamentos incontroláveis. Não transforme sua mente em um campo de batalha. Não tenha uma guerra nela; porque todos os seus sentimentos &#8211; alegria, tristeza, raiva, ódio &#8211; são parte de você. Consciência é como um irmão mais velho, gentil e atento, que está lá para guiar e iluminar. É uma presença tolerante e lúcida, nunca violenta ou discriminadora. Está lá para reconhecer e identificar pensamentos e sentimentos, não para julgá-los como bons ou ruins, ou colocá-los em acampamentos adversários para lutarem entre si. A oposição entre bom e mal é comparada freqüentemente com luz e escuridão, mas se nós olharmos para isto de um modo diferente, veremos que quando a luz brilha, a escuridão não desaparece. Não vai embora; funde-se com a luz. Torna-se a luz.
</p>
<p>Eu convidei meu convidado a sorrir. Meditar não significa lutar com um problema. Meditar significa observar. Seu sorriso prova isto. Prova que você está sendo suave com você mesmo, que o sol da consciência está brilhando em você, que você tem controle da situação. Você é você mesmo, e você adquiriu alguma paz. É esta paz que faz uma criança amar estar perto de você.
</p>
<p>
 </p>
<p>(Do livro &#8220;The sun my heart&#8221; – Thich Nhat Hanh)
</p>
<p>(Traduzido por Leonardo Dobbin)
</p>
<p>Retirado de <a href="http://sangavirtual.blogspot.com">http://sangavirtual.blogspot.com</a>
	</p>
Posted in *Meditando..., *Plena Atenção, *Postura, *Thich Nhat Hanh  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/zennoparque.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/zennoparque.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/zennoparque.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/zennoparque.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/zennoparque.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/zennoparque.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/zennoparque.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/zennoparque.wordpress.com/355/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/zennoparque.wordpress.com/355/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/zennoparque.wordpress.com/355/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=355&subd=zennoparque&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Algumas instruções para a prática da meditação</title>
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		<comments>http://zennoparque.wordpress.com/2008/11/07/algumas-instrucoes-para-a-pratica-da-meditacao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 00:02:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Como manter a mente desperta]]></category>
		<category><![CDATA[*Meditando...]]></category>
		<category><![CDATA[*Postura]]></category>
		<category><![CDATA[*Thich Nhat Hanh]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Thich Nhat Hanh
(texto retirado do livro &#8220;Para viver em paz. O milagre da mente alerta&#8220;, capítulo &#8220;O seixo&#8221;)
&#8220;Eu sei que (&#8230;) há muitos que podem sentar na posição de lótus completo, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda. Outros podem sentar em meio lótus, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=350&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Por Thich Nhat Hanh</p>
<p>(<em>texto retirado do livro &#8220;</em>Para viver em paz. O milagre da mente alerta<em>&#8220;, capítulo &#8220;O seixo&#8221;</em>)</p>
<p>&#8220;Eu sei que (&#8230;) há muitos que podem sentar na posição de lótus completo, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda. Outros podem sentar em meio lótus, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita ou o pé direito sobre a coxa esquerda. Na nossa aula de meditação, em Paris, há pessoas que não conseguem sentar em nenhuma dessas posições e por isso ensino-lhes a maneira japonesa, ou seja, com os joelhos dobrados e o tronco apoiado sobre ambas as pernas. Pondo alguma espécie de acolchoado sob os pés, a pessoa pode facilmente permanecer nessa posição por hora ou hora e meia. Mas na verdade qualquer pessoa pode aprender a sentar em meio lótus, ainda que no início possa causar alguma dor. Gradualmente, após algumas semanas de treino, a posição se tornará confortável. No início, enquanto a dor ainda causar muito desconforto, a pessoa deve alterar a posição das pernas ou a posição de sentar. Para as posturas de lótus completo e meio lótus convém sentar-se sobre uma almofada, de forma a que os dois joelhos se apóiem contra o chão. Os três pontos de apoio dessa posição proporcionam uma grande estabilidade.</p>
<p>Mantenha as costas eretas. Isso é muito importante.</p>
<p>O pescoço e a cabeça devem ficar em alinhamento com a coluna.</p>
<p>A postura deve ser reta mas não rígida.</p>
<p>Mantenha os olhos semi-abertos, focalizados a uns dois metros à sua frente.</p>
<p>Mantenha leve sorriso.</p>
<p>Agora comece a seguir sua respiração e a relaxar todos os músculos. Concentre-se em manter sua coluna ereta e em seguir sua respiração. Solte-se quanto a tudo mais. Abandone-se inteiramente. Se quiser relaxar os músculos de seu rosto, contraídos pelas preocupações, medo e tristeza, deixe um leve sorriso aflorar em sua face. Quando o leve sorriso surge, todos os músculos faciais começam a relaxar. Quanto mais tempo o leve sorriso for mantido, melhor. É o mesmo sorriso que você vê na face de Buda, Quang.</p>
<p>À altura do ventre, pose sua mão esquerda com a palma voltada para cima sobre a palma da mão direita. Solte todos os músculos dos dedos, braços e pernas. Solte-se todo como as plantas aquáticas que flutuam na corrente, enquanto sob a superfície das águas o leito do rio permanece imóvel. Não se prenda a nada a não ser à respiração e ao leve sorriso.</p>
<p>Para os principiantes, convém não ficar sentado além de vinte ou trinta minutos. Durante esse tempo você tem que ser capaz de obter descanso total. A técnica para tal obtenção reside em duas coisas: observar e soltar, observar a respiração e soltar tudo mais. Solte cada músculo de seu corpo. Após uns quinze minutos, uma serenidade profunda poderá ser alcançada, enchendo-o interiormente de paz e contentamento. Mantenha-se nessa quietude.</p>
<p>Algumas pessoas encaram a meditação como uma labuta, desejando que o tempo passe rápido a fim de descansarem depois. Essas pessoas não aprenderam ainda o que é meditar. Se você sentar de forma correta, é possível encontrar total relaxamento e paz, exatamente nessa posição. Geralmente sugiro a essas pessoas que meditem tendo em mente a imagem de um seixo atirado ao rio.</p>
<p>Como usar a imagem do seixo? Sente-se na posição em que melhor se sentir, lótus completo ou meio lótus, com a coluna reta e leve sorriso nos lábios. Respire devagar e profundamente, acompanhando cada respiração, unificando-se com ela. Desligue-se de tudo. Imagine que você é um seixo atirado no rio. O seixo afunda na água, sem nenhum esforço. Desapegado de qualquer coisa, ele lentamente afunda pela mais curta distância, para atingir finalmente o fundo do rio, o ponto de descanso perfeito. Você, praticamente, é como o seixo que, desligando-se de tudo, deixou-se cair no rio. No centro de seu ser está sua respiração. Você não precisa saber quanto tempo leva até que possa alcançar o ponto do perfeito repouso, o leito de areia no fundo das águas. Quando você se sentir como o seixo que atingiu o fundo do rio, você terá alcançado o ponto em que encontrará seu perfeito repouso. Você não estará mais sendo empurrado ou puxado por nada.</p>
<p>Se você não conseguir encontrar paz e contentamento nesses momentos em que está sentado, então o futuro lhe escapará como um rio que passa, você não poderá fazê-lo voltar atrás, e será incapaz de viver o futuro quando ele tiver se transformado em presente. Toda a paz e contentamento possíveis são esses que surgem ao sentar-se. Se você não consegue encontrá-los aí, não os encontrará em nenhum outro lugar.</p>
<p>Não persiga seus pensamentos como a sombra que segue seu objeto. Não corra atrás de seus pensamentos. Não adie, seja capaz de encontrar paz e contentamento nesse exato momento em que está sentado. Esse é o seu tempo, esse lugar em que está sentado é o seu lugar. É nesse exato lugar, nesse exato momento, que você pode se tornar um Buda e não sob uma árvore especial em algum longínquo país.</p>
<p>O conforto que lhe proporciona o sentar-se depende de sua assiduidade na prática de manter a mente alerta na sua vida diária. Depende também se você senta ou não de acordo com as instruções. Uma hora de meditação por noite deveria ser organizada em cada comunidade. E às pessoas de fora, que quisessem participar, deveria ser dado o direito de sentarem também.</p>
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		<title>Como manter a mente desperta em seu dia-a-dia IV</title>
		<link>http://zennoparque.wordpress.com/2008/10/09/346/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 11:04:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Como manter a mente desperta]]></category>
		<category><![CDATA[*Meditando...]]></category>
		<category><![CDATA[*Plena Atenção]]></category>
		<category><![CDATA[*Thich Nhat Hanh]]></category>

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		<description><![CDATA[Momento presente, momento maravilhoso
Em nossa sociedade atarefada, é uma grande ventura respirar conscientemente de vez em quando. Podemos praticar a respiração consciente não só sentados na sala de meditação, mas também enquanto trabalhamos no escritório ou em casa, enquanto dirigimos, ou quando estamos sentados no ônibus, onde quer que estejamos, a qualquer hora do dia.
Há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=346&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="text-decoration:underline;">Momento presente, momento maravilhoso</span></p>
<p>Em nossa sociedade atarefada, é uma grande ventura respirar conscientemente de vez em quando. Podemos praticar a respiração consciente não só sentados na sala de meditação, mas também enquanto trabalhamos no escritório ou em casa, enquanto dirigimos, ou quando estamos sentados no ônibus, onde quer que estejamos, a qualquer hora do dia.</p>
<p>Há uma infinidade de exercícios que podem nos ajudar a respirar conscientemente. Além do simples &#8220;Inspirando-Expirando&#8221;, podemos recitar em silêncio estas quatro linhas enquanto inspiramos e expiramos:</p>
<p style="margin-left:35pt;">Inspirando, acalmo meu corpo. Expirando, sorrio.</p>
<p style="margin-left:35pt;">Pousado no momento presente,</p>
<p style="margin-left:35pt;">sei que este é um momento maravilhoso.</p>
<p>&#8220;Inspirando, acalmo meu corpo&#8221;.  Recitar essa frase é como beber um copo de limonada gelada num dia de calor &#8211; dá para se sentir o frescor invadindo o corpo. Quando eu inspiro e digo esse verso, chego a sentir minha respiração acalmando meu corpo e minha mente.</p>
<p>&#8220;Expirando, sorrio&#8221;.  Você sabe que um sorriso pode relaxar centenas de músculos no seu rosto. Sorrir é um sinal de que se tem domínio sobre si<br />
mesmo.</p>
<p>&#8220;Pousado no momento presente&#8221;.   Enquanto estou sentado aqui, não penso em mais nada. Estou sentado aqui e sei exatamente onde estou.</p>
<p>&#8220;Sei que este é um momento maravilhoso.&#8221; É uma alegria estar sentado, em conforto e segurança, e voltar para a respiração, para o sorriso, para a verdadeira natureza do eu. Nosso compromisso com a vida é no momento presente. Se não tivermos paz e alegria agora, quando as teremos? Amanhã, depois de amanhã? O que nos impede de sermos felizes neste exato momento? Enquanto prosseguimos com nossa respiração, podemos dizer simplesmente, &#8220;Acalmo, Sorrio, Momento presente, Momento maravilhoso.&#8221;</p>
<p>Esse exercício não é só para os iniciantes. Muitos de nós que praticamos a meditação e a respiração consciente há quarenta ou cinqüenta anos continuamos a praticar dessa forma, porque esse tipo de exercício é muito importante e muito fácil.</p>
Posted in *Como manter a mente desperta, *Meditando..., *Plena Atenção, *Thich Nhat Hanh  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/zennoparque.wordpress.com/346/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/zennoparque.wordpress.com/346/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/zennoparque.wordpress.com/346/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/zennoparque.wordpress.com/346/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/zennoparque.wordpress.com/346/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/zennoparque.wordpress.com/346/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/zennoparque.wordpress.com/346/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/zennoparque.wordpress.com/346/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/zennoparque.wordpress.com/346/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/zennoparque.wordpress.com/346/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=346&subd=zennoparque&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Meditação contra o HIV</title>
		<link>http://zennoparque.wordpress.com/2008/08/27/meditacao-contra-o-hiv/</link>
		<comments>http://zennoparque.wordpress.com/2008/08/27/meditacao-contra-o-hiv/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 12:54:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Meditação na mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[
29 Julho 2008

Pesquisadores da Universidade da Califórnia publicaram uma pesquisa que diz que a prática da meditação pode brecar a diminuição das células CD4-T no sangue de pessoas que possuem o vírus HIV. As CD4-T são o cérebro do nosso sistema imunológico e também as células mais atacadas pelo vírus. Se elas diminuem, o sistema [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=336&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca"><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1254-meditaocont2.png" alt="" /></a></p>
<p>29 Julho 2008</p>
<p><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1254-meditaocont3.png" alt="" /></p>
<p>Pesquisadores da Universidade da Califórnia publicaram uma <a title="meditacao e hiv" href="http://www.aegis.org/pubs/bala/1993/BA930328.html" target="_blank">pesquisa</a> que diz que a prática da meditação pode brecar a diminuição das células CD4-T no sangue de pessoas que possuem o vírus HIV. As CD4-T são o cérebro do nosso sistema imunológico e também as células mais atacadas pelo vírus. Se elas diminuem, o sistema imunológico do paciente enfraquece.</p>
<p>Estudos anteriores já tinham constatado que o estresse acelera a redução das CD4-T. Agora, com a solução em mãos, os cientistas esperam que a prática ajude a conter o progresso da doença.</p>
<p>A pesquisa avaliou dois grupos de pacientes (que faziam e que não faziam a meditação) durante oito semanas. A primeira metade não demonstrou perda das células, enquanto o segundo time teve um declínio das CD4-T.</p>
<p>A notícia é boa para todo mundo, inclusive para os estressadinhos (ou você não percebe que sempre fica resfriado quando está sobrecarregado com trabalho?).</p>
<p>Endereço desta matéria:<br />
http://www.superinteressante.com.br/blogs/cienciamaluca/97293_post.shtml</p>
<p>1987 &#8211; 2008 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/zennoparque.wordpress.com/336/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/zennoparque.wordpress.com/336/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/zennoparque.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/zennoparque.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/zennoparque.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/zennoparque.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/zennoparque.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/zennoparque.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/zennoparque.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/zennoparque.wordpress.com/336/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/zennoparque.wordpress.com/336/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/zennoparque.wordpress.com/336/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=336&subd=zennoparque&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>É só respirar</title>
		<link>http://zennoparque.wordpress.com/2008/08/27/e-so-respirar/</link>
		<comments>http://zennoparque.wordpress.com/2008/08/27/e-so-respirar/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 12:52:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Meditação na mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[

Capa

out 2003 
Recomendada pelos médicos, estudada pelos cientistas, praticada por milhões mundo afora. Conheça essa técnica ancestral de autoconhecimento e tudo o que ela pode fazer por você
Jomar Morais
Na sala vazia e silenciosa, dois monges zen, com seus mantos e cabeças raspadas, estão sentados no chão, lado a lado, pernas cruzadas. Depois de alguns instantes, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=324&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1252-srespirar1.png" alt="" /></p>
<h2></h2>
<h2>Capa</h2>
<p><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1252-srespirar2.png" alt="" /></p>
<p><a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/sumario-edicao-192.shtml"><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1252-srespirar3.png" alt="" /></a>out 2003 <a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/sumario-edicao-194.shtml"><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1252-srespirar4.png" alt="" /></a></p>
<p>Recomendada pelos médicos, estudada pelos cientistas, praticada por milhões mundo afora. Conheça essa técnica ancestral de autoconhecimento e tudo o que ela pode fazer por você</p>
<p>Jomar Morais</p>
<p>Na sala vazia e silenciosa, dois monges zen, com seus mantos e cabeças raspadas, estão sentados no chão, lado a lado, pernas cruzadas. Depois de alguns instantes, o mais jovem lança um olhar surpreso e irônico para o mestre. Sereno, o velho monge comenta: &#8220;É só isso, mesmo. Não vai acontecer mais nada&#8221;. Não se trata de uma cena real. É só uma charge publicada na renomada revista americana The New Yorker, brincando com o novo hábito americano de meditar regularmente, como fazem os orientais há milhares de anos. A fina ironia da charge, no entanto, tem a ver com a realidade. Embora singela, a atitude de sentar sobre uma almofada (ficar em posição de lótus exige um preparo de monge) e ficar atento à própria respiração é tão fora de propósito em nossa rotina atabalhoada que é fácil se identificar com o jovem monge, perplexo e irônico, ao encará-la pela primeira vez. Comigo não foi diferente.</p>
<p>Na primeira vez em que me detive a acompanhar o compasso da respiração, o sentimento inicial foi de surpresa. Espantei-me pela rapidez com que tudo caminhou para a inatividade. O turbilhão de pensamentos que ocupava minha mente (uma conta para pagar, uma cena do filme que vi no dia anterior, uma ótima piada para contar aos amigos) foi desaparecendo sem que eu me desse conta. O incômodo da perna dormente, pressionada pela flexão, logo foi substituído por um inesperado prazer, prazer de simplesmente respirar. Então, de repente, foi como se tudo houvesse parado nos primeiros segundos depois de acordar, aqueles instantes em que você se sente presente e alerta, mas com a cabeça vazia. Enfim, aqueles poucos segundos do dia em que nada acontece.</p>
<p>Foi então que tudo ficou meio irônico: o êxtase, o delicioso estranhamento que entupiu meus sentimentos, acabou em um segundo! E no instante seguinte todos os pensamentos voltaram: a conta, o filme, a piada e mais um monte de coisas. Rindo comigo mesmo, me perguntei – talvez como um jovem monge perplexo e desconfiado – se não haveria algo mais divertido para fazer naquele instante. Mas logo me peguei novamente de olhos fechados.</p>
<p>Quer dizer que meditar é só parar e não pensar em nada? É. Como afirmam os especialistas, é um não-fazer. Mas, acredite, não é fácil. Não para ocidentais como eu e você, acostumados com a idéia de que, para resolver um assunto, o primeiro passo é pensar bastante nele. Na meditação, a idéia é exatamente o oposto: parar de pensar, por mais bizarro que isso pareça.</p>
<p>A novidade é que, mesmo parecendo alienígena, a meditação conquista cada vez mais adeptos no Ocidente. Dez milhões de americanos meditam regularmente em casa e em hospitais, escolas, empresas, aeroportos e até em quiosques de internet. Entre os milhões de meditadores americanos estão celebridades de grosso calibre, como o dirigente da Ford, Bill Ford, e o ex-vice-presidente Al Gore. No Brasil, a exemplo da Hollywood dos anos 90, a meditação entrou para a rotina de estrelas – como a atriz Christiani Torloni e a apresentadora Angélica, que recorreu à prática para livrar-se de uma crise de síndrome do pânico – e virou ferramenta diária de produtividade em empresas e até em alguns círculos do poder. O prefeito de Recife, João Paulo, por exemplo, só inicia o expediente após meditar por alguns minutos.</p>
<p>Mas como é que algo assim, na contramão do pragmatismo moderno, consegue empolgar tanta gente? Como pode haver gente capaz de pagar caro para participar de sessões de meditação – ou seja, para ficar sentado em silêncio em uma sala quase sem móveis?</p>
<p>Sem dúvida há muita gente desiludida com o modo de vida ocidental (a destruição do meio ambiente, a vida cada vez mais solitária das grandes cidades e a competição pelo ganha-pão). Mas esse contingente não é capaz de explicar, sozinho, a explosão da meditação. A verdade é que a ciência resolveu se debruçar sobre os efeitos dessa prática, e as notícias dos laboratórios de pesquisa cada vez convencem mais pessoas a relaxar em posição de lótus.</p>
<p>O principal resultado dessas pesquisas pode ser resumido em duas palavras: meditação funciona. Ou seja, por mais estranho que pareça aos ratos de academia que se esfalfam em exercícios para melhorar a capacidade cardiorrespiratória, não fazer nada por alguns minutos diariamente tem efeitos palpáveis, reais e mensuráveis no corpo. E o melhor: só apareceram efeitos positivos (pelo menos até agora). Ou seja, aquilo que os adeptos da tradicional medicina chinesa e os mestres budistas viviam repetindo (com um sorriso bondoso no rosto) começa a ser comprovado por alguns renomados centros de pesquisa ocidentais, como as universidades Harvard, Columbia, Stanford e Massachusetts, nos Estados Unidos, e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no Brasil.</p>
<p>É difícil listar as descobertas porque as pesquisas sobre a meditação alcançaram a maioridade recentemente. Mais precisamente no ano 2000, quando o líder do budismo tibetano, o Dalai Lama (sempre ele), encontrou-se com um grupo de psicólogos e neurologistas na Índia e sugeriu que os cientistas estudassem um time de craques em meditação durante o transe, para ver o que ocorria com seus corpos. Os cientistas abraçaram o desafio e, desde então, as pesquisas não param de produzir surpresas. Já se sabe, por exemplo, que meditar afeta, de fato, as ondas cerebrais. Sabe-se também que isso tem efeitos positivos sobre o sistema imunológico, reduz a tensão e alivia a dor. &#8220;Três décadas de pesquisas mostraram que a meditação é um bom antídoto ao estresse&#8221;, diz o jornalista e psicólogo americano Daniel Goleman, autor dos livros Inteligência Emocional e Como Lidar com as Emoções Destrutivas, este o relato do encontro dos cientistas com o Dalai Lama.</p>
<p>&#8220;Agora, o que está mira dos pesquisadores é saber como a meditação pode treinar a mente e reformatar o cérebro&#8221;, afirma Daniel.</p>
<p>A piada dos dois monges, lá no início desta reportagem, não é gratuita. Afinal, faz séculos que se pratica meditação no Oriente, por recomendação religiosa (veja quadro sobre as meditações religiosas na página 62). O detalhe é que agora a orientação também é médica. Nos anos 70, quando a prática começou a se espalhar pelo Ocidente, impulsionada pelo movimento hippie, o cantor e compositor brasileiro Walter Franco cantava que tudo era uma questão de &#8220;manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo&#8221;. Hoje, os versos de Walter poderiam fazer parte de uma receita médica, de um treinamento em uma grande empresa ou até mesmo de um programa para a recuperação de presos.</p>
<p>&#8220;Focalizar a atenção no mundo interior, como se faz na meditação, é uma situação terapêutica&#8221;, diz o psicólogo José Roberto Leite, coordenador do instituto de medicina comportamental da Unifesp. &#8220;Queremos avaliar o alcance dessa prática e isolá-la de seu aspecto supersticioso.&#8221; Por trás dessa intenção está o fato de que as causas de doenças mudaram muito nos últimos 100 anos. No passado, os males eram causados principalmente por microorganismos. As pessoas morriam de poliomielite, de sarampo, de varíola e outras doenças causadas por bactérias e vírus. Mas isso mudou, graças às melhorias em saneamento e à criação de antibióticos e vacinas. &#8220;Hoje, a maioria das doenças é causada por coisas como hipertensão, obesidade e dependência química, que estão ligadas a padrões inadequados de comportamento&#8221;, diz José Roberto. Ou seja, o que mata hoje são os maus hábitos.</p>
<p>E são esses maus hábitos que se pretende combater pela meditação, também conhecida pelo pomposo nome de &#8220;prática contemplativa&#8221;. Apaziguar a mente, os cientistas estão descobrindo agora, pode reduzir o nível de ansiedade e corrigir comportamentos pouco saudáveis. O cardiologista Herbert Benson, da Universidade Harvard, um dos maiores pesquisadores da meditação e do poder das crenças na promoção da saúde, chega a estimar em seu livro Medicina Espiritual que 60% das consultas médicas poderiam ser evitadas se as pessoas apenas usassem a mente para combater as tensões causadoras de complicações físicas.</p>
<p>Mas, afinal, como é que se medita e o que acontece durante a prática contemplativa? Bem, há um leque de modalidades para quem deseja meditar, mas a receita básica é a mesma: concentração. Vale concentrar-se na respiração, uma imagem (um ponto ou uma imagem de santo), um som ou na repetição de uma palavra (o famoso mantra, como &#8220;ohmmm&#8221;, por exemplo). Parar de pensar equivale a ficar quase que exclusivamente no presente. Faz sentido. Os pensamentos são feitos basicamente de duas substâncias: as idéias e experiências que ouvimos, vivemos ou aprendemos no passado e os planos e apreensões que temos para o futuro. É naqueles raros momentos em que o meditador consegue livrar-se desses ruídos que surgem os sentimentos comuns nas descrições de iogues famosos: sensação de estar ligado com o Universo ou ter uma superconsciência do mundo. Meditar é, portanto, concentrar-se em cada vez menos coisas, inibindo os sentidos e esvaziando a mente. Tudo isso sem perder o estado de alerta, ou seja, sem dormir.</p>
<p>Mas como saber se deu certo? Como saber se você meditou? Essa é a melhor parte da história: não há nota ou avaliação. A não ser que você medite plugado em um aparelho de eletroencefalograma para saber se suas ondas cerebrais se alteraram. Como isso é pouco prático, a melhor medida para seu desempenho é você mesmo. Só você pode dizer o que sentiu e se foi bom.</p>
<p>BIOLOGIA DO ZEN</p>
<p>Os efeitos da meditação sobre o corpo são surpreendentes. Nos primeiros estudos sobre a meditação, na década de 60, o cardiologista Benson, de Harvard, e outros pesquisadores submeteram meditadores a experimentos nos quais a pressão arterial, os ritmos cerebrais e cardíacos e mesmo a temperatura da pele e do reto eram monitorados. Constatou-se então que, enquanto meditavam, eles consumiam 17% menos oxigênio e seu ritmo cardíaco caía para incríveis três batimentos por minuto (a média para pessoas em repouso é de 60 b.p.m.). Isso acontecia quando as ondas cerebrais alcançavam o ritmo teta, mais lento e poderoso, no qual a mente atingiria o estado de &#8220;superconsciência&#8221; relatado pelos iogues e caracterizado por insights e alegria.</p>
<p>As ondas teta vibram a apenas quatro ciclos por segundo. Para se ter uma idéia, quando estamos ativos o cérebro emite ondas beta, de oscilação em torno de 13 ciclos por segundo. Você conhece essa sensação causada pelas ondas teta. É aquele embotamento dos sentidos que surge nos segundos que antecedem o sono. Naquele momento, nosso cérebro funciona no ritmo teta. Mas os meditadores pesquisados não estavam dormindo. Ao contrário, estavam bem acordados e serenos.</p>
<p>Mais tarde, percebeu-se também que no momento da meditação o fluxo sanguíneo diminuía em quase todas as áreas cerebrais, mas aumentava na região do sistema límbico, o chamado &#8220;cérebro emocional&#8221;, responsável pelas emoções, a memória e os ritmos do coração, da respiração e do metabolismo. O cardiologista Benson, que escreveu um clássico sobre o tema nos anos 90 – A Resposta do Relaxamento – , tomou emprestado um pouco da humildade oriental e disse que seu trabalho se resumiu a explicar biologicamente técnicas conhecidas há milênios.</p>
<p>Desde então, uma série de novas pesquisas, respaldadas em imagens da intimidade neurológica feitas por tomógrafos sofisticados que retratam o cérebro em funcionamento, levantou o véu sobre outros segredos. Um dos estudos mais abrangentes e reveladores foi realizado por Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A idéia era registrar o que ocorre com o cérebro quando se alcança o clímax em práticas místicas como a meditação e a oração. Newberg rastreou a atividade cerebral de um grupo de budistas em meditação profunda e de um grupo de freiras franciscanas rezando fervorosamente.</p>
<p>Ele constatou uma significativa alteração no lobo parietal superior, localizado na parte anterior do cérebro e responsável pelo senso de orientação – a capacidade de percepção do espaço e do tempo e da própria individualidade. Segundo as descobertas de Newberg, à medida que a contemplação se torna mais profunda, a atividade na região diminui aos poucos até cessar totalmente no momento de pico, aquele em que o meditador experimenta a sensação de unicidade com o Universo, cerca de uma hora após o início da concentração. Nesse instante, privados de impulsos elétricos, os neurônios do lobo parietal desligam os mecanismos das funções visuais e motoras e o meditador ou devoto perde a noção do &#8220;eu&#8221; e sente-se prazerosamente expandido, além de qualquer limite. É o nirvana. Ou seja, Newberg registrou em seus aparelhos a imagem de um cérebro literalmente no paraíso.</p>
<p>Mas não é só isso. As imagens revelaram que, durante a experiência, os lobos temporais (sede das emoções no cérebro) tiveram sua atividade redobrada, o que explicaria a enorme influência da meditação sobre as emoções e a personalidade dos praticantes. Newberg não teve dúvida em sua conclusão: as sensações de elevação e contato com o divino vivenciadas por budistas e freiras são um fenômeno real, baseado em fatos biológicos.</p>
<p>Mas há quem veja tudo isso com uma certa desconfiança. &#8220;Ao que parece, estamos diante de um fenômeno de marketing&#8221;, disse Richard Sloan, psicólogo do Centro Médico Presbiteriano de Columbia, em Nova York, comentando o encontro do Dalai com os cientistas, há três anos. Segundo Richard, é discutível se o impacto da meditação sobre o sistema nervoso e a saúde tem um efeito profundo e duradouro ou apenas superficial e efêmero. Então, está na hora de conferir o que os estudos dizem a respeito.</p>
<p>MENTE QUIETA, CORPO SAUDÁVEL</p>
<p>A meditação ajuda a controlar a ansiedade e a aliviar a dor? Ao que tudo indica, sim. Nessas duas áreas os cientistas encontraram as maiores evidências da ação terapêutica da meditação, medida em dezenas de pesquisas. Nos últimos 24 anos, só a Clínica de Redução do Estresse da Universidade de Massachusetts monitorou 14 mil portadores de câncer, aids, dor crônica e complicações gástricas. Os técnicos descobriram que, submetidos a sessões de meditação que alteraram o foco de sua atenção, os pacientes reduziram o nível de ansiedade e diminuíram ou abandonaram o uso de analgésicos. Ou seja, eles aprenderam a entender a dor, em vez de combatê-la. Com isso, deixaram de antecipá-la ou amplificá-la por meio do medo de vir a senti-la. Sim, porque boa parte da sensação dolorosa é psicológica, fabricada pelo medo da dor. Resultado: as queixas de dor, segundo o diretor da clínica, Jon Kabat-Zinn, diminuíram, em média, 40%.</p>
<p>No hospital da Unifesp, em São Paulo, a meditação é indicada para pacientes com fibromialgia (dores nos músculos e articulações), fobias e compulsões. Ali, estudo recente dirigido pela doutora em biologia Elisa Harumi Kozasa atestou a melhoria da agilidade mental e motora em ansiosos e deprimidos que, durante três meses, meditaram sob a orientação de instrutores indianos. Outra pesquisa, coordenada pelas psicólogas Márcia Marchiori e Elaine de Siqueira Sales, deve comparar nos próximos meses os efeitos terapêuticos da meditação com os das técnicas de relaxamento físico.</p>
<p>O desempenho antiestresse da meditação, segundo estudos das universidades americanas Stanford e Columbia, acontece porque a mente aquietada inibe a produção de adrenalina e cortisol – hormônios secretados nas situações de estresse – , ao mesmo tempo que estimula no cérebro a produção de endorfinas, um tranqüilizante e analgésico natural tão poderoso quanto a morfina e responsável pela sensação de leveza nos momentos de alegria.</p>
<p>Já parece motivo suficiente para render-se aos mantras, mas tem mais. Investigações realizadas na Universidade Wisconsin, nos Estados Unidos, acrescentaram que meditar também melhora a ação do sistema imunológico, que defende o organismo contra o ataque de microorganismos (bactérias, vírus e outros germes). A experiência comparou dois grupos de voluntários – um constituído de pessoas que meditavam havia alguns meses e o outro de não-meditadores. Primeiro constatou-se que os meditadores tiveram um aumento na atividade da área cerebral relacionada às emoções positivas. Então, ambos os grupos foram vacinados contra gripe e submetidos a medições quatro semanas e oito semanas depois. O pessoal habituado a entoar mantras apresentou um número bem maior de anticorpos, o que sugere que seus sistemas de defesa estavam mais ativos.</p>
<p>Em abril passado, durante um encontro da Associação Americana de Urologia, anunciou-se que a meditação ajuda a conter o câncer da próstata. E alguns pesquisadores relataram que mulheres com câncer de mama que passaram a meditar tiveram elevação no nível de células imunológicas que combatem tumores. Mas essas descobertas estão longe de alcançar a unanimidade entre os cientistas. O psiquiatra americano Stephen Barret, um dos principais críticos às terapias alternativas nos Estados Unidos, desconfia desses resultados. &#8220;Meditar pode aliviar o estresse, mas sua ação nunca irá além disso no tratamento de doenças graves, como o câncer.&#8221; Mesmo um entusiasta da técnica, como Herbert Benson, não descarta os tratamentos ocidentais tradicionais. Para ele, a saúde e a longevidade no mundo moderno serão, cada vez mais, resultado de um tripé formado por remédios, cirurgias e cuidados pessoais, incluindo-se aqui a meditação e todo o poder catalisador das crenças nas reações orgânicas.</p>
<p>O CÉREBRO REPROGRAMADO</p>
<p>Mas ainda há muita coisa para ser descoberta sobre o mantra e os pesquisadores estão debruçados sobre os meditadores, tentando entender como é que um ato tão simples causa tantas modificações. Estudos como o de Wisconsin, que ligam disciplina mental a emoções positivas e ao bom desempenho do sistema imunológico, atiçam o interesse dos cientistas em avaliar o real poder da meditação na reformatação das funções cerebrais. E o que eles estão descobrindo é que, com suficiente prática, os neurônios podem reprogramar a atividade dos lobos cerebrais, especialmente a área relacionada à concentração e à orientação.</p>
<p>Não dá para negar que, sobre concentração, o Dalai Lama e os orientais, com sua atenção aos detalhes e sua atenção extrema, têm muito a ensinar aos ocidentais. &#8220;Só há pouco a psiquiatria ocidental reconheceu a existência do transtorno do déficit de atenção (uma síndrome caracterizada pela dificuldade de concentração, baixa tolerância à frustração e impulsividade), mas há milhares de anos tradições como o budismo afirmam que todos sofremos desse distúrbio com mais ou menos intensidade&#8221;, diz o psiquiatra Roger Walsh, da Universidade da Califórnia em Irvine.</p>
<p>A possibilidade de alterar em profundidade o cérebro, apenas meditando, talvez possa no futuro ajudar a prevenir ou a superar complicações vasculares a custo bem mais baixo que o das cirurgias. Ou a romper condicionamentos e redirecionar as mentes de indivíduos anti-sociais – o que, aliás, vem sendo testado com relativo êxito. Numa experiência na Kings County North Rehabilitation Facility, penitenciária próxima a Seattle, nos Estados Unidos, um grupo de prisioneiros condenados por crimes relacionados ao consumo de droga e álcool praticou vippassana (meditação budista com foco inicial na respiração, seguida de análise existencial) 11 horas por dia durante dez dias. Após voltarem para casa, apenas 56% deles reincidiram na criminalidade no prazo de dois anos, um índice considerado bom comparado aos 75% de reincidência entre os que não meditaram.</p>
<p>Já na Universidade Cambridge, nos Estados Unidos, um estudo constatou a redução de até 50% nas recaídas de pacientes com depressão crônica que passaram a meditar regularmente. A doença é acompanhada por uma diminuição no nível do serotonina no cérebro, processo geralmente revertido com o uso de antidepressivos, como Prozac. A meditação aumenta a produção desse neurotransmissor, funcionando como um antidepressivo natural. Em Cotia, em São Paulo, um programa de meditação para crianças carentes, conduzido pela monja Sinceridade no Templo Zu Lai (sede da primeira universidade budista do país), tem resultado em mudanças no comportamento de 128 meninos de favelas. &#8220;Eles melhoraram significativamente a concentração. E a convivência social com eles tornou-se mais tranqüila&#8221;, diz ela.</p>
<p>FAST FOOD MENTAL?</p>
<p>Toda essa popularidade, porém, não permite afirmar que a meditação continuará mantendo alguma identidade com a prática ancestral do Oriente. Além de sua gradual transformação em técnica laica, ocorre neste momento uma rápida adaptação do modo de usá-la ao estilo de vida ocidental.</p>
<p>Em vez de contemplações que duram uma eternidade (você aí teria pique para ficar quatro horas sentado no chão, imóvel, como faz diariamente o Dalai Lama?), tornou-se padrão a meditação de 20 minutos duas vezes ao dia. Ainda assim, isso parece exigir uma boa dose de sacrifício de inquietos habitantes de metrópoles como Nova York e São Paulo. No próximo ano, o autor Victor Davich lançará nos Estados Unidos o livro Eight Minutes that Will Change your Life (&#8220;Oito Minutos que Mudarão sua Vida&#8221;) no qual defenderá um tipo de meditação &#8220;fast food&#8221; de não mais que oito minutos. Segundo ele, esse é o tempo que os americanos estão acostumados a se concentrar diariamente: os blocos de programas de TV duram exatamente isso, entre um comercial e outro. Da mesma forma, os mantras sonoros em sânscrito das meditações místicas foram substituídos por mantras mentais, baseados em palavras escolhidas ao acaso.</p>
<p>Tais ajustes são vistos com reservas por iogues, praticantes tradicionalistas e até instrutores mais liberais, como a americana Susan Andrews, para quem é saudável tirar a meditação &#8220;das nuvens do esoterismo&#8221; e aproximá-la da ciência. &#8220;Relaxamento e pensamento positivo são efeitos colaterais da meditação, não sua meta&#8221;, diz Susan. &#8220;O grande alvo é atingir a hiperconsciência, o samadhi, aquele estado de plenitude, iluminação e êxtase indescritível.&#8221; A questão é que para chegar lá o meditador precisa deixar de lado a idéia de que meditar não implica qualquer esforço, cuidando de manter a concentração firme e afinada por pelo menos uma hora. E isso, admitamos, é algo que também exige um preparo de monge.</p>
<p>Sentado</p>
<p>No chão ou em uma cadeira, mantenha a coluna ereta e concentre-se nos movimentos da respiração, observando a entrada e a saída do ar pelas narinas. Se preferir, concentre-se num mantra, que pode ser qualquer palavra, uma frase ou apenas um murmúrio. Repita seu mantra a cada expiração. Fechar os olhos pode ajudar. Se ficar de olhos abertos, concentre o olhar em um ponto.</p>
<p>Em pé</p>
<p>Posicione-se junto a uma fileira de árvores e tente se sentir como uma delas. Concentre-se na respiração e imagine seus pés desenvolvendo raízes no chão.</p>
<p>Caminhando</p>
<p>É uma boa saída para quem, por algum motivo, não consegue ficar imóvel. O segredo é focar as pisadas, vendo-as como um todo ou como segmentos do movimento, que pode ser lento ou acelerado. Melhor caminhar em círculo, sem a expectativa de um ponto de chegada.</p>
<p>Visualização</p>
<p>Crie uma imagem significativa para você – pode ser um símbolo religioso ou uma paisagem – e concentre-se nela.</p>
<p>Hinduísmo</p>
<p>Textos sagrados do período védico, entre 2000 e 3000 a.C., fazem referências a mantras e contemplações. A meditação é uma das principais práticas do conjunto de escolas religiosas da Índia conhecido como hinduísmo.</p>
<p>Budismo</p>
<p>Foi meditando debaixo de uma figueira que o príncipe Sidarta Gautama alcançou a iluminação, por volta de 588 a.C., tornando-se o Buda. Prática fundamental no budismo, a meditação é vista, sobretudo, como um método de examinar a realidade pessoal e eliminar condicionamentos.</p>
<p>Cristianismo</p>
<p>Os chamados padres do deserto, da região de Alexandria, no Egito, é que consolidaram a meditação como hábito cristão no século 4. A prática, disseminada nos monastérios, desde o século passado vem sendo adotada por cristãos leigos.</p>
<p>Judaísmo</p>
<p>Os praticantes da Cabala, tradição esotérica judaica, difundiram a meditação entre seus adeptos na Europa, por volta do ano 1000, como uma forma de entrar em comunhão com Deus.</p>
<p>Islamismo</p>
<p>Também por volta do ano 1000, os sufis, que constituem o segmento místico dos muçulmanos, incorporaram a meditação aos seus rituais, os quais incluem o êxtase místico por meio da dança.</p>
<p>Independentes</p>
<p>Em 1967, um encontro dos Beatles com o guru Maharishi Mahesh Yogi iniciou a expansão da meditação transcendental no Ocidente e o florescimento de uma infinidade de gurus e técnicas meditativas que, desde então, atraem adeptos em toda parte.</p>
<p>Na livraria</p>
<p>A Mente Alerta, Jon Kabat-Zinn, Objetiva, Rio de Janeiro, 2001</p>
<p>Meditação e os Segredos da Mente, Susan Andrews, Instituto Visão Futuro, Porangaba, 2001</p>
<p>Why God Won´t Go Away, Andrew Newberg, Ballantine, Nova York, 2001</p>
<p>Yoga, Caco de Paulo e Marcia Bindo, São Paulo, Superinteressante, 2002</p>
<p>A Resposta do Relaxamento, Herbert Benson, Nova Era, 1995</p>
<p>Medicina Espiritual, Herbert Benson, Campus, Rio de Janeiro, 2003</p>
<p>Na internet</p>
<p>www.dharmanet.com.br</p>
<p>www.yoga.pro.br</p>
<p>www.mindandlife.org</p>
<p>fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_299306.shtml</p>
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		<title>Meditar em prol da paz</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 12:51:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

nov 2002 
O monge Laurence Freeman acredita que a disciplina espiritual conquistada com a meditação pode diluir o sentimento de violência
Maria Fernanda Vomero
Antes de se tornar um monge beneditino, o inglês Laurence Freeman foi jornalista, teve emprego em um banco de investimentos e passou seis meses trabalhando no escritório da Organização das Nações Unidas (ONU), [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=318&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1251-meditarempr1.png" alt="" /></p>
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<p>O monge Laurence Freeman acredita que a disciplina espiritual conquistada com a meditação pode diluir o sentimento de violência</p>
<p>Maria Fernanda Vomero</p>
<p>Antes de se tornar um monge beneditino, o inglês Laurence Freeman foi jornalista, teve emprego em um banco de investimentos e passou seis meses trabalhando no escritório da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, como assistente do embaixador inglês. Em seu currículo, consta também um mestrado em Literatura Inglesa na Universidade de Oxford. Quando o monge John Main – que havia sido seu professor no colégio beneditino – criou um centro de meditação cristã para leigos em Londres, em 1975, Laurence resolveu participar da experiência. Passou seis meses no mosteiro aprendendo a meditar. &#8220;No fim daquele período, quando eu pensava em voltar para o meu trabalho como jornalista e para a vida acadêmica, já não conseguia sentir entusiasmo&#8221;, diz. Ao mesmo tempo, a vida contemplativa dos monges o deixou encantado. &#8220;Levei o verão todo para decidir o que fazer. A meditação foi o começo de uma longa jornada espiritual.</p>
<p>Como eu era um aprendiz vagaroso e indisciplinado, resolvi me tornar monge para continuar aquela jornada.&#8221; Em viagens e retiros espirituais pelo mundo, Dom Laurence divulga a prática meditativa como maneira de promover a paz. Ele é o guia espiritual da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã, que reúne 27 centros de meditação e mais de uma centena de grupos presentes em mais de 50 países, inclusive no Brasil. Numa das visitas a São Paulo, Dom Laurence conversou com a Super.</p>
<p>Super – Qual a importância da prática da meditação?</p>
<p>A meditação é importante nos dias de hoje por causa do desequilíbrio das nossas vidas. Vivemos numa velocidade muito alta, sempre lutando contra o tempo. Gradualmente, vamos perdendo o contato com o centro do nosso ser, onde experimentamos paz, alegria, amor e os sentimentos essenciais para estarmos bem. Dia desses, em Londres, eu buscava um lugar para estacionar o carro. Ao virar a esquina, achei uma vaga e fiz uma manobra. Um ciclista que estava atrás de mim teve que desviar bruscamente. Não aconteceu nada grave, mas percebi que ele me seguia para tirar satisfações. E me xingava, gritando. Voltei-me para ele, pedi desculpas e perguntei o que poderia fazer para ajudá-lo. Ele ficou tão surpreso – afinal, esperava uma reação nervosa da minha parte – que disse apenas: &#8220;Prometa que nunca mais fará isso&#8221;. Foi engraçado, mas preocupante. O rapaz sentia uma raiva profunda, não somente por causa da fechada no trânsito. Era uma vontade de brigar, uma infelicidade intensa. Se falta paz dentro de cada um, imagine na sociedade como um todo.</p>
<p>A meditação pode resgatar essa paz interior?</p>
<p>Certamente. Note como, na sociedade, existe uma certa obsessão pela violência, mesmo nos momentos de lazer, em filmes e jogos. Por causa das condições da vida moderna, não temos tempo de estar em contato com as fontes de paz e alegria dentro de nós mesmos. Por isso, é fundamental ter uma disciplina espiritual, como a meditação. Sem esse contato profundo consigo mesmo, o indivíduo morre como ser humano. Hoje há um grande interesse no autoconhecimento. As pessoas querem saber mais sobre si mesmas, buscam os psicólogos. Isso é útil e proveitoso, afinal precisamos nos conhecer bem para viver com qualidade. As tradições religiosas, contudo, entendem o autoconhecimento de uma maneira bem mais profunda. Não se trata somente de saber algo mais sobre a própria personalidade, mas de estar em contato com o profundo de nós mesmos, onde Deus está. A tradição cristã sempre ensinou que conhecer-se verdadeiramente é conhecer a Deus.</p>
<p>A meditação sempre esteve presente na tradição cristã?</p>
<p>Sim, mas não tem sido central na vida espiritual diária dos cristãos. Durante muito tempo, a Igreja Católica ocidental envolveu-se em questões seculares e esteve preocupada com sua dimensão externa e com a conversão dos pagãos. Perdeu, aos poucos, sua vida interior e contemplativa. Nos séculos XVI e XVII, a contemplação foi marginalizada e a meditação acabou restrita a monges, padres e freiras. Nos últimos 50 anos, porém, vários monges católicos retomaram a tradição meditativa e formaram comunidades para estimular essa prática.</p>
<p>Há diferenças entre a meditação cristã e a budista?</p>
<p>Tanto diferenças quanto similaridades. A meditação é uma prática espiritual presente em diversas tradições religiosas. Pode ser definida como um jornada da mente para o coração. Você sai de uma atividade consciente para uma vivência espiritual. Conseguimos isso com muita disciplina, estando tranqüilos e silenciosos. Na prática, tanto cristãos quanto budistas vivem essa mesma experiência espiritual e os frutos são iguais: paz, alegria, paciência, bondade etc. Mas o significado da experiência meditativa é diferente. Nós, cristãos, acreditamos que, ao meditar, rezamos como Jesus Cristo rezava. Ele tinha tanto os momentos de contemplação profunda quanto de compromisso com os semelhantes. A ação concreta é resultado dessa viagem interior.</p>
<p>O senhor é um grande defensor do diálogo inter-religioso. Um exemplo foi o programa The Way of Peace (O Caminho da Paz), com o Dalai Lama. Como o senhor avalia a experiência?</p>
<p>Foi um programa que durou três anos, de 1998 a 2000. Queríamos explorar o diálogo entre budistas e cristãos, por meio da meditação, em três diferentes caminhos: uma peregrinação, um retiro espiritual e um trabalho conjunto pela paz. No primeiro ano, estivemos com o Dalai Lama em Bodhgaya, na Índia, um lugar sagrado para o budismo. No ano seguinte, o diálogo foi num retiro na Itália. E, por fim, fomos a Belfast, na Irlanda do Norte, refletir sobre a amizade entre as religiões e o processo de paz. Quisemos mostrar que a amizade espiritual entre budistas e cristãos, via meditação, podia colaborar para a solução dos conflitos entre católicos e protestantes. Em outras palavras, a amizade espiritual, em profundidade, contribui de modo poderoso para a paz entre as pessoas. Acho que fomos bem-sucedidos. Tivemos encontros com políticos, líderes religiosos, jovens e vítimas da violência. O Way of Peace continua com encontros anuais, quando refletimos sobre a ligação entre a meditação e o processo de paz. Tentamos mostrar que a violência não leva a lugar algum.</p>
<p>Como explicar os conflitos justificados pela religião?</p>
<p>Todas as religiões, em sua origem, pregam o amor e a paz. Se estimulam o conflito, alguma coisa está errada. Hoje há uma grande confusão entre fé e crenças. A fé é a capacidade humana para transcender, ou seja, para estabelecer um relacionamento profundo com Deus. Cada um descreve sua experiência de fé de um jeito diferente. As crenças são justamente o modo de expressar essa fé, conforme a tradição, os costumes e a cultura. Se nos apoiamos somente nas nossas crenças e esquecemos a fé, todos aqueles que têm uma crença diferente se tornam inimigos. Daí as divisões dentro da própria Igreja e entre os diversos grupos religiosos, as inimizades, os confrontos. A oração precisa ser profunda, senão a religião se torna perigosa.</p>
<p>Como a meditação contribui para o processo de paz no mundo?</p>
<p>Ela nos deixa conscientes das sementes de violência que estão dentro de nós: perda ou rejeição, tristeza, raiva. Assim, podemos corrigi-las precocemente. A meditação também nos coloca em contato com um espaço interior comum a todos os homens. Quando o indivíduo se sente parte desse &#8220;espaço de humanidade&#8221;, entende que é possível partilhar com os demais. Essa é a base da cooperação, da existência pacífica.</p>
<p>• Monge beneditino do mosteiro de Cristo Rei em Cockfosters, Londres.</p>
<p>• Tem 51 anos e é autor de seis livros sobre meditação cristã.</p>
<p>• Gosta de ler romances e, quando vem ao Brasil, aprecia correr ao longo da praia de Copacabana, no Rio.</p>
<p>&#8220;A meditação nos deixa conscientes das sementes de violência que estão dentro de nós&#8221;</p>
<p>Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_260444.shtml</p>
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		<title>A psicanálise no divã</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 12:49:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Meditação na mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[

out 2002 
Cada vez mais pessoas estão trocando o analista por medicamentos, novos tratamentos psicológicos e terapias alternativas para aliviar o sofrimento da mente. Será que as idéias de Freud estão morrendo?
Rodrigo Cavalcante / Alceu Nunes
Freud explica&#8221; é um dos grandes clichês do século XX. Mesmo quem nunca leu sequer um parágrafo dos mais de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=311&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p><a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/sumario-edicao-180.shtml"><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1249-apsicanlise3.png" alt="" /></a>out 2002 <a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/sumario-edicao-182.shtml"><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1249-apsicanlise4.png" alt="" /></a></p>
<p>Cada vez mais pessoas estão trocando o analista por medicamentos, novos tratamentos psicológicos e terapias alternativas para aliviar o sofrimento da mente. Será que as idéias de Freud estão morrendo?</p>
<p>Rodrigo Cavalcante / Alceu Nunes</p>
<p>Freud explica&#8221; é um dos grandes clichês do século XX. Mesmo quem nunca leu sequer um parágrafo dos mais de 20 livros do fundador da psicanálise já esbarrou com termos como complexo de Édipo, desejos reprimidos, inveja do pênis, símbolos fálicos, ego, id e superego. A figura do gênio de cabelos grisalhos, barba bem aparada, com seu sugestivo charuto e um olhar que parece penetrar nas profundezas da alma humana faz parte do inconsciente de nossa época. Aliás, a própria noção do inconsciente está para Freud como a Teoria da Relatividade para Einstein ou a evolução para Darwin. Ainda hoje, pessoas em todo o mundo se submetem ao mesmo ritual que ele desenvolveu para tratar dos males da mente: vão a um especialista, sentam-se num móvel acolchoado e começam a falar.</p>
<p>Apesar de tão popular, a psicanálise (nome que Freud deu a esse método, em 1896), nunca foi alvo de tantas críticas como nos últimos anos. Neurologistas e estudiosos da mente dizem que boa parte dela está mais próxima da ficção do que da ciência e que as obras de Freud hoje não passam de boa literatura (ele escrevia muito bem). Psicólogos sociais acusam a ênfase dada por Freud às relações familiares e à sexualidade como modelos limitados de interpretação do sofrimento psíquico, propondo novos caminhos para cuidar dos problemas existenciais. Contribuindo para esvaziar ainda mais os consultórios dos psicanalistas, milhares de pessoas procuram alívio para o sofrimento da alma em psicoterapias não-freudianas e até mesmo na filosofia oriental e na redescoberta da própria espiritualidade.</p>
<p>&#8220;Só quem tem pouco bom senso levaria hoje a sério a maioria das idéias de Freud&#8221;, diz a psicóloga Sophie, professora da Faculdade Simmons, em Boston, nos Estados Unidos. Sua declaração seria mais uma dentre o coro de críticos de Freud, não fosse por um detalhe importante. O último nome de Sophie é Freud. Isso mesmo: a neta do fundador da psicanálise disse à Super que é bastante cética diante das teorias do avô e acha que pouca coisa de suas teses ainda pode ser considerada.</p>
<p>Não é a primeira vez que Sophie faz críticas à psicanálise. Em 1995, ela participou, junto com diversos críticos de Freud, nos Estados Unidos, de uma manifestação contra o tom &#8220;adulatório&#8221; de uma exposição sobre seu avô que seria inaugurada naquele ano, na Biblioteca do Congresso Americano. Além de ser adiada para 1998, quando finalmente foi aberta, a exposição incorporou uma &#8220;visão mais crítica de Freud&#8221; e foi um indício de que os ataques à psicanálise não iriam parar por aí.</p>
<p>Poucos desses críticos deixam de reconhecer, é claro, a genialidade e o pioneirismo do pensador austríaco. Mas isso não os impede de atingir em cheio a psicanálise ao contestarem sua validade atual como tratamento clínico da mente. &#8220;Não há nenhuma prova de que os seus resultados sejam eficazes&#8221;, diz a neta de Freud. &#8220;A psicanálise se tornou uma espécie de religião.&#8221; Como o tratamento pode ser prolongado por anos, exigindo sessões semanais, ela ainda teria o inconveniente de ser uma religião muito cara.</p>
<p>Afinal, vale ou não a pena pagar por anos de análise? Os psicanalistas afirmam que sim e rebatem as críticas dizendo que elas são típicas de uma época em que as pessoas querem resolver seus problemas existenciais na farmácia, como se fosse possível encontrar a felicidade em cartelas de antidepressivos, como o Prozac. O problema com as drogas é que elas atuariam nos sintomas e não nas causas do sofrimento psíquico. Passado o efeito do medicamento, todas as insatisfações voltariam porque seus nós não teriam sido desatados. &#8220;Ninguém tem dúvidas de que muitas das novas drogas podem aliviar os sintomas de diversas doenças da mente&#8221;, diz Peter Gay, psicanalista, historiador, professor emérito da Universidade de Yale e autor da famosa biografia Freud: Uma Vida para o Nosso Tempo. &#8220;Mas elas não podem curar ninguém. A técnica do tratamento pela fala, criação de Freud, é e permanecerá essencial.&#8221; (Veja as principais idéias de Freud e suas críticas na página ao lado.)</p>
<p>Talvez seja cedo para afirmar se, no futuro, Freud será mais lembrado como o médico que inventou um tratamento revolucionário para as doenças mentais ou como um dos 26 autores mais importantes da literatura, na seleção que o crítico literário Harold Bloom fez em seu livro O Cânone Ocidental.</p>
<p>O próprio Freud, em alguns de seus textos, aventou a possibilidade de que um dia a psicanálise talvez fosse deixada para trás, substituída por um novo tratamento. A única coisa certa é que, para continuar mantendo seu grau de influência, ela terá que responder aos seus principais concorrentes do início do século XXI.</p>
<p>Freud x neurociência</p>
<p>Pouca gente sabe, mas antes de criar a psicanálise o próprio Freud passou anos de sua vida tentando entender o funcionamento da fisiologia do cérebro e como ele poderia desencadear os distúrbios mentais, igualzinho a qualquer neurocientista moderno. Entre 1882 e 1885, Freud trabalhou com pacientes que sofriam de lesão cerebral no Hospital Geral de Viena, já tendo pesquisado o sistema nervoso de lampréias e lagostins. Então por que boa parte dos neurocientistas atuais vive criticando suas idéias?</p>
<p>&#8220;Não se trata de uma crítica a Freud, trata-se de reconhecer que os modelos da psicanálise não se encaixam com o que sabemos hoje sobre o funcionamento do cérebro&#8221;, diz o neurocientista Ivan Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. &#8220;Sabe-se hoje que doenças como a esquizofrenia, que no passado era relacionada a um trauma psicológico, têm origem orgânica.&#8221; Izquierdo diz que diversos estudos revelam que os pacientes esquizofrênicos têm um déficit anatômico na região do nosso cérebro que fica logo abaixo da testa, conhecida como córtex pré-frontal.</p>
<p>Esse déficit geraria uma falha na chamada memória de trabalho (a memória usada para nos orientar no aqui e agora), fazendo com que o esquizofrênico perceba a realidade como alucinação. &#8220;Para controlar os mecanismos que disparam essas alucinações, a medicação é fundamental&#8221;, diz o neurocientista. &#8220;Utilizar o modelo freudiano para tentar curar alguns desses distúrbios pode ser tão inútil quanto tentar encontrar um erro num programa de computador quando a base do problema está na máquina.&#8221;</p>
<p>Máquina? Não seria uma simplificação comparar um homem a um computador, traçando uma linha clara entre um hardware, formado pelo cérebro e suas interações químicas, e um software, constituído por nossas emoções, pensamentos e experiências de vida? Izquierdo diz que é claro que a divisão não é tão simples e há uma série de interações entre as predisposições orgânicas e história de vida. &#8220;Se você tem uma tendência para a depressão, por exemplo, é óbvio que ela vai estar associada a algumas passagens de sua vida&#8221;, diz Izquierdo. &#8220;Mas a predisposição já estava lá, enquanto outras pessoas, com experiências semelhantes, reagem de outra forma apenas por não terem a mesma tendência.&#8221;</p>
<p>Ele diz que isso não significa que um evento como a perda de uma pessoa querida ou um trauma de guerra não possa causar um distúrbio numa pessoa normal. &#8220;É claro que pode&#8221;, diz Izquierdo. Mas mesmo nesses casos, conhecidos como síndrome pós-trauma, ele diz que a psicanálise freudiana nem sempre é útil e às vezes pode até ter efeito negativo. &#8220;Trabalhar com a memória nesses casos pode despertar sensações terríveis que agravam o estado do paciente&#8221;, diz.</p>
<p>&#8220;É claro que é fundamental fazer algum tratamento psicológico, mas outras terapias não-freudianas podem ser mais indicadas.&#8221;</p>
<p>Apesar de reconhecer a importância do legado de Freud com a criação do tratamento pela fala – disseminado em quase todas as terapias –, Izquierdo diz que usar conceitos como o de complexo de Édipo para entender a psique é quase tão gratuito como era, no tempo de Jesus, dizer que um epilético estava possuído pelo demônio. &#8220;A psicanálise está cheia de metáforas que podem até ser úteis para descrever algumas condições humanas&#8221;, diz Izquierdo. &#8220;Mas útil não quer dizer verdadeiro.&#8221; Então como explicar o depoimento de milhares de pessoas que atestam que a análise freudiana mudou suas vidas para melhor?</p>
<p>O neurocientista Renato Sabattini, da Unicamp, diz ter a resposta para essa pergunta: &#8220;A psicanálise funciona, sim. Mas não pela validade de suas teorias, e sim pelo efeito placebo que a fala tem no tratamento de distúrbios da mente&#8221;. Sabattini diz que em casos de depressão e ansiedade esse efeito pode ter resultados favoráveis de até 40%.</p>
<p>Já em casos em que a origem orgânica seria mais evidente, como na esquizofrenia, os resultados seriam menores, cerca de 20%. &#8220;Não se trata de negar o óbvio benefício que ouvir o paciente pode trazer&#8221;, diz</p>
<p>Sabattini. &#8220;Trata-se de reconhecer que não há nenhuma base científica que sustente a psicanálise.&#8221;</p>
<p>Como exemplo, ele cita o papel que Freud deu aos sonhos em seu livro</p>
<p>A Interpretação dos Sonhos, um marco na história da psicanálise, escrito em 1900. Para Freud, o conteúdo do sonho, por mais absurdo que possa parecer ao senso comum, estaria repleto de desejos inconscientes que poderiam ser identificados pela interpretação do analista. &#8220;Se você sonhasse com alguns objetos fálicos, isso poderia significar desejos sexuais implícitos, o que era típico da sociedade em que ele viveu&#8221;, diz Sabattini. &#8220;Hoje, se um sujeito passa muito tempo sem um contato sexual, ele não sonha com objetos que lembram órgãos sexuais. Ele sonha com sexo explícito.&#8221; Sabattini diz que a neurociência pode mostrar apenas que o sonho funciona como uma espécie de organizador do cérebro e diz que animais que são privados de entrar no estado de sono REM, responsável pelo sonho, passam a ter inúmeros problemas, como déficit de aprendizado.</p>
<p>&#8220;É claro que, se você procurar, pode encontrar no seu sonho padrões e significados para o que quiser&#8221;, diz Sabattini. &#8220;Da mesma forma que você pode dar inúmeros significados a um quadro abstrato numa exposição de arte moderna.&#8221; Mas isso é ciência?</p>
<p>&#8220;Não&#8221;, responde Adolf Grünbaum, considerado um dos mais ferrenhos críticos da psicanálise no mundo. Professor de Psiquiatria e chefe do departamento de Filosofia da Ciência da Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos, ele espinafra a validade do método inventado por Freud em seus livros The Foundations of Psychoanalysis: A Philosophical Critique (Os Fundamentos da Psicanálise: Uma Crítica Filosófica, inédito no Brasil) e Validation in the Clinical Theory of Psychoanalysis (Validade na Teoria Clínica da Psicanálise, também inédito aqui). &#8220;Está claro que ela já está morrendo em países como a Alemanha, a Suíça e os Estados Unidos&#8221;, diz Grünbaum. &#8220;Talvez ela tenha uma sobrevida maior na França, Itália e Argentina, mas basta observar o decrescente número de psiquiatras que estudam para ser psicanalistas para constatar sua decadência.&#8221; Ele diz que essa tendência deve se manter graças a três fatores.</p>
<p>O primeiro seria a falta de evidências de que o tratamento psicanalítico tem uma boa relação custo/benefício – para ele, há tratamentos mais rápidos e baratos, e ninguém conseguiu provar que a psicanálise é mais eficiente do que esses tratamentos. A segunda razão seria a ascensão dos novos medicamentos. Aliadas a psicoterapias de curto prazo, as novas drogas estariam tomando o lugar da psicanálise.</p>
<p>E o terceiro e mais controverso fator seria a falta de critérios para o credenciamento de psicanalistas, ao menos nos Estados Unidos. &#8220;Há todo um sistema corrompido e arbitrário, já que não existem pré-requisitos sólidos para alguém ser considerado um psicanalista&#8221;, diz o psiquiatra.</p>
<p>Para Grünbaum, um dos traços marcantes que comprovaria a falta de fundamento científico da psicanálise estaria em sua quase infinita capacidade para rebater qualquer dado que contradiga suas teorias. Costuma-se ilustrar esse traço com a história de um analista que, baseado nas palavras de um adolescente, interpreta que o garoto apresenta uma clássica síndrome de Édipo: quer matar seu pai e copular com sua mãe. Se o rapaz concordar com a interpretação, ótimo. Se a rejeitar, sua negação é uma forte prova de que ele está reprimindo seus impulsos. Essa estratégia é conhecida pelos detratores da psicanálise como &#8220;cara eu ganho, coroa você perde&#8221;, e teria sido usada por Freud e seus seguidores. &#8220;Não é à toa que nas principais universidades americanas as idéias de Freud estão saindo dos departamentos de medicina e psicologia e sobrevivem apenas nos cursos de literatura.&#8221;</p>
<p>Será mesmo? Pelo menos no Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Iowa, há um neurocientista bem mais cauteloso em suas críticas à psicanálise. Conhecido no Brasil por seus livros O Erro de Descartes e O Mistério da Consciência, o neurologista António Damásio diz que, mesmo reconhecendo as limitações da psicanálise, é preciso admitir que Freud estava correto em vários aspectos sobre o cérebro. &#8220;O problema central da psicanálise não está em Freud&#8221;, diz Damásio. &#8220;Está num imenso número de psicanalistas que se fecharam ao mundo exterior, apegando-se a teorias como se fossem dogmas religiosos.&#8221;</p>
<p>Freud X Psicologia Social</p>
<p>Não deixa de ser uma ironia, mas enquanto a neurociência critica o método freudiano pela falta de objetividade, uma corrente da psicologia contemporânea diz que a psicanálise não pode ajudar o homem moderno exatamente pelo motivo oposto: ela estaria excessivamente fechada num modelo de indivíduo do tempo de Freud, não levando em consideração que há uma infinidade de outras causas que podem ser responsáveis pelos distúrbios mentais.</p>
<p>Ou seja: uma acusação é de falta de solidez científica; a outra é de excesso de rigidez e cientificismo na hora de lidar com o comportamento humano. &#8220;Não adianta ficar procurando a origem do sofrimento psíquico apenas no inconsciente, como faz a psicanálise, ou numa origem orgânica, como fazem os neurocientistas&#8221;, diz Luis Antônio Baptista, professor de Psicologia Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). &#8220;Há outros fatores no mundo real, como viver numa cidade violenta ou o medo de perder o emprego, que podem, por exemplo, levar alguém à depressão.&#8221;</p>
<p>O que Luis Antônio e outros psicólogos sociais criticam no método psicanalítico é a ênfase de que existe uma clara fronteira entre o indivíduo, de um lado, e o mundo externo, do outro. Ou seja: sabe essa idéia que você tem de que de há um universo só seu, bem separado da vida social? Pois é. Para esses psicólogos, essa idéia de indivíduo não tem nada de natural. &#8220;Ela é um produto de uma época e, como tal, muda de tempo em tempo e pode até mesmo variar de cultura para cultura&#8221;, diz Silvia Carvalho, professora de psicologia social da UFF. Seria inútil, por exemplo, tentar adaptar alguns conceitos psicanalíticos para um membro da comunidade ianomâmi, que teria uma visão de indivíduo completamente diferente de quem vive numa sociedade capitalista competitiva. Da mesma forma, conceitos como o complexo de Édipo seriam produto da sociedade vienense no tempo de Freud, e não &#8220;eventos naturais&#8221; válidos em qualquer época.</p>
<p>Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari são os três filósofos franceses que serviram de base para esse questionamento da psicanálise. Em 1972, Guatarri e Deleuze escreveram juntos o livro O Anti-Édipo, criticando as idéias de Freud e seus seguidores por sempre buscarem um evento ou um trauma original para enquadrar o analisado numa certa categoria. Segundo os dois filósofos franceses, essa é uma visão extremamente reducionista do homem. O problema é: se já era complicado para um psicanalista vasculhar o mundo interior de uma pessoa, como lidar com o sofrimento pessoal de alguém alargando essas fronteiras para outras fatores como a política, a economia? Parece impossível na prática, não?</p>
<p>A médica e analista carioca Ana Rego Monteiro garante que é perfeitamente viável. Ela diz que, em vez de privilegiar, como na psicanálise, as relações familiares e a infância como uma das fontes mais importantes para o sofrimento de alguém, o analista tem que levar em conta que outras forças como a pressão no trabalho ou mesmo a exigência de se enquadrar num padrão de beleza não devem ter necessariamente um peso menor que aqueles fatores para desencadear uma depressão. &#8220;No lugar de classificar o paciente dentro de um quadro de doença psíquica, é preciso analisar as forças que estão atuando para produzir esse sofrimento&#8221;, diz a analista. Ela propõe, por exemplo, que o aumento de transtornos como a síndrome de pânico estaria ligado às mudanças econômicas, políticas e tecnológicas do mundo moderno. &#8220;É inútil querer curar alguém apenas com medicamentos ou tentando solucionar conflitos interiores&#8221;, afirma. &#8220;É preciso entender o conjunto de outras forças políticas que agem na mente dessa pessoa.&#8221;</p>
<p>Freud x Nova Era</p>
<p>Como um bom gastroenterologista, Wilhelm Kenzler cuidava com esmero do estômago de seus pacientes. Examinava, entubava, operava e indicava remédios para aliviar a dor. Até que um dia, quando fazia seu doutorado na Alemanha, na década de 1950, ele atendeu um homem com uma intrigante dor de estômago. Depois de um exame físico detalhado, o médico não achou absolutamente nada de anormal com o paciente – pelo menos até começar a conversar com ele. &#8220;Ele sentou e me contou sua história de vida&#8221;, diz Kenzler. &#8220;Quando me disse que queria largar sua mulher, 15 anos mais velha que ele, e que seu relacionamento com ela era típico de mãe e filho, percebi qual a verdadeira origem de sua dor de estômago.&#8221;</p>
<p>Depois disso, o médico decidiu estudar psicanálise para compreender melhor as chamadas doenças psicossomáticas – que produzem sintomas físicos mas têm origem na mente. &#8220;Me submeti a cinco anos de análise, fiz o curso na Sociedade Brasileira de Psicanálise, mas cheguei à conclusão de que o modelo freudiano era insuficiente como resposta às minhas inquietações&#8221;, diz Kenzler. Foi então que ele tomou uma decisão cada vez mais comum entre as pessoas que procuram alternativas para o divã: trocou Freud pela espiritualidade. &#8220;A psicanálise cuida apenas de uma dimensão do ser humano, mas há outras dimensões que precisam ser levadas em consideração&#8221;, diz.</p>
<p>Você já deve ter notado que esse tipo de crítica a Freud é totalmente diferente das feitas pelos neurocientistas ou por novas correntes da psicologia. Não se trata de acusar a psicanálise de falta de rigor científico ou de negligência diante do contexto social. Trata-se de criticá-la por ignorar a existência de outros estados transcendentais da mente que nem a teoria de Freud nem a psicologia ocidental e muito menos a psiquiatria levam em consideração.</p>
<p>&#8220;Ninguém tem dúvida de que a visão de Freud sobre o funcionamento da mente e o desenvolvimento da personalidade tiveram conseqüências extraordinárias&#8221;, disse à Super o físico austríaco e professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, Fritjof Capra. Considerado um dos mais famosos críticos da visão mecanicista da ciência ocidental, ele diz que a psicanálise freudiana terminou se fechando para as experiências religiosas e místicas. &#8220;Apesar de Freud ter se interessado pela religião e pela espiritualidade durante toda a sua vida, ele chegou a considerar a religião uma neurose da humanidade&#8221;, diz o físico. &#8220;Isso fez com que experiências dessa natureza passassem a ser enquadradas até mesmo como sintomas de uma psicose.&#8221;</p>
<p>A americana Suzan Andrews, monja de meditação radicada em São Paulo, diz que essa limitação da psicanálise freudiana não existe à toa. &#8220;De William James a Freud, a psicologia ocidental tem pouco mais de 200 anos&#8221;, diz Suzan. &#8220;Já a psicologia oriental estuda esses estados mentais há cerca de 7000 anos.&#8221;</p>
<p>Suzan, que passou 30 anos entre a Índia e a China estudando técnicas de meditação, diz que o método freudiano de cura pela fala não é o melhor caminho para tratar do sofrimento da mente. &#8220;Em vez de alívio, ficar falando de suas angústias despende ainda mais energia do corpo&#8221;, diz Suzan. &#8220;A meditação pode trazer resultados melhores que o tratamento verbal.&#8221; Mas isso, por acaso, não seria uma fuga dos problemas existenciais que a psicanálise traria à tona?</p>
<p>Ela garante que não. &#8220;Não se trata de fugir dos nossos conflitos internos&#8221;, diz Suzan. &#8220;Trata-se de fortalecer a mente para que você responda a esses conflitos com compaixão, até mesmo porque a origem deles não está necessariamente restrita a passagens da infância.&#8221;</p>
<p>A insistência em procurar a origem da infelicidade humana com base apenas nessa vida é, para as correntes espiritualistas, a maior limitação da psicanálise. Isso mesmo: para eles, boa parte do que você é hoje em dia é produto de inúmeras reencarnações.</p>
<p>É nisso que acreditam, por exemplo, as milhares de pessoas que lêem e seguem a filosofia budista do Dalai Lama, líder espiritual do povo tibetano. (Leia a reportagem de capa da</p>
<p>Super &#8220;A Vida Segundo o Dalai&#8221;, edição de agosto de 2001.) O psiquiatra americano Howard Cutler, que escreveu com o Dalai Lama o best-seller A Arte da Felicidade, resume assim a principal semelhança e a maior diferença entre o budismo e a psicanálise: &#8220;A semelhança é que as duas filosofias acreditam que há algo como o inconsciente que registra eventos do passado e moldam nosso comportamento&#8221;, diz Cutler. &#8220;A diferença é que, segundo o budismo, esses registros podem ter origem em vidas passadas.&#8221; Nesse caso, pouco adiantaria ir a um analista para compreender seus problemas atuais trabalhando com lembranças dessa vida. E talvez por isso exista cada vez mais gente buscando a felicidade e o auto-conhecimento na sua própria religiosidade – em detrimento do divã.</p>
<p>O futuro de Freud</p>
<p>É bem provável que a essa altura você já esteja pensando em como vai dizer a seu psicanalista que pretende suspender suas sessões. Mas será que os críticos de Freud conseguirão, realmente, enterrá-lo no passado? &#8220;Freud sobreviverá&#8221;, garante o historiador Peter Gay. Quanto às críticas de que a psicanálise não tem base científica e sempre arruma um jeito de ter resposta para tudo, ele rebate: &#8220;Esse ataque é extremamente simplista. Freud deixou clara sua aversão ao analista com respostas prontas para tudo. Só um irresponsável se comportaria dessa forma.&#8221; O problema é: quem pode definir quais parâmetros um terapeuta tem que seguir para ser chamado de psicanalista?</p>
<p>&#8220;Por enquanto, ninguém&#8221;, diz Márcio Giovanetti, presidente da Associação Brasileira de Psicanálise. Como a profissão não é regulamentada no Brasil, ele diz que qualquer um pode dizer que é psicanalista – mesmo que não tenha lido sequer um parágrafo da obra de Freud. &#8220;Esse é um dos motivos pelos quais algumas pessoas terminam descrentes quanto à psicanálise&#8221;, diz Giovanetti. &#8220;Mas é um absurdo pôr em dúvida a validade dos conceitos de Freud pela atuação de maus profissionais. Até porque isso pode ocorrer em qualquer profissão.&#8221;</p>
<p>Quanto à acusação de que Freud criou uma espécie de religião dogmática, os psicanalistas lembram que ele fez inúmeras revisões de suas teorias quando elas não se adequavam ao tratamento clínico. E mais: Freud teria premeditado o papel que as drogas poderiam ter, num texto de 1938, um ano antes de sua morte, quando escreveu que &#8220;o futuro poderá nos ensinar a exercer uma influência direta (na mente) por meio de substâncias químicas&#8221;.</p>
<p>O psicanalista e professor do departamento de Psiquiatria da Unicamp, Mário Eduardo Pereira, diz que é preciso acabar com essa idéia de que de um lado está a psiquiatria e, do outro, a psicanálise. &#8220;Assim como alguns psicanalistas podem ter uma devoção quase religiosa aos modelos de Freud, há um discurso não menos religioso de que os novos medicamentos podem resolver tudo sozinho.&#8221;</p>
<p>A historiadora e psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco é uma das principais críticas desse discurso da psicofarmacologia. Em seu livro Por que a psicanálise?, ela lembra que nem os criadores desses medicamentos acreditavam que eles seriam uma espécie de pílula mágica para os males existenciais. O psicanalista Renato Mezan, professor da PUC de São Paulo, concorda: &#8220;Essa questão de que existe uma oposição entre a neurociência e a psicanálise está mal colocada&#8221; diz. &#8220;Não há nenhuma incompatibilidade entre as duas, ao contrário: drogas como os antidepressivos podem ajudar a criar melhores condições para que o paciente possa ser analisado.&#8221;</p>
<p>O historiador Peter Gay diz que, no futuro, um caminho promissor para o estudo da mente terá até que contar com a parceria de neurologistas e psicanalistas. &#8220;Já existem pessoas nesse momento que estão tentando formular uma nova teoria da mente que possa congregar o trabalho dos neurologistas com o dos psicanalistas&#8221;, diz Gay.</p>
<p>&#8220;O problema é que falta um grande inovador como Freud para unir a produção dessas diferentes áreas.&#8221; O psiquiatra Henrique Del Nero, da USP, diz que se a psicanálise não fizer isso ela se tornará apenas &#8220;uma forma sofisticada e cara de buscar autoconhecimento.&#8221; Mas, afinal, as idéias de Freud morreram ou não?</p>
<p>Talvez tenha sido o americano John Horgan, ex-editor da revista Scientific American e bastante conhecido pelo seu ceticismo, quem tenha dado a resposta mais perspicaz a essa pergunta. Em seu livro A Mente Desconhecida, ele diz que não, Freud ainda não está morto. Mas, em vez de atribuir essa sobrevivência à validade intrínseca das teorias do fundador da psicanálise, ele aponta uma razão mais singela para a persistência das idéias de Freud: &#8220;Se os modelos da psicanálise são deficientes, a neurologia também estaria longe, muito longe de desvendar o maior mistério da ciência: a mente humana. E, para aumentar o nível de felicidade de alguém que sofre, vale o que funcionar, seja a ciência ou não. É isso, aparentemente, que as pessoas estão dizendo aos estudiosos.</p>
<p>Teoria trincada: será que o tratamento psicanalítico criado por Freud sobreviverá até o fim do século XXI?</p>
<p>Perguntado certa vez se o seu charuto não seria um símbolo fálico, Freud teria respondido: &#8220;Às vezes, um charuto é apenas um charuto&#8221;</p>
<p>A teoria psicanalítica teria sido escrita para a sociedade vienense na passagem do século XIX para o século XX – e não traduziria mais a psique humana de hoje</p>
<p>Freud editando o manuscrito de um de seus últimos livros: no final da vida, ele chegou a prever que os medicamentos teriam papel destacado no tratamento dos distúrbios da mente</p>
<p>Sigmund Freud, numa foto de 1939, ano de sua morte: mais de meio século depois, o mundo ainda é freudiano</p>
<p>Inconsciente</p>
<p>Apesar de não ter sido o primeiro a usar esse conceito, Freud inovou ao tratá-lo como uma espécie de depósito dos nossos desejos reprimidos ligados à sexualidade ou à agressão que ficam atuando sobre a mente consciente. Ao ouvir o paciente falar livremente no divã, o psicanalista o ajuda a compreender como a pressão do inconsciente está produzindo seus distúrbios para que ele possa se libertar deles.</p>
<p>Outras correntes, como a psicologia cognitiva, também trabalham com o conceito do inconsciente. A diferença é que, nesse caso, o inconsciente em princípio não poderia ser acessado pela consciência. Ele seria uma espécie de processador paralelo inerente à mente humana – e não um repositório de desejos reprimidos.</p>
<p>Sonhos</p>
<p>Com a publicação do seu livro A Interpretação dos Sonhos (1900), Freud diz que o sonho é a linguagem simbólica pela qual se manifesta o inconsciente, com todos os seus conflitos não resolvidos e desejos reprimidos.</p>
<p>A neurociência vê o sonho como um mecanismo auto-regulador do nosso cérebro. Ele faria a digestão dos acontecimentos do dia organizando quais informações devem ser guardadas nos arquivos da memória de longa duração e apagando as que não foram usadas.</p>
<p>Infância e sexualidade</p>
<p>Freud acredita que a mente adulta vai sendo moldada na infância, de acordo com as experiências de prazer e desprazer que ela vivencia em cada fase do desenvolvimento da libido – libido, para Freud, é a energia corporal expressa pelos instintos sexuais. Ela já estaria presente no bebê, por exemplo, ao se relacionar com seus pais. Se o bebê for menino, ele deseja ter a mãe para si e enxerga o pai como um rival que reprime seu desejo (complexo de Édipo). Já a menina desejaria o pai – mas também reprime essa vontade por temer perder o amor de sua mãe por isso. Mesmo permanecendo ocultos no inconsciente, esses desejos poderiam gerar distúrbios na mente do adulto.</p>
<p>Ainda que reconheçam o pioneirismo de Freud em descobrir que a criança também sente prazer sexual (não expressa ainda pelos órgãos genitais), seus opositores dizem que ele exagera na atenção que dá às relações da criança com seus pais como determinantes para definir o equilíbrio da vida mental do adulto. Para esses críticos, essa abordagem seria válida apenas no conceito da família da sociedade vienense em que Freud viveu.</p>
<p>Id, superego e ego</p>
<p>Para Freud, a personalidade está dividida em três partes. A primeira delas, o id, seria a mais profunda da psique humana. Lá estariam depositados os impulsos instintivos dominados pelo desejo de prazer. Ou seja: é o lado animal do homem, quase todo insconsciente. Já o superego seria uma espécie de polícia interna. É aquela voz que parece ser o senhor da razão, julgando nossos atos e, na maioria das vezes, censurando-nos. No meio do conflito entre os desejos do id e a censura do superego, estaria o ego. O ego é a parte da personalidade que está em contato direto com a realidade externa. Criado a partir do id, tem a função de garantir a saúde, a segurança e a sanidade da pessoa.</p>
<p>Alguns críticos dizem que esse modelo de Freud não tem nenhuma contrapartida com a neurociência – mas a neurociência tampouco parece ter algum modelo completo do funcionamento da mente. Enquanto psicólogos sociais consideram essa divisão reducionista, os espiritualistas dizem que a mente não está dividida apenas em três partes. Haveria outras forças, transcendentais, atuando sobre ela.</p>
<p>NA LIVRARIA</p>
<p>Por que a Psicanálise?, Elisabeth Roudinesco, Jorge Zahar Editor, 1994</p>
<p>Freud &#8211; Uma Vida para o Nosso Tempo, Peter Gay, Companhia das Letras, 1990</p>
<p>A Mente Desconhecida, John Horgan, Companhia das Letras, 2002</p>
<p>Freud, Sigmund Freud, Abril Cultural, 1978</p>
<p>Folha Explica Freud, Luiz Tenório Oliveira Lima, Publifolha, 2001</p>
<p>O Ponto de Mutação, Fritjof Capra, Cultrix, 2000</p>
<p>A Arte da Felicidade, Dalai Lama e Howard Cutler, Martins Fontes, 2002</p>
<p>The Freud Encyclopedia, Edward Erwin, Routledge, 2002</p>
<p>Tempo de Muda, Renato Mezan, Companhia das Letras, 1998</p>
<p>Dicionário de Psicanálise, Elisabeth Roudinesco, Jorge Zahar Editor, 1998</p>
<p>Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_257517.shtml</p>
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		<title>Programado para a fé</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 12:47:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>educaçãoevida</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Meditação na mídia]]></category>

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ago 2002 
Imagens do cérebro, obtidas durante sessões de preces e meditação, ajudam a neurologia a desvendar os mistérios que cercam os fenômenos espirituais e indicam que há uma base biológica para a crença humana
Jomar Morais / Rodrigo Maroja
No início, é só uma sensação de crescente tranqüilidade. Pequenos incômodos ambientais, como o zumbido de um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=zennoparque.wordpress.com&blog=2953175&post=304&subd=zennoparque&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1247-programadop1.png" alt="" /></p>
<p><a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/sumario-edicao-178.shtml"><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1247-programadop3.png" alt="" /></a>ago 2002 <a href="http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/sumario-edicao-180.shtml"><img src="http://zennoparque.files.wordpress.com/2008/08/082708-1247-programadop4.png" alt="" /></a></p>
<p>Imagens do cérebro, obtidas durante sessões de preces e meditação, ajudam a neurologia a desvendar os mistérios que cercam os fenômenos espirituais e indicam que há uma base biológica para a crença humana</p>
<p>Jomar Morais / Rodrigo Maroja</p>
<p>No início, é só uma sensação de crescente tranqüilidade. Pequenos incômodos ambientais, como o zumbido de um mosquito ou a elevação da temperatura, deixam de ser obstáculos à concentração. A ansiedade cede lugar à observação serena da vida, a uma paz indefinível. Então, numa súbita e indelével onda tem-se a impressão de que o corpo e a própria individualidade se dissolveram. Não existe mais limite entre o indivíduo e o resto do mundo, não há tempo nem espaço. Uma &#8220;iluminação&#8221; repentina parece esclarecer todas as coisas.</p>
<p>Você já experimentou ou deve conhecer alguém que passou por uma experiência semelhante. Delírio? Viagem? Mergulho numa outra dimensão? O Dalai Lama diz que já passou por isso (e, muito à vontade, repete a dose diariamente). No século XII, São Francisco de Assis, o santo do mundo natural, experimentou as mesmas sensações. Chico Xavier, o médium brasileiro que morreu no dia 30 de junho, conhecia o fenômeno desde criancinha. Na verdade, não existe uma única religião no planeta sem casos do gênero para narrar. Mas, afinal, o que é esse estado alterado de consciência tão constante em todos os credos? A resposta pode estar no seu cérebro. Pelo menos, segundo a mais recente tentativa da ciência para explicar a origem das experiências místicas que une a neurologia com a teologia: a neuroteologia.</p>
<p>O estudo das experiências religiosas não é novo. Mas quase nunca a ciência levou a sério esse tipo de pesquisa. A psiquiatria e a psicologia do início do século XX incluíram a experiência mística dentro do rol de doenças mentais. &#8220;Apesar da sua importância na vida das pessoas, a religião sempre foi tratada com indiferença ou apatia pela maioria dos psicólogos e neurocientistas&#8221;, diz David Wulff, psicólogo e professor do Wheaton College, em Massachusetts, Estados Unidos. Com a neuroteologia, isso está mudando. A partir de imagens obtidas por tomógrafos que detectam quais áreas do cérebro são ativadas em diferentes atividades, pesquisadores procuram agora entender o complexo relacionamento entre espiritualidade e cérebro, lançando as bases do que vem sendo considerada uma biologia da fé.</p>
<p>Não se trata de conversão dos céticos cientistas às crenças milenares. Eles continuam exigentes como antes na busca de provas que possam ser confirmadas em experiências realizadas por laboratórios. A diferença está nas novas técnicas de investigação e na importância crescente atribuída a esse tipo de pesquisa. Para isso, certos cientistas não têm hesitado sequer em se transformar em cobaias de seus próprios estudos. Eles se submetem ao fenômeno da consciência alterada durante transes naturais ou provocados, a fim de avaliarem nas entranhas a sensação de estar fora do espaço e do tempo relatada pelos religiosos. E, ao retornarem à normalidade, quase sempre trazem consigo alguma descoberta.</p>
<p>Nessas ocasiões, é comum um místico afirmar que se encontra na presença de Deus ou de uma entidade espiritual. Um cientista pode ter uma resposta diferente, como ocorreu com o neurologista americano James Austin quando experimentou, há 20 anos, uma sensação semelhante à descrita no início desta reportagem. Austin apreciava o rio Tâmisa fluir enquanto esperava um metrô em Londres quando tudo aconteceu: o senso de individualidade desapareceu e ele sentiu-se unido aos edifícios, ao rio e às nuvens, em meio a uma sensação de eternidade. Foram segundos infindáveis de deslumbramento. &#8220;Todos os meus receios, inclusive o medo da morte, desapareceram.</p>
<p>Eu havia alcançado a compreensão da natureza última das coisas&#8221;, revelou Austin, há três anos, no livro Zen and the Brain (O Zen e o cérebro), publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, e ainda não traduzido para o português. Para o neurologista, no entanto, o extraordinário fenômeno não foi uma prova da existência de Deus. &#8220;Foi uma prova da existência do cérebro&#8221;, diz o pesquisador.</p>
<p>O estudo de Austin tem o mérito de ser um dos pioneiros na nova vertente de pesquisas dos eventos místicos, mas está longe de encerrar o assunto. De lá para cá, várias outras experiências foram realizadas por cientistas de universidades renomadas, como Harvard e Columbia, culminando com uma incursão inédita no território cerebral realizada por dois pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, também nos Estados Unidos: o radiologista Andrew Newberg e o psiquiatra Eugene d&#8217;Aquili, falecido há dois anos. Os dados da pesquisa estão no livro Why God Won&#8217;t Go Away (Por que Deus não vai embora, ainda sem tradução no Brasil) e confirmam o avanço do estudo dos fenômenos místicos em relação às técnicas tradicionais. Antes, podia-se apenas medir a alteração das ondas cerebrais – de beta para alfa – durante as experiências contemplativas, mas não se sabia por que a mudança ocorria nem que áreas do cérebro eram responsáveis por isso.</p>
<p>Newberg e D&#8217;Aquili avaliaram o desempenho cerebral de oito praticantes budistas, durante sessões de meditação, e o de um grupo de freiras franciscanas, enquanto elas rezavam fervorosamente durante 45 minutos. A maior novidade emergiu das imagens do lobo parietal superior, a área do cérebro localizada na parte de trás do crânio. Constatou-se que, no transcorrer das meditações, a atividade nessa região diminuía gradualmente até ficar praticamente bloqueada no momento de pico, aquele em que o meditador experimenta a sensação de iluminação religiosa. Justamente a mesma área do cérebro que, em estado normal, proporciona ao homem o senso de orientação no espaço e no tempo, bem como a diferenciação entre o indivíduo e os demais seres e coisas.</p>
<p>É como se, privados de impulsos elétricos, os neurônios do lobo parietal desligassem os mecanismos das funções visuais e motoras do organismo. Quando a experiência foi repetida com as franciscanas – cujas rezas enfatizam mais palavras que imagens – registrou-se uma excitação da região associada à linguagem, na base do lobo parietal, mas elas também tiveram os impulsos da área de orientação bloqueados ao atingirem o êxtase.</p>
<p>O que os budistas e as freiras sentiram não é resultado de auto-sugestão ou de uma doença mental, asseguram os pesquisadores. É algo real, baseado em eventos biológicos. &#8220;O sentimento de unicidade parece paralisar os receptores sensórios da região parietal&#8221;, diz Newberg. Com isso, o cérebro fica impossibilitado de traçar fronteiras e percebe o &#8220;eu&#8221; como um ente expandido, ilimitado e unido a todas as coisas. A sensação de unicidade, porém, é apenas uma – talvez a mais marcante – das impressões causadas pelas experiências místicas profundas. Os êxtases incluem, ainda, uma intensa alteração emocional com expressões de alegria e pavor. E, nesse aspecto, as imagens do cérebro trazem mais revelações.</p>
<p>As imagens dos lobos temporais, onde repousa o chamado &#8220;cérebro emocional&#8221; ou sistema límbico, mostram uma atividade redobrada dessas áreas durante as experiências contemplativas, o que ajuda a explicar as marcas deixadas por tais eventos na personalidade das pessoas. Formado numa etapa remota da evolução, quando surgiram os répteis, o sistema límbico está associado às emoções e reações instintivas. Nos humanos esses impulsos estão integrados a funções cognitivas superiores produzindo assim uma complexa experiência emocional. Cabe ao sistema límbico monitorar nossas vivências, atribuindo a cada uma delas um valor sentimental, o traço emotivo que permanece na memória e, não raro, pode ser a causa de fortes mudanças de atitude.</p>
<p>Você certamente já ouviu falar de alguém que mudou radicalmente os hábitos e o modo de ver a vida depois de escapar ileso de um acidente ou após ser alvo de uma demonstração extrema de amor num momento de dificuldade. Em escalas diferentes, eu e você certamente já fomos protagonistas de cenas do gênero, nas quais o sistema límbico assume o papel de diretor da peça. Na história das religiões eventos como esse são freqüentes. O judeu Saulo, por exemplo, comandava uma blitz policial para prender líderes cristãos no século I, quando teria experimentado um transe durante o qual viu o próprio Cristo propor-lhe uma nova vida. Depois disso, convertido, tornou-se o apóstolo Paulo, o grande responsável pela propagação do Cristianismo.</p>
<p>Sabe-se agora que uma intensa atividade elétrica nos lobos temporais pode levar alguém ao êxtase místico, o que faz com que alguns pesquisadores associem uma conexão entre o fenômeno religioso e o ataque de epilepsia, quando idêntica atividade dos lobos é registrada. Não há nada conclusivo sobre tal hipótese, mas uma engenhoca concebida para testá-la – um capacete que emite descargas elétricas, inventado por Michael Persinger, da Universidade Laurentian, em Sudbury, Canadá – confirmou que estímulos elétricos na base do sistema límbico podem provocar alucinações, a sensação de estar fora do corpo e o senso do divino. Ao estimular a mesma área, durante cirurgias no cérebro, alguns pacientes também relataram sentimentos religiosos.</p>
<p>A influência decisiva do &#8220;cérebro emocional&#8221; nos eventos místicos, diz Newberg, pode esclarecer, ainda, por que os rituais são uma prática tão importante nas religiões. Os movimentos estilizados e repetitivos, os símbolos como a cruz e as imagens sagradas e os cânticos usados nas cerimônias religiosas as diferenciam das ações cotidianas e, desse modo, ajudariam o cérebro a percebê-los como eventos mais significativos. Esses acessórios ativam o sistema límbico, ora produzindo alegria e harmonia, ora tensão e medo, facilitando a transição para os estados alterados de consciência.</p>
<p>E as experiências transcendentais não estariam restritas aos círculos de iniciados, mas são comuns mesmo entre as pessoas que não são religiosas. Na década passada, uma pesquisa do Instituto Gallup apurou que 53% dos americanos adultos admitiam já ter vivenciado um momento de súbito despertar espiritual ou insight, um lampejo intuitivo. Os relatos dessas experiências aumentavam com a idade, a educação e a renda das pessoas ouvidas. Apesar de não existirem dados precisos sobre o assunto no Brasil, seria razoável admitir que uma sondagem do gênero poderia registrar percentuais ainda maiores que os da pesquisa americana, se considerarmos que a crença em Deus é compartilhada por 99% da população, segundo apurou o Instituto Vox Populi no semestre passado – e o país é um celeiro mundial de religiões mediúnicas.</p>
<p>Os pesquisadores acreditam que não existe um só homem com as funções cerebrais em dia que não tenha experimentado um estado de êxtase semelhante aos dos místicos. Lembra aquele grito de gol que você deixou sair no meio da torcida organizada do seu time? Pois é, aquela impressão de que o tempo parou e você ficou maior que o estádio, enquanto berrava? É a mesma que, desde o início deste texto, estamos chamando de sensação de unicidade. E aquele arrepio que tomou conta de você ao cantar o hino nacional naquela passeata? Até quando você dança ou ouve um discurso empolgante – enfim, quando está diante de algum recurso que desperte o sistema límbico – é possível sentir, pelo menos parcialmente, o que os místicos costumam vivenciar quando buscam Deus.</p>
<p>Newberg e D&#8217;Aquili estudaram essas variantes e concluíram que isso acontece com pessoas absolutamente saudáveis. Os portadores de psicoses, como os esquizofrênicos, podem até entrar em transe, ter visões e ouvir vozes. Mas, nesse caso, segundo os pesquisadores, o fenômeno, relacionado a processos obsessivos, é repetitivo e torturante e não espontâneo e criativo como ocorre nas experiências místicas. Robert Formam, especialista em religiões comparadas do Hunter College de Nova York, diz que os indivíduos que passaram por uma experiência mística se mostram mais abertos a inovações e apresentam um grau maior de tolerância com a ambigüidade e a incerteza. Em compensação, diz o psicólogo David Wullf, eles também teriam mais dificuldade em distinguir o que é imaginação do que é real.</p>
<p>OK. Depois de tudo o que foi escrito, podemos então dizer que o funcionamento do cérebro explica todas as sensações que, ao longo de milênios, o homem tem atribuído aos deuses e a outras forças imponderáveis? Não é bem assim. No fundo, a polêmica continua. O que mudou foram os novos argumentos trazidos pela neuroteologia.</p>
<p>Proponha-se a questão a um neurofisiologista convencional, como o professor Luis Eugênio Mello, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e a resposta virá, taxativa: &#8220;As experiências místicas têm relação direta com o efeito placebo, que pode ser gerado por condicionamento ou por expectativa. O fato de se acreditar que alguma coisa vai acontecer acaba gerando conseqüências sobre as reações fisiológicas&#8221;. Luis Eugênio não aceita a hipótese de que o cérebro foi &#8220;meticulosamente preparado&#8221; para a experiência transcendental, como acredita Newberg, e acha que se temos essa predisposição à fé ela surgiu &#8220;por acaso&#8221;, usando áreas relevantes para outros processos neurais. Idéia semelhante têm ateus e materialistas, para os quais o denominador comum de todos aqueles fenômenos é o cérebro e nada mais.</p>
<p>&#8220;Não podemos dizer que eles estão errados&#8221;, afirma Newberg. &#8220;Nem que estão errados os que acreditam na existência de algum tipo de interação do cérebro com algo divino.&#8221; O único consenso, por enquanto, é que todas as nossas experiências, sejam as da realidade concreta sejam as místicas, ocorrem em nossa estrutura cerebral. A neuroteologia, no entanto, levanta suspeitas sobre o que poderia ser uma dimensão da consciência além dos lobos e feixes de neurônios, a partir da constatação de que a consciência persiste quando o indivíduo perde a noção do &#8220;eu&#8221; e os sentidos deixam de funcionar.</p>
<p>O fato de as experiências espirituais estarem associadas à atividade dos neurônios não quer dizer, necessariamente, que tais experiências são meras ilusões neurológicas, segundo Newberg, mas certamente que a engrenagem cerebral possui um mecanismo para a transcendência. &#8220;A questão central é determinar se a atividade neurológica associada à experiência espiritual significa que o cérebro é a causa dessa experiência ou se, em vez isso, está percebendo uma realidade além do corpo&#8221;, acrescenta o cientista. Até que se alcance um consenso, só a fé, seja numa teoria científica seja num dogma, será capaz de responder se Deus é uma criação do nosso cérebro ou se o nosso cérebro foi criado por Deus.</p>
<p>O cérebro de uma freira se altera quando ela se concentra em uma oração</p>
<p>Na década passada, uma pesquisa do Instituto Gallup revelou que 53% dos americanos de diversas religiões já vivenciaram um momento de súbito despertar espiritual</p>
<p>Ninguém precisa ser religioso para ter uma experiência transcendental</p>
<p>Há 50 000 anos, os neardentais que vagaram entre a África, a Ásia e a Europa, tornaram-se as primeiras criaturas a sepultar seus mortos com cerimônia. Junto com os corpos, eles enterraram ferramentas, armas, roupas e outros suprimentos que deixaram para a posteridade uma dúvida: teriam os nossos primos da Idade da Pedra equipado os defuntos com utensílios por acharem que, além do túmulo, eles continuariam a viver?</p>
<p>É significativo que tais esboços de prática religiosa, os mais antigos de que se tem notícia na história, estejam associados a esse grupo. Segundo Andrew Newberg, em seu estudo sobre o &#8220;circuito espiritual&#8221; do cérebro, eles foram os primeiros a possuir uma estrutura cerebral suficientemente poderosa para compreender a morte, dotada de um lobo parietal semelhante ao nosso, e, portanto, habilitada a processar as construções mitológicas. Em resumo: sabiam diferenciar a vida da morte e transcender a essa com a crença na imortalidade. Milhões de anos antes, outro ancestral humano, o Australopithecus, também chegou a exibir um lobo parietal desenvolvido mas, ao que parece, jamais foi capaz de produzir algum tipo de cerimônia elaborada. Faltava-lhe a estrutura neuronial necessária à linguagem, outro detalhe fundamental no desenvolvimento dos mitos.</p>
<p>Com o lobo parietal, possibilidades opostas – por exemplo, vida-morte, existência do predador-não-existência do predador – foram resolvidas por meio das mesmas funções cognitivas usadas para perceber o mundo físico. Como conseqüência, isso pode ter induzido a mente a transformar idéias em convicções e possibilidades em crenças. Os mitos e a própria religião seriam, dessa forma, quase uma conseqüência da evolução da nossa espécie. Isso explicaria, então, porque os mitos estão presentes em todas as culturas humanas.</p>
<p>Pascal Boyer, professor da Universidade Washington, em Saint Louis, Estados Unidos, é um dos poucos pesquisadores que discordam dessa &#8220;inevitabilidade biológica&#8221; para a crença nos mitos. No livro Religion Explained (A religião explicada, ainda não traduzido para o português), Boyer diz que a suposta universalidade de tais conceitos é apenas o efeito de uma seleção aleatória. A experiência humana, afirma, teria gerado um gigantesco arquivo de informações que o homem só conseguiu preservar parcialmente, em meio a milhões de mensagens perdidas, esquecidas, ignoradas, distorcidas e, algumas vezes, inventadas por nada. Formou-se então, segundo Boyer, uma sopa de representações e mensagens das quais só algumas acabaram fixando-se no imaginário coletivo. Seria o caso de alguns mitos religiosos.</p>
<p>Joseph Campbell, o renomado especialista em religiões autor dos livros As Máscaras de Deus e O Poder do Mito, foi um dos primeiros pesquisadores a destacar a universalidade de algumas dessas narrativas. Virgens que concebem enviados divinos, dilúvios, expulsões do paraíso, regiões celestes e infernais, tentações demoníacas e ressurreições não seriam exclusividade da Bíblia judaico-cristã. São argumentos mitológicos que se repetem nas diversas tradições religiosas do planeta e têm origem, segundo Campbell, em aspirações e crenças comuns. Veja-se, por exemplo, o episódio da tentação de Cristo. O Evangelho narra que Jesus retirou-se para orar no deserto e ali, durante 40 dias, foi assediado por Satanás, disposto a desviá-lo do seu propósito mediante a oferta de poder e prazeres. Cristo sobreviveu ao cerco e retornou fortalecido para cumprir sua missão. Cinco séculos antes, conforme a tradição budista, o jovem príncipe Sidarta enfrentou provação semelhante.</p>
<p>Ao exilar-se na floresta para meditar, durante 40 dias ele combateu as insinuações do demônio Mara, obstinado em tirá-lo da sua busca. Sidarta resistiu e alcançou a meta da iluminação espiritual, tornando-se Buda.</p>
<p>São igualmente universais certos elementos da ritualística religiosa, como a música e os movimentos ritmados, importantes na estimulação do sistema límbico que levariam ao estado de transe. Durante a história, a humanidade experimentou transes provocados pelo canto, pela dança ou por plantas alucinógenas. Alguns pesquisadores dizem que a perda desse costume – ainda preservado pelo espiritismo, os cultos afro-brasileiros, os evangélicos pentecostais e os católicos carismáticos – pode ter sido nociva ao homem.</p>
<p>&#8220;Trata-se de uma perda perigosa&#8221;, diz o doutor em Antropologia da Religião José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília. &#8220;As pessoas que praticam o transe formam uma grande reserva de autocontrole. Muitas são capazes de enfrentar situações de adversidade extrema sem se estressarem.&#8221; A ênfase dada à racionalidade na civilização moderna privilegia as atividades do córtex cerebral mas, de acordo com José Jorge, o córtex é eficiente para mapear e controlar o mundo externo, não para lidar com o mundo interior, o mundo das emoções. &#8220;No transe, o cérebro emocional é exercitado&#8221;, diz José Jorge.</p>
<p>No passado, acredita Newberg, o sentimento e as práticas místicas foram fundamentais para a própria sobrevivência e evolução da humanidade, ainda que as religiões estejam associadas aos conflitos mais sangrentos da civilização. Os rituais ajudaram a reduzir a agressividade dos membros do grupo e a estabelecer laços sociais fortes entre eles. Evitaram a dispersão e facilitaram o esforço coletivo como nenhum outro recurso. &#8220;O poder dos mitos está no fato de que seus símbolos e temas nos conectam à parte mais essencial de nós mesmos de um modo que a lógica e a razão, sozinhas, não conseguem fazer&#8221;, diz Newberg.</p>
<p>Os mitos seriam uma conseqüência natural da evolução humana</p>
<p>Na livraria</p>
<p>Why God Won&#8217;t Go Away, Andrew Newberg e Eugene D&#8217;Aquili, Ballantine Books, EUA, 2001</p>
<p>Religion Explained, Pascal Boyer, Basic Books, EUA, 2001</p>
<p>O Universo Autoconsiente, Amit Goswami, Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro, 2001</p>
<p>O Tao da Física, Fritjof Capra, Cultrix, São Paulo, 1999</p>
<p>Na internet</p>
<p>www.andrewnewberg.com</p>
<p>www.innerworlds.50megs.com</p>
<p>Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_249087.shtml</p>
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